7-7.8
1º de agosto de 2013.
Faz 104 dias que os antárticos estão em Marte e 45 dias que as oito naves partiram à Terra. Uma mensagem captada em Phobos tranqüiliza a todos, respeito à sorte de Boris e seu grupo, que estão nas antípodas.
O grupo chegou à grande fenda de Vallis Marineris onde se encontra o reino de Angopak. Mas antes, localizaram o ponto de pouso da Viking, onde acharam restos muito antigos de um acampamento deixado por um grupo de cientistas darnianos.
–Temos a prova de que eles nos monitoravam, Aldo – disse Boris pela rádio na ocasião – Aqui há um edifício de pedra com restos de equipamento de rádio nativo e inclusive uma antena semidestruída, construída pelos darnianos.
–E onde deve estar a Viking agora?
–Segundo os guias, é provável que o equipamento esteja em Darnián.
–Se faz imperativo o contato com eles, Boris. O mais breve possível.
O contato com Darnián se fez através do Líder Vurián. Quando chegou a novidade de que Boris já estava no Vallis Marineris, surgiu uma nova possibilidade, já que tudo está em paz no Ponto de Apoio; de ir atrás de Boris por ar, e o 3 de agosto, Aldo decolou na Antílope, acompanhado de Inge e Regina.

Após fazer uma curva no espaço, a nave sobrevoa à fenda que de perto se torna assustadora. A nave parece minúscula dentro das paredes de três mil metros do abismo semelhante ao Grand Canyon elevado à enésima potência. Há nuvens no seu interior e a pressão é maior que a média. Milhões de anos atrás devia ter sido um mar.
Uma fina linha de água percebe-se entre a abundante vegetação do fundo.
–Há um ponto de descida! – exclamou Inge indicando a parede íngreme.
–Parece artificial – disse Aldo.
–Onde estão os carros? – perguntou Regina – Não podem descer por aqui...
–Vamos subir ao platô – disse Aldo, fazendo a nave elevar-se.
–O rádio está recebendo o sinal código dos carros – disse Regina.
–Estão muito longe – disse Inge – a bombordo!
–Vamos lá – disse Aldo, fazendo a nave virar noventa graus.
–Vieram pelo norte, devem estar na borda norte.
–Não perde o sinal, Inge. Regina; dá uma olhada lá embaixo.
Regina não enxergava os veículos à simples vista, apesar da boa visibilidade.
–Aqui, Aldo – disse Inge, de olho nos sensores – desce mais.
Aldo faz a nave pairar quase ao borde do precipício e Regina grita:
–Estão aí!
Estavam todos estacionados em linha, terrestres e marcianos.
–Aparentemente estão inteiros, apesar de sujos...
–Por quê não descem para nos cumprimentar? Estão cegos e surdos?
–Estão vazios, Aldo – disse Inge, atenta aos sensores – não detecto vida.
A Antílope pousou a cem metros do abismo do qual não divisavam a borda sul.
–Esperem aqui, vou dar uma olhada – disse Aldo pondo o capacete.
O primeiro carro estava fechado com chave. Os outros; vazios e fechados.
–Há abundantes pegadas que levam ao borde do precipício.
–Certamente que todos foram para Angopak – disse Regina.
–Angopak deve estar embaixo – disse Aldo assomando-se à borda do abismo.
–Deuses!
–Quê foi? – disse Inge.
–Há uma trilha de mais ou menos dois metros de largura que desce ao fundo.
–Desceram por aí! – disse Regina – podemos descer com os impulsores.
–Nós também vamos descer, mas não com impulsores – disse Aldo.
Aldo voltou e sentou na poltrona de pilotagem. A nave elevou-se e dirigiu-se ao abismo. Não se enxergava o fundo devido às nuvens.
Desceu verticalmente junto à parede onde havia uma trilha artificial com descansos construídos por antiqüíssimas mãos marcianas.
Atravessou a fina capa de nuvens e embaixo podia ver-se o verde da vegetação e a linha de água que fertilizava o local. A nave pousou no fundo, no solo úmido e fértil da beira do rio, numa clareira artificial na vegetação junto à parede do
abismo.
A trilha terminava na frente de uma caverna de vinte metros de altura por cinqüenta de largura; na qual junto às pegadas apareciam marcas de carros. Aldo
desligou os motores.
–Regina, fica monitorando. Inge e eu vamos entrar.
–Por favor, tenham cuidado.
–Não te preocupes – disse Aldo colocando uma pistola marciana no cinto.
Inge e Aldo desceram e entraram na profunda caverna ligando as luzes dos trajes. Após caminhar oitenta metros encontraram duas dúzias de carros de carga enfileirados, nos quais havia restos de vegetais, redes, gaiolas, arpões e armas curtas.
–Isto está ficando interessante, Inge.
–E misterioso – replica a jovem – um país
subterrâneo!
Inspecionaram as paredes, que à luz artificial produzia belos reflexos coloridos, e foi aí que Inge descobriu uma porta de quatro metros de altura por três de largura.
–Vejamos – disse Aldo – tem um marco encravado na rocha. Belo trabalho.
–Não tem fechadura, ou o que seja que abra as portas por aqui...
–Há uma alavanca no marco. Cuidado Aldo! Pode abrir-se de repente.
–Afasta-te um pouco. Vou abrir.
–E se for uma armadilha mortal?
–Não acho. Há muitas pegadas, a maioria humanas. Olha o padrão das botas!
–Boris e seu grupo entraram por esta porta! – disse Inge emocionada.
Aldo puxou a pistola e abaixou cautelosamente a alavanca. A port
a se abriu devagar para fora, deixando ver...
–Uma sala iluminada!
–E com outra porta igual – disse Aldo – deve ser uma eclusa.
–A luz é fraca como a do sol...
–Nossas lanternas devem ser torturantes para eles, Inge.
–Não precisamos delas aqui – disse ela, desligando a luz.
Entraram, havia outra alavanca por trás deles. Aldo acionou o mecanismo e a porta se fechou com lentidão. Dentro da sala, abriram a outra port
a, que dava a um corredor iluminado.
–Aldo para Regina!
–Prossiga.
–Só queria saber se estava ouvindo.
–Alto e claro; Aldo.
–Ótimo.
–Só isso?
–Encontramos a entrada de Angopak!

O grupo chegou à grande fenda de Vallis Marineris onde se encontra o reino de Angopak. Mas antes, localizaram o ponto de pouso da Viking, onde acharam restos muito antigos de um acampamento deixado por um grupo de cientistas darnianos.
–Temos a prova de que eles nos monitoravam, Aldo – disse Boris pela rádio na ocasião – Aqui há um edifício de pedra com restos de equipamento de rádio nativo e inclusive uma antena semidestruída, construída pelos darnianos.
–E onde deve estar a Viking agora?
–Segundo os guias, é provável que o equipamento esteja em Darnián.
–Se faz imperativo o contato com eles, Boris. O mais breve possível.
O contato com Darnián se fez através do Líder Vurián. Quando chegou a novidade de que Boris já estava no Vallis Marineris, surgiu uma nova possibilidade, já que tudo está em paz no Ponto de Apoio; de ir atrás de Boris por ar, e o 3 de agosto, Aldo decolou na Antílope, acompanhado de Inge e Regina.
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Outono no hemisfério sul.
Após fazer uma curva no espaço, a nave sobrevoa à fenda que de perto se torna assustadora. A nave parece minúscula dentro das paredes de três mil metros do abismo semelhante ao Grand Canyon elevado à enésima potência. Há nuvens no seu interior e a pressão é maior que a média. Milhões de anos atrás devia ter sido um mar.
Uma fina linha de água percebe-se entre a abundante vegetação do fundo.
–Há um ponto de descida! – exclamou Inge indicando a parede íngreme.
–Parece artificial – disse Aldo.
–Onde estão os carros? – perguntou Regina – Não podem descer por aqui...
–Vamos subir ao platô – disse Aldo, fazendo a nave elevar-se.
–O rádio está recebendo o sinal código dos carros – disse Regina.
–Estão muito longe – disse Inge – a bombordo!
–Vamos lá – disse Aldo, fazendo a nave virar noventa graus.
–Vieram pelo norte, devem estar na borda norte.
–Não perde o sinal, Inge. Regina; dá uma olhada lá embaixo.
Regina não enxergava os veículos à simples vista, apesar da boa visibilidade.
–Aqui, Aldo – disse Inge, de olho nos sensores – desce mais.
Aldo faz a nave pairar quase ao borde do precipício e Regina grita:
–Estão aí!
Estavam todos estacionados em linha, terrestres e marcianos.
–Aparentemente estão inteiros, apesar de sujos...
–Por quê não descem para nos cumprimentar? Estão cegos e surdos?
–Estão vazios, Aldo – disse Inge, atenta aos sensores – não detecto vida.
A Antílope pousou a cem metros do abismo do qual não divisavam a borda sul.
–Esperem aqui, vou dar uma olhada – disse Aldo pondo o capacete.
O primeiro carro estava fechado com chave. Os outros; vazios e fechados.
–Há abundantes pegadas que levam ao borde do precipício.

–Certamente que todos foram para Angopak – disse Regina.
–Angopak deve estar embaixo – disse Aldo assomando-se à borda do abismo.
–Deuses!
–Quê foi? – disse Inge.
–Há uma trilha de mais ou menos dois metros de largura que desce ao fundo.
–Desceram por aí! – disse Regina – podemos descer com os impulsores.
–Nós também vamos descer, mas não com impulsores – disse Aldo.
Aldo voltou e sentou na poltrona de pilotagem. A nave elevou-se e dirigiu-se ao abismo. Não se enxergava o fundo devido às nuvens.
Desceu verticalmente junto à parede onde havia uma trilha artificial com descansos construídos por antiqüíssimas mãos marcianas.
Atravessou a fina capa de nuvens e embaixo podia ver-se o verde da vegetação e a linha de água que fertilizava o local. A nave pousou no fundo, no solo úmido e fértil da beira do rio, numa clareira artificial na vegetação junto à parede do
abismo.A trilha terminava na frente de uma caverna de vinte metros de altura por cinqüenta de largura; na qual junto às pegadas apareciam marcas de carros. Aldo
desligou os motores.
–Regina, fica monitorando. Inge e eu vamos entrar.
–Por favor, tenham cuidado.
–Não te preocupes – disse Aldo colocando uma pistola marciana no cinto.
Inge e Aldo desceram e entraram na profunda caverna ligando as luzes dos trajes. Após caminhar oitenta metros encontraram duas dúzias de carros de carga enfileirados, nos quais havia restos de vegetais, redes, gaiolas, arpões e armas curtas.
–Isto está ficando interessante, Inge.
–E misterioso – replica a jovem – um país
subterrâneo!Inspecionaram as paredes, que à luz artificial produzia belos reflexos coloridos, e foi aí que Inge descobriu uma porta de quatro metros de altura por três de largura.
–Vejamos – disse Aldo – tem um marco encravado na rocha. Belo trabalho.
–Não tem fechadura, ou o que seja que abra as portas por aqui...
–Há uma alavanca no marco. Cuidado Aldo! Pode abrir-se de repente.
–Afasta-te um pouco. Vou abrir.
–E se for uma armadilha mortal?
–Não acho. Há muitas pegadas, a maioria humanas. Olha o padrão das botas!
–Boris e seu grupo entraram por esta porta! – disse Inge emocionada.
Aldo puxou a pistola e abaixou cautelosamente a alavanca. A port
a se abriu devagar para fora, deixando ver...–Uma sala iluminada!
–E com outra porta igual – disse Aldo – deve ser uma eclusa.
–A luz é fraca como a do sol...
–Nossas lanternas devem ser torturantes para eles, Inge.
–Não precisamos delas aqui – disse ela, desligando a luz.
Entraram, havia outra alavanca por trás deles. Aldo acionou o mecanismo e a porta se fechou com lentidão. Dentro da sala, abriram a outra port
a, que dava a um corredor iluminado.–Prossiga.
–Só queria saber se estava ouvindo.
–Alto e claro; Aldo.
–Ótimo.
–Só isso?
–Encontramos a entrada de Angopak!
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Fim do Capítulo 7.
(próximo capítulo (8) inicia em 10 de fevereiro).
(próximo capítulo (8) inicia em 10 de fevereiro).
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