sexta-feira, 9 de março de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 8-8.5

8-8.5
21 de agosto de 2013.

Reunião de capitães e pilotos no Ponto de Apoio.

–Muitos não se adaptarão e deverão voltar – disse o capitão da Antarte.

–Estou de acordo com você Andrés. Mas o que mais me interessa de momento é saber mais sobre os agregados – disse Aldo.

–Maya teimou em ir ao Japão – interveio Alfredo – conversou em japonês com seus amigos pelo canal celular. Deixamos atrás os caças inimigos, pousamos num descampado perto de Nagashaki e ele pegou o espaço-moto e saiu voando. Uma hora depois voltou com a garota e sua bagagem na garupa.

–Foi um casamento rápido – disse Maya.

–O casal de russos esperava em Antártica – disse Alfredo.

–E o genoma deles?

–Agora é padrão em Antártica, Aldo. Veio equipamento e programas. Adeus às impressões digitais, exame de íris e o mais!

–Se tivéssemos tido isso na Lua, sete meses atrás, teríamos evitado todas aquelas mortes... – murmurou Aldo.

–Quanto aos três franceses – disse Alfredo – aventureiros dos bons. Estavam numa embarcação de dois mastros no Pacífico. Arrancaram a Marca e pretendiam ir para Taiti. Nos chamaram quando íamos para o Japão. Passaram pelo exame e oferecemos carona para qualquer país que desejassem, mas insistiram em vir aqui. Eles merecem. Em Antártica os prepararam. São desertores, lutaram na África quando a França exterminou toda a população do Senegal com gases e ficaram enojados.

–Boa pescaria. – disse Aldo – E com respeito ao religioso?

–Esperava em Antártica. Passou pelo exame, assim como o Dr. Kauffmann e os russos. Patrick Cabot também nos esperava lá. Nossa chegada foi descoberta pelo inimigo; mas a RTVV combateu fogo com fogo e fez uma festa. Agitou bastante.

–Sabe que não é algo de praxe ter padres católicos entre nós...

–Sei disso, Aldo – replicou Alfredo – mas os chefes impuseram o padreco para acalmar à plebe. O embarque dos agregados na Antártica foi transmitido ao vivo pela RTVV. Além do mais ele arrancou a Marca como os outros. O professor alemão embarcou por mediação do Dr. Kauffmann; nas imediações de Stuttgart, onde logo derrubamos dois caças da União Européia e colocamos outros dois em fuga.

–Eu disse para não buscar encrenca. Isso foi uma provocação que pode...

–Isso foi preciso, Aldo – interrompeu Andrés – Kauffmann e Von Kruger são amigos de Valerión e ele os quer aqui.

–Está bem. Mas se arriscaram demais indo à Europa.

–Foi divertido – interveio Maya – ele estava na beira de uma estrada em seu Volks vermelho com bagagem, maleta de médico, material de laboratório, computador e caixotes de livros. Embarcamos tudo em dois minutos, Volkswagen incluído.

–Trouxeram o carro? – escandalizou-se Aldo – Vocês são loucos! Nunca funcionará nesta atmosfera...!

–Ele insistiu em trazê-lo como o primeiro item de um museu marciano – disse o piloto japonês – afirmou que seu carro era seu amor e sentiria muita dor se o abandonasse para enferrujar; mais do que abandonar a sua amada esposa. Quando estávamos voltando, ele enviou um e-mail: "Querida Gretchen; preciso resolver alguns assuntos em Marte. Não me espere para jantar. Beijos. Ludwig."

–Ele tem senso de humor – disse Aldo – Como foi que vocês souberam disso?

–Ele usou o sistema da Ares II e salvamos uma cópia. Kauffmann a traduziu.

–Vocês não têm vergonha? – disse Aldo olhando severamente para todos os presentes – Estragaram um, antes, corretíssimo, jovem japonês!

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25 de agosto de 2013, Domingo.

Hoje se inaugurou a capela e o padre rezou a primeira missa às esposas dos cientistas e crianças. A capela para duzentas pessoas quase encheu. Os astronautas não assistiram por princípio. Aldo recomendou tolerância, mas eles abominavam a religião católica por ser instrumento da opressão em que tinham vivido. De todas maneiras, o sermão do padre foi positivo; falou mal da Nova Ordem Mundial, execrou os traidores e concluiu:

"–Estamos sozinhos aqui; vivendo tempos apocalípticos, porém donos de nosso destino, em Marte; um mundo novo que Deus – qualquer que seja a idéia que tenhamos d'Ele – nos deu para recomeçar e escapar da Grande Tribulação. Como manda o Livro, fugimos às montanhas, onde os servos de Satã não podem nos alcançar para nos colocar a Marca. Devemos amar-nos uns aos outros e amar os nossos guerreiros astronautas antárticos apesar de que eles amam outros Deuses; porque por eles escapamos do Anticristo, a Besta do Apocalipse que governa a Terra. Agradecemos por isso; devemos amar e respeitar o nosso Líder Aldo, que apesar de jovem e descrente, ele é essencialmente bom e nos guiará com mão segura e confiante ao futuro. Devemos rezar e pedir que nossos irmãos oprimidos que ficaram na Terra possam escapar do demônio, como nós conseguimos. Devemos rezar para que se cumpra a profecia do Apocalipse, de que um dia nossos guerreiros voltarão à Terra, descendo do céu para lutar a guerra do Armagedon contra os demônios sicários do Grande Satã e derrotá-los para liberar nosso pobre mundo desse flagelo."

O sermão foi transmitido à Terra, onde a imagem foi captada quase uma hora depois pela RTVV. Aldo soube do sermão na hora do jantar, e com a consciência um pouco pesada por ter sido tão descortês com o religioso, disse aos seus colaboradores:

–Gostei do padre.

–Aceitou que a missa fosse transmitida – disse Regina – e com isso queimou suas naves, como fez Hernán Cortés no México...

–Se ele algum dia voltar à Terra; será assassinado. A ditadura não perdoa.

–Isso não quer dizer que agora assistirás às missas...

–Claro que não, Regina. Ora essa!

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