segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Morreu há 46 anos e renasceu como personagem de romance.

Reedito um e-mail...
que recebi em 09/11/2008 do autor de "Mundos Paralelos":
Até porque sempre é bom lembrar.
(Alguns nomes e endereços de lugares foram retirados ou mudados em respeito à privacidade do autor e da família Cardelino).
M.J.S
"Caro Martin:
Mando-te em anexo o Sermão do Padre Caselli.
Logo do telefonema de hoje, quando dissestes que estavas na reunião de família, resolvi que vou te mandar, se já não te mandei, (Este Dr. Alzheimer...!) uma lista excel de personagens vivos, mortos e por morrer, em ordem de aparição, que fiz para não me perder.

Copiei a ideia de Charles Dickens. Em Londres do século 19 ele não tinha o Excel 2000 da Microsoft do Bill Gates, e por isso mandava fazer uns bonequinhos de barro com um ceramista vizinho, que colocava encima da mesa. Quando o sujeito (ou sujeita) em questão morria, ele quebrava o bonequinho.

No capítulo 14 acontecerão os "terríveis acontecimentos de março", mencionados na foto de arquivo que te mandei dias atrás, e que continuam terríveis, depois, no capítulo 15.

Mas vamos a um pequeno retrospecto do volume um, que tinha separado há dias, quando lembrei que mencionastes que estavas perdido no meio dos personagens.
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Acredites o não - (tenho o original em espanhol, escrito a mão num caderno amarelado, para provar) - este sermão, que incluí na página 133 do capítulo 8, volume 1 Fase 1; do qual anexo 5 páginas (129-133) para apreciação e para que te situes quanto aos personagens (alguns deles estavam desembarcando no Ponto de Apoio, como já te disse (será que eu disse...?) ao telefone); foi escrito por mim talvez em julho de 1969, quando Armstrong desembarcou na Lua.

Lembro porque eu tinha 16 anos e namorava há dois com Letícia Cardelino, da mesma idade; que depois morreu de leucemia em Buenos Aires em 28 de novembro de 1970.Naquela época não havia cura para isso.
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Passaram-se 21 anos e um dia fui a Buenos Aires a trabalho (Lembras disso?), e às cinco da tarde de 22 de junho de 1991; um dia congelante com menos um grau de temperatura; finalmente achei seu túmulo em La Chacarita, com ajuda de um funcionário.

Se um dia viajas para lá; o panteão familiar dos Cardelino fica a sete ruas do panteão de Gardel, a direita de quem entra pela avenida principal.
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Letícia Helena Cardelino nasceu em Montevideo em 1º de setembro de 1953.
Era a irmâ do meio, entre Horacio, o mais velho, nascido na Itália, e Esther, a mais nova, nascida em Buenos Aires.

Sua família de Trieste, Itália, era dona de uma famosa loja de eletrodomêsticos de Buenos Aires. A filial de Uruguai; a CASA CARDELINO, ainda deve estar no centro de Montevideo, ao lado do EMPORIO DE LOS SANDWICHES, a uma quadra e meia de um dos apartamentos de minha madrinha.
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Sua tia, irmã do seu pai, que gerenciava a filial, morava numa mansão no fino bairro de Carrasco, a duas ou três quadras da praia do mesmo nome. Eu a conheci em abril de 1967. Desde fim de março fazia bico como ajudante de iluminador e meu primo fazia bico de ajudante de sonidista num programa dominical no canal 4 de televisão. Ela participou do programa de calouros, como cantora e no final do programa, a encontrei na cafeteria e conversamos por primeira vez. Descobri que ela tinha permissão para viajar sozinha entre os dois países, e ficava sempre na casa de sua tia por duas ou três semanas.
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Ela tinha planos para o futuro que nunca chegou;
queria ser médica.
Era
uma menina de olhos azuis, magra e alegre; tinha uma bela voz de contralto e usava o cabelo loiríssimo cortado a la garçom, como era a moda de todas aquelas gurias aborrecentes da época, que queriam parecer-se com a modelo inglesa Twiggy, muito famosa naqueles anos.

Ela gostava de
cinema e de música. Foi com ela que assisti a estreia do meu filme francês favorito; Un Homme et una Femme, de Claude Lelouch, com Anouk Aimeé e Jean Louis Trintignant em agosto de 1969, no cinema Eliseo, de Montevideu, hoje igreja do bispo Macedo, ou de qualquer outro desses reverendos.
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Foi Letícia; com sua aparência física, com sua maneira de ser e de falar; que estava presente na minha cabeça ao criar a psicóloga italiana, doutora Regina Lúcia Cardelino, bem-humorada esposa do comandante Boris Jaskavitch; como a melhor amiga e conselheira do sofrido, porém esquentado capitão Aldo.

É Regina, com seu carinho e seu bom humor, que consegue controlar e diluir todo o ódio, toda a raiva e o fanatismo de um homem que teve seus pais cruelmente assassinados pelos dominadores do mundo.
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Regina Cardelino é minha personagem favorita, e só não a casei com Aldo, porque o comandante Boris, o segundo em comando, um brutamontes russo-brasileiro, filho de fazendeiro gaúcho; é mais parecido comigo do que o capitão antártico.
Aldo a vê como uma irmã, a melhor amiga e confidente. Sem falar q
ue ele e a Reverenda Sacerdotisa Odínica Ingeborg, se amam desde que eram crianças; quando tiveram seus pais assassinados pela ditadura; ocasião em que Aldo e seus irmãos; e Inge e seu irmão Leif, foram levados para Antártica e adotados pelo solteirão rabugento Doutor Valerión que os juntou às outras crianças, filhas de líderes ainda vivos na época; entre elas, Regina e seu irmão Lúcio; as gêmeas Blanes e outros.
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Alguns diálogos deles que aparecem por toda a obra; são conversas nunca esquecidas que Letícia e eu tivemos. É a forma que achei para que ela não desapareça, esquecida, no turbilhão dos Mundos Paralelos.
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Eu tinha uma bela foto dela, 4x4, preto e branco, que bati com a minha velha Brownig quadrada, mas o falecido tenente Nguyen Lao Tyu, a usou para acender um charuto que depois apagou nas minhas costelas em fevereiro de 1976, uma ou duas semanas antes que o o degolasses como um porco, igual que o Pearl; depois de fuzilar seus homens, perto de Hue, no paralelo 17, Vietnam. (Obrigado - de novo - por me salvar. Um brinde aos camaradas ausentes! Hoje estão com os deuses!)
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Restou-me como consolo a imagem que anexo, a modo de homenagem à minha saudosa e sempre amada Letícia Helena Cardelino; na figura carinhosa e querida da doutora Regina, desenhada fielmente por nosso amigo André Lima. tal qual eu a descrevi, num fim de semana de agosto de 1994 em minha casa de Gravataí.

Finalmente ela tornou-se uma doutora, heroica e famosa.

Mais do que ela que
ria.
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É isso aí o que tinha hoje para dizer, meu caro Martin. Acho que exagerei, mas se não te contasse, nunca saberias que ela existiu; quem ela foi, que queria ser médica, que gostava de cinema e música, que foi uma moça alegre enquanto viveu e que para mim foi uma pessoa muito importante."

Gabriel Solís.
9 de novembro de 2008
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(Como sempre, Click nas imagens para aumentar - Ah...! Tomei a liberdade de colocar imagens da modelo inglesa para ilustrar sua semelhança com a jovem Letícia -
falecida há hoje exatos 46 anos - de acordo com a descrição feita pelo autor).


Martin Juan Sarracena,28 de novembro de 2016.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

15 de Novembro

O Blog Sarracênico


(como sempre digo; odeio me repetir mas neste caso...)

faz uma patriótica pausa nos

Mundos Paralelos


e

Fantásticos



para comemorar

a data da

Proclamação da República.



SALVE O BRASIL...!

Apesar de tudo.

Eu já disse tudo isso antes?
Tenho uma sensação de déja vú...

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

WALPURGISNACHT 2016

Feliz dia das bruxas!




Hoje é o dia em que
nos países do norte 
as bruxas andam soltas,
como estas::



Mas...
eu prefiro as adoráveis bruxas
da minissérie em quadrinhos

(como todo mundo está cansado de saber,
sou fã de quadrinhos)
intitulada: "Bruxaria":


As três deusas que eram uma:

Hecatae ou Hecate,

A Velha...
  
a Mãe...

 e a Donzela,

Deusas da velha religião; a única
não permitida no vasto Império Romano:
a religião das mulheres; uma 
religião bem antiga.
A bruxaria foi considerada
uma das primeiras religiões do mundo...





("As bruxas sempre trabalham em três")


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Como sempre, clik para aumentar imagens
e para acessar os links.
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sábado, 15 de outubro de 2016

DIA DOS PROFESSORES 2016

Hoje é o dia dessa classe tão esquecida pelos governos deste belo país.

Uma classe de pessoas que resolveram ensinar os outros, em detrimento de sua vida privada, suportando impertinências e desaforos de alunos ingratos.

Lembro que quando era aluno, os professores eram respeitados e reverenciados, como por exemplo no Japão.

Hoje em dia, no Brasil, os professores valem menos do que nada, são agredidos, insultados e ás vezes feridos.

Como professor que sou, há tempos resolvi parar de leccionar para crianças e adolescentes.

Agora só lecciono para adultos que trabalharam o dia todo e chegam cansados à sala de aulas, para estudar e melhorar de vida, pagando os cursos com seu próprio dinheiro suado.



Minha homenagem a todos os colegas!

Gabriel Solís 
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Chegamos a 2016...!

Hoje é o dia 01/01/16
ou se preferirem:
160101
(data antártica)

É o ano do MACACO!



Pior... é o ano do Macaco de FOGO...!!


E também é o ano...

5777 da Era Judaica;

2792 da Era Greg
a;

2769 da Era Romana;

2675 da Era Japonesa;

2016 da Era Cristã;

1436 da Era Islâmica;

0524 da Era Americana;


0516 da Era Brasileira;


0203 da Era Wagneriana;


0172 da Era Nietzsch
eana;

0127 da Era... da Era... da Era... AH...!

(Nota mental: Lembrar e atualizar).

0071 da Era Atômica;

0063 da Era Sarracênica;



0059 da Era Espacial;

0050 da Era Trekker...!!




0048 da Era dos Mundos Paralelos


e o ano 0047 da Era Lunar.



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Feliz 2016! Vida Longa e Próspera...!
(Já que o mundo não acabou e uma pedra do céu não fez um Impacto Profundo)
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Entretanto, ontem em Saturno...

Saturno, 18 de dezembro de 2014.

O espetáculo mais maravilhoso do sistema solar, que o diferencia dos outros, é o planeta com anéis. Quantas vezes, viajantes recém chegados o admiraram, quantas vezes terrestres, marcianos, ranianos e hiperbóreos o viram como símbolo do lar, após uma longa jornada desde as estrelas! Mas isso seria no futuro.


Hoje, o gigante gasoso é um ponto de chegada e decisão para os tripulantes da Wodan.

Não chegavam ainda à órbita de Phoebe quando Olaf entrou na ponte e deparou com os amotinados. Na longa e desesperada viagem; estes ganharam silenciosamente toda a tripulação.

–O quê significa...? – perguntou Olaf.

–...Isto? – completou Regert com a pistola na mão – Significa que os terrestres nos deixam viver a todos em troca da Ilustre Dama... E do senhor, capitão.

–Malditos! – gritou Olaf, levando à mão à pistola, mas sem êxito, porque foi imediatamente imobilizado e amarrado por muitas mãos.

Nesse momento entrou Inge, com sua gravidez agora bastante ostensiva.

–Terminado o serviço; senhora – disse o comandante Regert, que em todo momento tinha liderado o motim.

–O comunicador está a sua disposição – acrescentou Schultz.

–Obrigada, senhores – disse ela sorrindo – Agora; meu desprezível Olaf; vou chamar à Hércules e você ficará a disposição do meu marido.

Ulfrum ficou pálido.

–Por favor, Regert, não faça isso! – choramingou o outrora temível senhor feudal de Enéas-1172 – Não me entregue a eles!

–Seja homem uma vez na vida! – gritou Petersen irritado – Cadê sua honra?

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–Inge! Estás bem? E o bebê?

–Estou bem, querido, e o bebê está ótimo.

–Qual a situação?

–Domino a situação agora.

–E o maldito?

–Olha-o – disse ela, com um sinal para que Ulfrum fosse posto na tela.

–Por favor, não me matem!

–Cale-se maldito. Quero que deponham as armas e serão perdoados.

–Será feito. Ulfrum está amarrado – disse Regert.

–Pare as máquinas e prepare-se para abordagem.

–Sim, capitão. Petersen! Parada total!

–Mas vale que não seja um truque, porque senão...

–Nós não somos como ele, capitão. Temos honra – disse Schultz.

–Honra? Vocês atiraram em mim e meus amigos em Ganímedes.

–Não, capitão – disse Regert – Foi o pessoal de Wilfred West. Nós estávamos a bordo esperando Ulfrum. Ele veio com a Ilustre Dama, para nossa surpresa.

–Confie em nós – disse Petersen – eu devo minha vida a ela.

–Confiarei. Por enquanto.

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Para efetuar a transferência, Inge tinha que vestir uma roupa espacial. O tubo de abordagem da Hércules não era compatível com a escotilha da Wodan. Inge estava com oito meses de gravidez e seu velho traje já não lhe servia, por isso os troianos adaptaram um traje de homem bem folgado. 

Entretanto, Olaf devia ser desamarrado para vestir seu traje, o qual vestiu com rapidez. Aproveitando uma distração, bateu em Schultz com uma mochila, e escapou para as dependências inferiores da nave.

–Vão me pagar, traidores!

–Peguem-no! – gritou Regert.

Mas era tarde. Olaf chegou ao hangar e abordou um Horten M-2020. Na Hércules produziu-se um rebuliço ao ver partir o caça. Aldo gritou:

–Sabia que estavam mentindo! Vou matar todos vocês!

–Não, Aldo! – gritou Inge a meio vestir – Olaf fugiu, que não escape!

–Antes virás a bordo! Grubber, Wassermann e Simon vão te pegar.

–Sim, mas vou demorar um pouco com este traje, Aldo.

Os antárticos entraram na Wodan. Inge, vestida e equipada, abraçou os amigos.

–Agora me tirem daqui, rapazes.

De repente a nave tremeu.

–Olaf está atirando em nós! – gritou Petersen.

–Primeiro vocês, traidores! – gritou Ulfrum pelo rádio.

–Ele pode nos danificar seriamente – disse Regert – Petersen! Tire-nos daqui!

–Espere! E eu? – disse Inge em desespero.

–A senhora? Agarre-se forte porque vou acelerar – disse o piloto.

A Wodan lançou-se para adiante com violência e assim esquivou um disparo de phaser do Horten M-2020, que bateu na Hércules sem maiores conseqüências. Em seguida a Wodan desapareceu de cena e Olaf pôde ver o canhão marciano da Hércules girando em sua direção. Não foi tão estúpido como para ficar aí e escapou rumo a Saturno a toda velocidade.

*******.

O duelo.

–Vocês vão atrás da Wodan que eu me encarrego do maldito – disse Aldo enquanto embarcava no caça número 001.

–Sim, capitão – disse Boris.

–Quer que o acompanhe? – perguntou Kowalsky, já abordando seu avião.

–Não, amigo. Isto é pessoal.

–Entendi, capitão.

Olaf Ulfrum percebeu entre arrepios que o seu perseguidor estava cada vez mais perto e não atirava. Logo foi alcançado pelo caça CH-3, que se colocou do seu lado como se estivesse parado. De soslaio viu o número 001 na fuselagem.

–É ele! – pensou apavorado.

Olaf acelerou seu Horten-2020 ao máximo. Seus motores já estavam quase incandescentes e o CH-3 parecia quieto ao seu lado. Olaf tentou uma manobra lateral.

O outro lhe seguiu, quase tocando a ponta da sua asa esquerda. Em seguida o troiano tentou todas as manobras possíveis: esquerda, direita, acima, embaixo... Mas o terrestre adivinhava suas manobras. Por fim Olaf não pôde mais.

–O quê quer? – gritou pelo rádio.

–Pergunta idiota. – disse Aldo, dando uma gargalhada de gelar o sangue.

Olaf teve uma idéia. Ligou os freios.

Aldo descuidou-se e seguiu adiante. Só conseguiu desacelerar oito mil kms depois. Os instrumentos lhe disseram que tinha um míssil à popa. Passaram os segundos e Olaf atento ao radar, viu o curso do seu disparo que ia direto ao avião de Aldo parado no espaço. Então se produziu um silencioso clarão nuclear.

–Matei o terrestre! Matei o desgraçado! Eu sou o melhor!

Olaf ria e chorava ao mesmo tempo:

–Deviam ver esses traidores! Eu sou Olaf Ulfrum, o Temível! Matei o maldito! Matei! Estão me ouvindo traidores? Matei o terrestre!

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Titã.
A aceleração a que tinha sido submetida a Wodan, levou-a às imediações da órbita de Titã, a maior lua de Saturno, quase do tamanho de Marte, e com uma atmosfera que outrora acreditava-se era composta de metano.

–Metano nas camadas altas; a atmosfera é bem grossa – disse o Dr. Valerión, atento ao espectrógrafo da Hércules, afetado pela proximidade de Saturno.

Um exame detalhado com os sensores ranianos adaptados ao computador positrônico, cedido pelos tripulantes da Analgopakin, indicou que a atmosfera era mais rica que a de Marte, tinha 80 por cento de nitrogênio e 18 por cento de oxigênio.

–Poderemos respirar aí – disse a Dra. Lídia – a pressão parece a da Terra a quatro mil metros de altura, como nos Andes ou o Himalaia.

–Se a influência que Saturno exerce em suas luas é semelhante à de Júpiter, atrevo-me a dizer que a temperatura deve ser tolerável – acrescentou Valerión.

Boris, no comando, entrou em contato com a Wodan:

–Regert! Você vai descer aí?

–Sim, porquê não?

–Está bem. Vou atrás.

Imediatamente Boris ordenou aos pilotos:

–Ivan, Tom e Alan! Escoltem a Wodan. Abram bem os olhos...! Boris para Ives! Vá atrás do capitão. Briga pessoal ou não; não quero que fique sozinho com esse louco. Adolphe e Jacques! Abordem suas naves e escoltem nossa descida.

As naves entraram na atmosfera de Titã, fazendo uma espiral descendente. A Hércules foi atrás da Wodan, que se dirigiu à calota polar, o lugar mais seguro para descer, com grandes planícies brancas.

–Regert! Vai descer aí?

–Parece um lugar tão bom como qualquer outro, e é bem plano.

–De acordo. Vou atrás. Nebenka!

–Senhor?

–Desligar impulso, ligar manobradores e antigravitação.

*******.

A Wodan pousou verticalmente numa superfície plana, branca e gelada.

Deixou profundas marcas na neve endurecida. No horizonte, umas árvores pareciam pinheiros de Natal. No lado oposto, uma cordilheira de cumes nevados e vegetação abundante nas ladeiras. A temperatura era quinze graus negativos e não soprava a menor brisa, embora se percebiam umas nuvens cinzentas aproximando-se sobre as montanhas. Não estava totalmente escuro. O sol era uma enorme estrela amarela e do lado oposto, a luminosidade da enorme massa de um anel de Saturno reinava absoluta num extremo do céu negro e estrelado.

Inge foi a primeira em colocar os pés no chão; seguida de Wassermann e alguns tripulantes troianos. Com o traje espacial dilatado pela barriga de oito meses; Inge parecia um ser grotesco. Tirou o capacete, liberou os cabelos de ouro e respirou o ar frio como o da Noruega, sua terra natal.

–Planeta lindo! – suspirou – Sinto-me em casa.

–Parece Antártica – disse Wassermann.

A Hércules apareceu com ensurdecedor rugido, no meio da fumaça dos freios e pairou pesadamente até pôr-se à par da Wodan. Desceu devagar, baixou as rodas e tocou a neve que se derretia com o calor dos manobradores. Logo foi enterrando-se, para o pavor de Inge e os outros.

–Estamos num lago gelado! Não acho que vai suportar o peso da Hércules!

–Boris, sobe! – gritou Inge.

–Tarde demais!

O peso e o calor dos motores ainda incandescentes; rachou o gelo de um metro de grossura. O trem esquerdo afundou primeiro, entortando a nave, que afundou na água gelada, fazendo-a ferver em meio de nuvens de vapor.





*******.

Um lugar para morrer.
Ives viu a explosão no espaço e acelerou nessa direção. Viu o Horten de Olaf e ouviu suas bravatas. Mas se fosse verdade não estaria vendo aquele ponto no radar.

–Capitão! É o senhor?

–Estou me divertindo com as palhaçadas do idiota.

–Deve estar louco.

–Sim. Desde que nasceu.

Olaf ouviu a conversa:

–Mas eu vi uma explosão...

–O escudo a deteve. Pensa que está tratando com vulgares piratas milkaros?

–Vejo outra nave. Chamou ajuda, terrestre!

–Não chamei, a coisa é entre você e eu – disse Aldo disparando o laser.

A cabine do M-2020 esquentou e Olaf acelerou em direção aos anéis.
Se alguma virtude Olaf possuía, para compensar seus muitos defeitos, era sua destreza pilotando um Horten M-2020. Manobrava muito bem e esquivava a maioria dos disparos do seu oponente.

Ives ficara em segundo plano, deixado atrás a cem mil kms de distância. Mas ele foi se aproximando rapidamente para não perdê-los de vista, como prometera ao comandante Boris. Saturno exercia muita força gravitacional e havia que acelerar muito. Não que fosse difícil para pilotos habituados a manobrar nas imediações de Júpiter, planeta bem maior.

Os anéis, compostos de pedras grandes como montanhas e de enormes icebergs de gelo sujo, ficavam mais difusos quanto mais perto. Os rivais perseguiam-se mutuamente, a dezenas de milhares de kms por hora, por entre o labirinto das enormes massas, trocando torpedos, raios e rajadas de balas explosivas. A separação entre as moles era às vezes de centenas de kms, mas à enorme velocidade em que ambos moviam-se, qualquer erro poderia destruí-los instantaneamente.

Já não mais se comunicavam. Alvejavam-se raivosamente e às vezes acertavam. Aldo viu que estava ficando sem munição e decidiu elevar-se do plano dos anéis para poder observar de cima onde seu inimigo estava. Uma vez encima, viu que Olaf teve a mesma idéia e praticamente pareceu que pularam juntos. Estavam longe demais um do outro, pelo que era inútil disparar mísseis, que seriam facilmente destruídos com laser. Também era longe para balas e canhões marcianos, pelo que Aldo usou o laser, mais efetivo, por ser instantâneo. Acertou várias vezes, mas o troiano sempre saia do lugar. Olaf agora lutava por sua vida, estava mais inteligente, mais calculador. Percebeu que cada vez que Aldo atirava, era obrigado a desligar o escudo por uma fração de segundo. Com esta idéia na cabeça aproximou-se sem deixar de disparar, mas guardando um míssil para o final.

Ambos gastaram a munição. Aldo estava já quase sem deutério, por causa das repetidas acelerações para vencer a força gravitacional, e o laser era a última arma que lhe restava. Olaf disparou seu último torpedo e foi colocando-se a tiro. 
Aldo concentrou o laser nele por vários segundos, uns preciosos segundos sem proteção, o suficiente para o torpedo acertá-lo.

*******.

Aldo e Olaf estavam juntos demais e Ives viu que devia intervir. Acelerou e em segundos pôde presenciar o final do duelo. Aldo percebeu o truque, mas era tarde, acelerou, mas o míssil explodiu perto dos tubos de popa antes do escudo se fechar. 
Justamente na popa, onde era mais fraco por causa do escape do motor. A explosão foi suficiente para apagar os tubos e Aldo ficou à deriva sem energia. Olaf também não teve sorte, o laser queimara muita coisa na cabine, esquentando o metal até a incandescência. A temperatura estava tão alta que Olaf teve que a abandonar o Horten, por temor da explosão iminente. Aldo já se aproximava voando com o impulsor da mochila. Olaf acelerou seu cinturão foguete rumo aos icebergs. Aldo voava entre as moles, chegando perto de Olaf, que disparou a pistola e errou. Aldo respondeu o fogo e acertou-lhe na luva. Enquanto os homens trocavam tiros, os aviões foram atraídos por uma massa flutuante. Ives; com o sensor ligado percebeu o que ia acontecer.

–Capitão!

–Agora não, Ives.

–Mas, capitão...!

–Estou ocupado – respondeu Aldo esquivando um disparo.

–Vai a ocorrer uma explosão, capitão!

–Deixe explodir – disse Aldo, atirando.

Os rivais pousaram frente a frente sobre a superfície de uma mole de gelo.

–Chegou sua hora, Ulfrum.

–Veremos – disse Olaf, disparando vários tiros que deram de cheio no peito de Aldo, protegido pela armadura, fazendo-o escorregar para trás.

–Veremos quem agüenta, Ulfrum.

A melhor armadura venceria. Os dois atiravam e cobriam o rosto com o braço para proteger o visor, procurando acertar no visor do outro.
As naves explodiram numa silenciosa luz atômica, do outro lado de uma montanha de gelo, sem atingir os lutadores. A imensa mole, em parte derretida, em parte quebrada, deslocou-se impulsionada pelos seus próprios gases para onde os inimigos se enfrentavam. Deveriam morrer ambos esmagados.

Aldo percebeu a enorme sombra que se aproximava e abandonou a luta, voando com seu impulsor paralelo ao solo. Olaf pensou que tinha vencido, quando, percebeu a sombra, olhou para cima e viu o que estava vindo. Foi rápido para ligar o cinturão impulsor e voar na mesma direção do seu oponente, mas já era tarde. Ambos blocos chocaram-se, esmagando o troiano quando faltava meio corpo para sair da armadilha.

Olaf ficou preso da cintura para baixo, como um inseto. As montanhas de gelo, unidas numa só, levaram-no a toda velocidade pela mesma órbita dos anéis, perante os olhos de Aldo e de Ives, que freava nesse instante perto do seu capitão. Seu grito de dor e desesperação ressoava nos fones dos terrestres, que não podiam fazer mais nada.

Olaf retorcia-se e gritava, afastando-se mais e mais, levado na voragem dos anéis; para girar eternamente num carrossel sideral. Ficaria para sempre girando em torno de Saturno, formando parte dos anéis por toda a eternidade, como um monumento. E gritou muito, demorando em morrer, sabendo que não tinha salvação.

–Está perdido, capitão – disse Ives apavorado.

O torso de Olaf, prensado, se afastava vertiginosamente.

Logo de um minuto que pareceu um século, parou de gritar.

Aldo disse por fim:

–Que lugar fantástico para morrer!

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MUNDOS PARALELOS, Fase 1 volume 3, capitulo 20 páginas 33 a 38. 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Começaria hoje: Mundos Paralelos - Capítulo I - 1.1

Blog Sarracênico - Ficção Científica e Relacionados: Mundos Paralelos - Capítulo I - 1.1

O mundo não acabou, segundo os Mundos Paralelos,
Fatos de hoje: 

Mundos Paralelos ® – Fase I - Volume I
CAPÍTULO I
Extremo sul do Planeta Terra – 13 de fevereiro de 2013


 –Setenta graus negativos e estamos a mil metros de altitude.–Entramos em território antártico – disse a loira engenheira Ingeborg Inge Stefansson, sacerdotisa odínica norueguesa, na poltrona do co-piloto.
–Falta pouco para ver as luzes da cidade, Inge – Mara já demonstrava umpouco de cansaço pela tensão da pilotagem.–Não vejo a hora de chegar – interveio a jovem psicóloga italiana Regina Lúcia Cardelino, desde o compartimento posterior, onde estavam às engenheiras gêmeas chilenas Bárbara e Linda Blanes.Embaixo delas a branca paisagem passava a mil quilômetros por hora.Estavam aquecidas. A temperatura a bordo do avião antártico ainda era a do cálido Brasil, onde poucas horas antes as cinco moças tomaram seu café da manhã no restaurante da Faculdade de Eletrônica e Cibernética de Blumenau.
 

 








Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

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