sexta-feira, 22 de junho de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.10

9-9.10
20 de dezembro de 2013.

Sem perceber que a linha de tempo tinha sido mudada doze dias atrás; já que aparentemente tudo estava normal; decolaram rumo à Terra a Procion, a Audaz e a Prometeo; a fim de trazer materiais indispensáveis. Após a partida, Aldo e o professor Von Kruger conversaram:


–É vital enviar essas naves à Terra, professor. Precisamos materiais.

–Mas aqui temos tudo o que precisamos... Ou não?

–Não temos, não. Não fazemos computadores, sistemas de controle, sensores, radares, rádios, câmeras de TV e toda a parafernália eletrônica vital para nosso uso diário e para as naves e aviões que fabricamos.

–Podemos aproveitar as fábricas dos marcianos e a mão de obra...

–Podemos, e já estamos trabalhando nesse sentido, mas ainda faltarão muitos anos para que eles consigam atingir nosso estágio e criar o que precisamos. É mais fácil trazer matrizes para que eles possam fabricar certos produtos, inclusive armas.

–Claro – concordou von Kruger. Seu rosto iluminou-se:

–Por falar em armas, ainda pretende voltar à Terra para a justa desforra?

–Claro que sim. Mas agora temos tempo de sobra para isso.

–Estamos cômodos aqui. Podemos planejar. Quais os materiais que virão?

–Coisas simples, como ferramentas; instrumentos ópticos de precisão, relógios, voltímetros, manômetros e tudo o que não podemos fabricar aqui. É uma enorme lista de 500 páginas de space-fax que enviei ao Dr. Valerión para preparar tudo antes das naves chegarem à Lua. Entre outras coisas há material de escritório, computadores de última geração, robôs de montagem, material cirúrgico, remédios, roupa, trajes espaciais, motores, munição, armas; inclusive material de limpeza.

–Isso é fundamental, isto já é uma pequena cidade... – observou o professor.

–Já pensou que precisamos barbeadores, creme e escovas dentais, sabonetes, papel higiênico e até absorventes íntimos para as mulheres?

–Claro, não fabricamos essas coisas! E quanto à alimentação?

–Marte começou a produzir comida e há planos de longo prazo, os cultivos hidropônicos são excelentes e produzimos comida sintética à base de fermento, mas precisamos ainda coisas que não produzimos aqui... Carne, trigo, arroz, açúcar, sal, leite em pó, chá, café, refrigerantes, cerveja, vinho... Inclusive erva-mate.

–Erva mate?

–É uma espécie de chá. Há gente aqui que tem por hábito tomar essa infusão típica de América do Sul, principalmente argentinos, uruguaios e brasileiros do sul...

–Ja. Devemos diversificar a alimentação. Certamente, tudo isso poderá ser produzido aqui no futuro...

–Mas até lá dependemos da Terra para abastecer-nos dessas coisas, professor. Calculei que precisamos trinta naves robôs para trazer tudo.

–Como pagará tudo isso?

–As naves vão carregadas com prata marciana trabalhada para o museu, ouro, diamantes de Phobos, urânio de Dheimos, espécimes raros e valiosos, armas marcianas para nossos soldados, vimanas modificadas e protótipos de CH-II para que Valerión inicie a produção. Além disso, fotos, filmes, bancos de dados e descobertas científicas que são coisas que não têm preço...

–Concordo. Quando poderemos dispor do material?

–A Terra está cada vez mais longe e apesar de que os motores são mais rápidos, será demorado. Talvez entre 20 de fevereiro e 10 de março do próximo ano, depende de Valerión reunir tudo no prazo.

–Então deveremos adiar a viagem a Júpiter para depois dessa data.

–Para a Hércules há tudo o que se precisa. Inclusive já está testada, abastecida, aprovisionada e armada. O problema é a segunda nave, a Vingador.

–Gostei do nome.

–Foi idéia de Lúcio, ele a comanda. Mas ainda não está pronta. Falta material e a montagem está parada por falta de peças.

–Mas todas as nove naves da classe Hércules têm componentes marcianos...

–Ainda assim não conseguimos concluir a segunda nave, professor.

–Odeio me repetir, Kapitan, mas não seria melhor adiar a partida?

–Não há necessidade. Partiremos antes que chegue o material e uma vez lá esperaremos o Lúcio na Vingador para nos dar apoio.

–Então a expedição independe da chegada do material, mas se a Hércules...

–É a mais completa astronave jamais fabricada por nós, e me aventuro a dizer que por ninguém, professor. Não se preocupe, ela pode sustentar a tripulação por dois anos sem abastecimento, está equipada para tudo tipo de pesquisa científica e está poderosamente armada inclusive com armas marcianas.

–E a tripulação?

–Tenho uma lista em estudo, mas só a revelarei no dia 24, professor.

–E para as outras?


–Nada foi definido, mas deverão ir nativos na terceira nave da classe Hércules, a Milenium, que será comandada pelo meu cunhado Leif.

*******.

Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

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