sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Mundos Paralelos - Capítulo I - 1.6

1.6
–Chegamos, desçam.
Caminharam por um corredor cheio de portas, em que homens e mulheres iam e vinham atarefados. Ao final entraram num elevador.
–Subimos ou descemos? – perguntou Mara.
–Subimos.
Segundos depois, abriram-se as portas e passaram a um hangar de vinte e cinco metros de altura; setenta de largura e cem de comprimento, no qual estava sendo introduzida, puxada por um trator, vinda de um local ainda maior, a nave Antílope; de cor prata brilhante, com quarenta e oito metros de comprimento, vinte e dois de envergadura, dezessete de altura e 5,40m de diâmetro.
–É belíssima – admirou-se Inge.
–Como podem ver tem um trem de pouso de dez rodas de dois metros de diâmetro repartidas em três jogos. Cinco motores no tubo principal, um em cada um dos seus três tubos laterais, que estão quase grudados à fuselagem para dar maior estabilidade ao conjunto quando se voa na atmosfera. Como podem ver também tem quatro motores de freio na proa e quarenta motores de manobra. O que acham?
–Fabulosa. –disseram a coro as gêmeas.
–Foi projetada para ar, água e espaço – garantiu Aldo – não poupamos aço nem vitrotitânio ligados em gravitação zero.
–Tem semelhança com a réplica da Atlantis, do museu – disse Mara – mas esta é mais cilíndrica, mais rústica, tipo avião a jato do século passado...
–Não se engane. Clássico por fora, mas por dentro... – replicou Aldo, feliz por ter finalmente as garotas em Antártica.
–Vamos vê-lo por dentro? – perguntou Regina.
–Sim, subam.
Uma escadinha flexível surgia embaixo da eclusa de entrada à bombordo da proa. As garotas subiram na frente. Uma vez dentro acenderam-se luzes violeta.
–Instalamos raios germicidas que incidem sobre quem entra ou sai. Como não estamos no espaço são de pequena intensidade. Uma vez vestidos com roupa espacial serão de cor vermelha para destruir qualquer microorganismo letal.
–Subimos à ponte? – perguntou Mara.
–Sim – Aldo acionou um escotilhão do teto – Subam!
Na ponte, Aldo ocupou a poltrona de comando, Mara sentou na do co-piloto e as garotas repartiram-se as outras. Havia dez poltronas. Cada uma completamente equipada, com terminais de ar e comunicações.
Através do pára-brisa de vitroplast entrava a luz do hangar, iluminando a ponte pequena e funcional, onde dez pessoas podiam trabalhar sem saírem das poltronas e se preciso fosse, levantar-se e descer pelo escotilhão para sair ao exterior ou passar às dependências interiores pela porta da parede de popa. As garotas admiravam-se de estar numa nave que só conheceram no papel. Aldo mostrou as telas de comunicação, computador, retrovisor, pontaria...
–Pontaria?
–Sim, Mara – Aldo levantou a cobertura de um pequeno painel à sua esquerda e mostrou os controles ocultos – Estes botões disparam os torpedos nucleares. Na proa há quatro tubos. O estoque será de quarenta unidades e cem no contêiner.
–Claro, não sabemos o que vamos encontrar... – disse Regina.
–Não só por isso; há naves inimigas no espaço.
–Já estão nos esperando lá em cima, os malditos?
–O inimigo lançou a Challenger II para espionar. Quando fizemos o primeiro teste, desesperaram-se, não puderam vê-la direito; não tinham idéia de que era tão veloz. Não sabem que nada queremos deles desta vez. Nosso objetivo é outro.
–Não vamos atacá-los? – perguntou Inge.
–Não de propósito. Podemos usar os canhões laser para destruir um satélite deles, só por pirraça, para assustá-los, se for preciso, é claro.
–Além das armas, que outra novidade há? –quis saber Inge.
–O gerador de gravitação negativa, que pegamos dos alienígenas. Reduz oitenta por cento do peso da nave; facilitando a decolagem e aceleração. Além disso, gera um escudo eletromagnético ao redor, que pode ser dirigido. Isso nos deixa quase invulneráveis. Consome muita energia, mas funciona bem.
–Quê velocidade desenvolve no espaço?
–Ainda não sabemos, Inge. O Dr. Valerión disse que atingirá até 150.000 kph.
Mas a velocidade de cruzeiro ideal para a viagem deverá ser de apenas 100.000 kph.
–E o consumo de energia?
–Possui dois depósitos: o principal de sessenta e oito mil litros com o que dá para ir e voltar, e o secundário de cento trinta e seis mil litros. Mas este irá cheio de material imprescindível, assim como os dois compartimentos de carga de noventa e um metros cúbicos cada. Isso sem contar que rebocaremos um container de dez metros de diâmetro por sessenta de comprimento. Para isso, precisaremos de dois foguetes auxiliares. Para um observador distante, pareceremos um shuttle do inimigo.
–Vamos ver o resto – Interrompeu Bárbara com veemência – haverá tempo para conversar na viagem! Agora estou curiosa.
–Certo, querida – sorriu Aldo, abrindo à porta de popa – entrem meninas.
Entraram uma a uma, no corredor iluminado com lâmpadas solares.
–A primeira porta de estibordo é o meu camarote com dois beliches duplos, banheiro, guarda-roupas, armário, escritório, terminal do sistema, biblioteca, etc.
–Encantador. – suspirou Inge.
–A primeira porta de bombordo é a sala de circuitos onde está o painel de controle elétrico e eletrônico da nave e o computador principal. Numa pequena repartição da mesma temos a sala de comunicações.
–Formidável – disse Regina.
–A segunda à estibordo é o banheiro principal. Na frente à bombordo a cozinha, para processar comida concentrada com o que encontrarmos por aí que seja comível e esquentar o que levamos. Além das pílulas e ração padrão; que vocês sabem que é uma droga; há comida desidratada, congelada, conservas, carne, leite, produtos não perecíveis, farinha, açúcar, arroz. Isso no container. Na nave apenas pílulas que ocupam menos espaço e podem salvar nossas vidas, se der problema com o reboque.
–E as outras portas? – perguntou Regina, sempre curiosa.
–Terceiras à bombordo e estibordo: camarotes com quatro beliches duplos; armários e guarda-roupas. Quarta a estibordo: enfermaria; quarta a bombordo: arsenal de mão; pistolas, fuzis, metralhadoras e outros brinquedos igualmente letais. Estamos preparados para tudo, garotas. Ao final do corredor o depósito superior e embaixo o inferior. Cada um tem 91 metros cúbicos. Lá atrás estão os depósitos de combustível, e mais atrás as máquinas.
–Estou desejando partir – suspirou Inge – os deuses estão impacientes.
–Já falta pouco – disse Aldo.
*******

(continua)
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