sexta-feira, 23 de abril de 2010

Mundos Paralelos - Capítulo I - 1.20

1.20

–Acho bom continuarmos o programa e partir logo; independentemente, sem muita conversa com o pessoal da F.A.E.C.S – disse o Dr. Valerión, fumando seu cachimbo aromático no seu escritório dos subterrâneos da Antártida – Ainda mais que o inimigo pensa que nosso ideólogo principal, Blanes, está morto, como Cardelino e Preissler. Ah, Preissler... Grande guerreiro! Só os deuses sabem como eu gostava dele!
–Blanes está morto, doutor. Tive que consolar suas filhas...
–Eu sei, rapaz. Mas o inimigo pensa que nosso ideólogo principal está morto.
–Blanes não é...? Digo... Era... Nosso ideólogo principal?
–Não. Há o Mestre de todos eles, quem ensinou Blanes, Cardelino, Preissler e a mim; ainda nos anos oitenta do século passado; que isto que aqui está; viria.
–Mas por Thor, Valerión! Quem é essa ilustre figura?
–Um senhor de sessenta anos, que está esperando o momento de intervir.
–Puxa, Valerión...! Não me diga que é... “... O Homem que Virá?”.
–Tudo ao seu tempo. Seu nome é apenas para iniciados.
–Valerión, não me venha com isso...!
–As paredes têm ouvidos.
Aldo não insistiu no assunto, sabia que os mais velhos avisaram aos jovens que isto tudo um dia aconteceria.
Apesar de estar sempre na luta pela Causa, Aldo sabia que não era um iniciado, ainda. E nem sabia se algum dia o seria.
A mente de Aldo era voltada para a tecnologia, as ciências exatas; os líderes doutrinaram-no de
maneira correta, só sabia o que precisava saber. Ele, filho de mártires, vagamente lembrava sua infância, quando ainda o fatídico Grupo dos Treze não tinha tirado a máscara. Mas, pessoas como Blanes, Cardelino, Preissler, Valerión e outros, tinham orientado sua adolescência na luta contra o Sistema. Agora, aos 24 anos, praticamente toda sua vida tinha sido de luta e doutrinação política contra este satânico sistema mundial, que para ele, sempre tinha existido. Por isso, confiava em Valerión, seu Mestre. Nem por assomo imaginara que poderia existir um Mestre dos Mestres. Agora o sabia. Sem saber por que, exatamente, sentiu-se melhor por sabê-lo.
–Por que acha que devemos continuar o projeto sem muita conversa com a F.A.E.C.S, doutor? – perguntou Aldo – o que eles estão aprontando desta vez?
–Estou preocupado com as medidas purgativas que estão sendo tomadas pelos atuais líderes da revolução – respondeu e acrescentou:
–Até concordo em que sejam eliminados os traidores e inimigos quando algum deles cai nas nossas mãos. Se me pedissem, até atiraria neles, Aldo.
–Eu também, doutor.
–Mas isso me deixa sem jeito. Não consigo me concentrar no serviço e pretendo fazer muito ainda, após a vossa partida ao espaço.
–O que devo fazer?
–Abastece e prepara a Antílope para a partida. E seleciona a tripulação.
–Muito bem, doutor. Farei isso e me desentenderei da situação política.
–Claro rapaz. Verás que é isso o que mais ajudará à Causa. Se não conseguirmos achar um planeta bem longe que nos acolha, estamos destinados a perder a guerra vindoura contra essa nefasta Nova Ordem Mundial.
*******.


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Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

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