terça-feira, 22 de setembro de 2009

O Pasado do Sistema Solar III


8.386 anos antes de Cristo
Era a Idade de Ouro do vasto Império de Milkar.
Mais da metade das estrelas habitáveis da galáxia de Andrômeda eram pisadas com marcial passo pelas botas da ocupação. Os legionários de silício caminhavam pelos mundos dominados, com estritas, embora não arbitrárias leis.
Pru Atol Número Quarenta e Três, aperfeiçoara a transdobra e estava decidido a prosseguir na busca de Pru Um, mais preparado do que seus antepassados. Além do disco que seu pai deixara, tinha um relatório, infelizmente incompleto, que os descendentes da expedição original fizeram num posto de guarda fronteiriço, num insignificante mundinho periférico.
O relatório de segunda ou terceira mão foi feito verbalmente, por um burocrata fronteiriço a um ser muito alienígena que o repetiu por sua vez a um capitão de navio da Metrópole, numa muito castigada língua milkara.
Sabendo do que acontecera, resolveu procurar os restos, se os houvesse, do seu antepassado, e levá-los a Milkar Prime, onde seria feito o ritual de duplicação em que é criado um clone do defunto; com o código genético dos restos.
A informação vital para a viagem intergaláctica finalmente chegara a Milkar. Havia uma anomalia espaço temporal instável, que comunicava a cada tanto, com o quadrante da galáxia vizinha, onde Pru Um se perdera.
Embora Pru 43 não tivesse conversado com nenhum descendente da expedição original, seu antepassado morrera com honra. Com a idéia de encontrar o disco e talvez os restos de Pru Um, passou a idéia à família e partiu.
Pru Quarenta e Três chegou à capital do Império Raniano, que compreendia uma esfera de oitocentos anos-luz com Ra no seu centro. Chegou numa época conturbada. Não todos os estrangeiros eram bem-vindos. Afortunadamente deixou suas memórias referentes à visita ao fabuloso Império Raniano. Elas contam-nos:

Desembarquei na capital do Império e fui interrogado. Ao souberem da minha nacionalidade comunicaram-se com o nosso cônsul nas luas de Vurón, o planeta gigante, que lhes informaram quem era eu; e qual minha missão. Ficaram tranqüilos e eu também. Pensei em achar um compatriota para guiar-me, mas eles deram um guia nativo. Por ele conheci um grande guerreiro, o príncipe Angztlán, jovem Cavaleiro do Cosmos, sobrinho-neto do Imperador Ramsés XVIII.
Angztlán e eu ficamos amigos. Ele disse que em vários pontos-chave, a Esfera Raniana fora invadida por uma raça de carbono, embora muito alienígena; uma raça forte de guerreiros e caçadores: o Império Alakros. Eles penetraram a esfera raniana e tomaram uma gigante vermelha muito próxima, quase a 159,51 parsecs da capital. Dessa cabeça de ponte, o inimigo ocupou indefesos mundos coloniais. As legiões de ocupação ranianas eram obrigadas a retroceder perante as hordas alakranas. Mais ou menos essa era a situação quando cheguei à capital.
Pru-43, em suas memórias nos conta mais sobre o Príncipe Angztlán, que se fez seu amigo na capital de Ran:

O Cavaleiro do Cosmos não era bem querido pelos Treze Conselheiros do Império, apesar das suas vitórias. Parece que eles governavam o Império entre bastidores, manejando ministros e o próprio Imperador. Adoravam um deus de nome impronunciável, em detrimento dos deuses oficiais, que prezavam honra e respeito. O deus dos conselheiros da espécie parasita dominion; infiltrados em pontoschave do governo; era um deus sinistro, materialista, sanguinário e vingativo, que requeria sacrifícios humanos, sendo satisfeito pelos devotos, seqüestrando crianças para lhe oferendar de forma discreta que não chocasse à população inocente que nada sabia, população que considerava os seres dessa raça como pessoas de bem. O imperador Ramsés XVIII homenageara o príncipe com o título de Herói do Império, o que lhe acarretara muita inveja. Além do mais, pelo que me contou; os conselheiros sabiam que ele conhecia seus sinistros propósitos. Não poderiam permitir que alguém com tanto prestígio e credibilidade, continuasse a viver, cedo ou tarde ele poderia abalar sua hegemonia. Um triste dia foi publicado um documento pelo qual se anunciava que o príncipe solicitava ser congelado por mil anos. Eu não podia acreditar nisso. Segundo os conselheiros, o Príncipe, cansado de lutar, abandonara tudo o que fora seu ideal. Comentava-se na rua que uma frota de trinta milhões de belonaves alakranas e de raças-clientes, aproximava-se da Metrópole quase sem oposição, porque a frota estelar estava dividida em inúmeras frentes... O enterro de Angztlán foi memorável; a câmara hibernadora foi depositada no subsolo de uma enorme pirâmide, como correspondia a um Príncipe e Cavaleiro. Fiquei muito triste quando tudo terminou e afastei-me em direção do meu veículo enquanto assopravam maus ventos e o céu estava cinzento. Mas, quando cheguei ao meu quarto, me esperava o fiel secretário do príncipe com uma mensagem:

Pru; o Conselho vai lançar um sol de antimatéria contra a frota inimiga. Mas para isso vão usar toda a energia de Ran. O planeta vai explodir quase em seguida. Vá embora, meu amigo, e conte ao seu povo o que aconteceu aqui...
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