sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Mundos Paralelos - capítulo 6 - 6.4

6-6.4
16 de junho de 2013.

Final de tarde no alojamento de Aldo. Os capitães já sabiam que suas famílias seriam trazidas. Era tudo o que faltava para alegrar-lhes o dia.


–Com as naves recondicionadas com novos motores e combustíveis, vamos ver quem volta para buscar os colonos. A Antílope e a Antarte ficam aqui, assim como
a Ikeya-Maru. O capitão Fuchida voltará na Antarte, com Andrés. Junto com a Polaris e a Ares I. Recolherão o pessoal lunar. Na Ares II irá Maya Terasaki com Alfredo, comandando o grupo que embarcará pessoal em Antártica. Dois tripulantes em cada nave na ida. Piloto e navegador. Na volta trarão containeres e cinqüenta passageiros, meio apertados em cada nave. Mas a viagem será rápida.


–Quando partimos? – perguntou Willy Medina, da Procion.


–Assim que se ponha o sol. Carregue 53.000 litros de combustível em cada nave. Na volta contarão com foguetes auxiliares.


Um rebuliço se fez no do alojamento. O cronograma estava sendo acelerado.


–E quanto a Ikeya-Maru? – perguntou o capitão Fuchida.


–Não se preocupe. Está protegida pelo escudo, e sua gente ficará trabalhando conosco na base. Nos encarregaremos de que nada lhes falte. Ainda há material na
Ikeya-Maru, que deveremos trazer. Alguma pergunta; senhores?


–Não.


–Podem retirar-se. Vejo vocês na pista.


Ao sair o último, Aldo assomou-se à janela e os viu indo aos seus alojamentos, misturando-se na multidão de seres que circulavam, entre terrestres e marcianos do líder Vurián, que trabalhavam em obras simples. Havia gente de Hariez, que veio em seus veículos para observar os visitantes, por curiosidade. Vurián convencera seus concidadãos que os visitantes não representavam mais perigo do que os darnianos, seus rivais ancestrais.


Aldo retirou-se da janela e examinou um mapa, onde se via o acampamento e a base marciana, vinte kms ao sul. Podia ver a urbe de Darnián, que lhe despertava curiosidade e uma vontade imensa de entrar em contato com seus habitantes. O Ponto de Apoio estava bem longe dos centros urbanos do hemisfério, embora houvesse outros mais afastados. Se os tivesse escolhido talvez não saberia todo o que sabia agora. Esperava conseguir sua permanência no local pacificamente, sem tomar medidas drásticas em relação aos nativos.


De repente ouviu o barulho dos exaustores, as válvulas e o assobio do oxigênio penetrando à pressão na eclusa. Acendeu-se a luz verde e abriu-se a porta interior
dando passo a duas pessoas despojando-se dos capacetes, pendurando-os nos cabides ao lado da porta. Eram Chiyoko e Márcio Zenkner; engenheiro de máquinas da Audaz.


–Com licença capitão – disse o recém chegado em português.


–Pois não – disse Aldo no mesmo idioma, que dominava à perfeição.


–As naves estão abastecidas – disse o brasileiro alto e loiro – precisamos fechar a base, porque agora os nativos atrapalham, capitão.


–Feche. Limpem tudo e retirem o que não for imprescindível no terreno.


–Sim senhor. Já está sendo feito conforme sua ordem. Alguma outra coisa?


–Não. Pode se retirar.


Márcio cumprimentou e entrou na eclusa. Aldo voltou-se para Chiyoko.


–E você, pequena jovem. O que faz aqui? O que deseja?


–Saber qual será minha função aqui, meu senhor.


–Você é navegadora, sua função é no espaço.


–Por quê, então, não embarquei nas naves que retornam?


–Será uma viagem difícil, já há dois navegadores na frota e a volta será ainda mais difícil com naves superlotadas. Você está na reserva por enquanto.


–Ouvi dizer que haverá uma viagem a Júpiter até o fim do ano. Haverá lugar para mim nessa jornada?


–Talvez. A nave será terminada de montar em novembro, segundo seu avô.


–Gostaria muito de ir.


A conversa era banal. O verdadeiro assunto era referente a ambos. Apesar da sua pouca experiência com mulheres, Aldo não deixava de ter aquele sexto sentido que lhe salvaria a vida no futuro. Algo lhe arranhava por dentro, ao respeito da jovem japonesa e surpreendeu-se a si próprio aceitando o fato. Apesar do seu amor por Inge, Aldo nunca sentira ainda, por uma quase desconhecida, o que estava sentindo por esta jovem: uma intensa atração sexual... E a jovem parecia corresponder-lhe. Num impulso, colocou a mão na nuca dela e beijou-a na boca.


–Meu senhor! – protestou Chiyoko quando pôde soltar-se do abraço.


–Gosto de ti – disse ele, lembrando vagamente que os japoneses, ao igual que outros povos orientais, não se beijam, pelo menos em público, por ser um ato obsceno.


–Eu também gosto muito do senhor – Murmurou ela entre lágrimas.


–Por que choras?


–Por isso mesmo, senhor. Não sei o que me acontece, eu o amo, senhor.


–Não chores por isso.


–Mas é uma desgraça!


Aldo pensou um pouco. Percebeu que sim. Que era uma desgraça.


–É um pecado, porque o senhor não me ama, e nem nunca poderá amar-me. Amaldiçoado seja o instante em que cheguei aqui!


De repente tremeu o solo e ouviu-se uma explosão terrível e pela janela entrou
uma brilhante luminosidade.


–A fábrica de combustível! – gritou Aldo desesperado.

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