sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.15

9-9.15


Finalmente, no dia 31 de dezembro...

...Estavam prontos para celebrar o ano novo antes da partida e Aldo estava no alojamento, recolhendo alguns livros e roupas para levar, quando Chiyoko entrou.

–Aldo! – gritou ela, refugiando-se nos seus braços.

Ficaram abraçados por um instante, antes que ela; com olhos úmidos; dissesse:

–Por quê me deixaste fora da lista?

–Sabes bem o motivo.



 

–Inge vale mais do que eu.
 



–Não digas bobagens.

–Já não te sirvo, te dei o que desejavas...

–Continuas dizendo bobagens, Chiyoko...

–Se não te adorasse, não teria vindo a me despedir. Sou uma estúpida.

–Não és uma estúpida; Chiyoko. És muito nobre. Amas. Quem ama é nobre.

–Mas tu não me amas e estou sofrendo pela tua causa.

–Por minha causa? Tu me procuraste, te entregaste servida em bandeja!

–Minha culpa. Fui má. Mas me entreguei a ti por amor.

–Também te amo, mas sabias que isto não vingaria, amo a Inge e se pudesse me casaria com as duas, mas não pode ser. E sabes disso.

–Isso é verdade?

–Ainda duvidas? Talvez o que te faça sofrer seja que sabes que te amo à minha maneira e que nunca te enganei.

–Mas unimos nossos corpos por amor.

–Sim, minha querida.

–Quê tipo de amor? Foi um amor puro e verdadeiro?

–Eu sei que foi. Por umas horas.

–Então, por que tem que acontecer isto?

–É o preço que pagamos pelo que é bom, pelo que é limitado. Uma coisa boa vem em pequenas doses, como perfume ou vinho, assim são os prazeres, pequenos e caros, muito caros – disse ele – nosso amor foi intenso, porém curto e seu preço foi altíssimo, mas foi muito bom e deixou em nós uma experiência inesquecível.

–Quê opinião tens de mim?

–A melhor, querida. Se pensar demais, se lembrar da nossa noite, do teu corpo, de tudo o que demos um ao outro, vou querer mais e poderei fazer uma loucura da qual depois íamos nos arrepender.

–Nunca esquecerei aquela noite, Aldo. Fizeste-me mulher e me destes o melhor momento da minha vida, me senti tão viva, tão completa...

–Será amarga essa lembrança para ti e para mim.

–Não sei se deverei amar-te ou odiar-te. Ou as duas coisas.

–Os antigos diziam que só se odeia o que muito se amou.

–Então te odiarei. Será melhor. Aqui nos separamos, Aldo.

–Como pessoas de juízo?

–Sim. Posso beijar-te?

–Não, Chiyoko. Isso o faria tudo mais difícil. Para nós dois.

–Sim, é verdade. Desculpa.

–Adeus, Chiyoko.

–Sayonara... (Já que assim deve de ser...).

Talvez ainda haja uma solução para esta variável, já que a japonesa não embarca na Hércules, e isto é uma variável não prevista.

Talvez esta variável consiga reverter os resultados e não aconteça nada catastrófico; talvez os deuses decidam reverter este mundo paralelo, para os parâmetros originais, talvez os fatos futuros não sejam tão graves.

Talvez não. Alguém uma vez disse:

"–As possibilidades são infinitas."



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Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

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Último Capítulo em 14 de setembro de 2012...!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.14


9-9.14
29 de dezembro de 2013.


As sete da manhã; o piloto Maya Terasaki e sua bonita esposa Hiroko tomavam chá e ouviam as notícias da Radio Darnián; quando Chiyoko entrou no alojamento. Lá fora, a tormenta seguia em toda sua imponência, sem dar indícios de querer diminuir.


–Minha querida irmã, o quê faz na intempérie com um tempo destes? Achei que estava no laboratório de navegação...

–Senti vontade de vir – disse a jovem tirando capacete e botas empoeiradas, que deixou junto da mochila, no pequeno espaço de entrada não coberto pelo tapete.

Hiroko aproximou uma almofada:

–Minha querida cunhada já tomou o chá?

–Não.

–Então o tomará conosco – disse Hiroko, servindo chá e bolachas sintéticas de fermento com sabor de centeio.

–Tenho um problema.

–Fale, minha querida irmã – disse Maya.

–Estou apaixonada por um antártico.

–Isso não é um problema – disse Maya.

–No meu caso sim.

–Quem é ele? – perguntou Hiroko.

–O capitão Aldo.

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Essa noite...

..A tormenta estava diminuindo, e no alojamento de Aldo estavam reunidos os chefes de departamento da Hércules, com Lúcio e Elvis.

–Como sabem – disse Aldo – esta é a mais completa nave que fabricamos. Sustentará sua tripulação por dois anos, está equipada para todo tipo de pesquisa, e está armada inclusive com armas marcianas.

–Com a maior tripulação – disse Boris – a máxima experiência de convivência num espaço menor do que um submarino.

–Quanto tempo durará a viagem? – perguntou a Doutora Lídia.

–À nova velocidade de 500.000 kph, com os novos motores, completaremos 600 milhões de kms em 50 dias, mais ou menos.

–Chegaremos em 20 ou 22 de fevereiro – disse Konstantin.

–Com mais ou menos dez dias de tolerância – disse Aldo.

–Quê luas visitará, Herr Kapitan? – perguntou o professor Von Kruger, que misturava os idiomas quando estava emocionado.

–Pretendo visitar as luas maiores; Ganímedes, Calisto, Io, Europa...

–Algumas podem ter atmosfera, Herr Kapitan. Também tenho interesse pelo cinturão de asteróides, farei observações ao passar por eles.

–Já previ no cronograma uma parada neles se encontrarmos algo que valha a pena. Embora Fuchida está mais bem situado, para um estudo dessa natureza.

–Não passaremos por Ceres?

–Não. A órbita já levou o planeta de Fuchida para longe, mais de dez graus.

–É uma pena. Eu queria dar uma olhada nele.

–Não faltará oportunidade daqui a três anos, professor.

–E a Vingador?

–Se a encomenda chega dia 20, partirei em 25 ou 26, professor – disse Lúcio.

–Quantas pessoas irão? – perguntou Von Kruger.

–Eu, minha esposa Eva e 113 pessoas que ainda não selecionei.

–Mas a Vingador é do tamanho da Hércules; por quê essa discrepância?

–A Vingador é basicamente uma nave de guerra, doutora Lídia – disse Aldo.

–Um cruzador – interveio Boris – equipado com torpedos, canhões marcianos dos mais poderosos, em todos os ângulos, cada um dos quais precisa dois servidores.

–Para quê queremos uma nave de guerra? – escandalizou-se Von Kruger.

–Para defender as posições que alcançarmos, professor – disse Aldo – e não esqueça que graças às informações dos marcianos agora sabemos positivamente que outras raças existem no cosmos e também sabemos que algumas são hostis.

–Entendo. Os Alfas e similares...

–Além disso; suspeito que há outra espécie nas luas, uma espécie inteligente, talvez melhor armada do que nós; que pode estar nos esperando para nos atacar por não saber as nossas intenções – disse Aldo, com o pensamento na Haunebu-3.

–Não entendi – disse o robusto professor.

–Não importa. Saberão ao seu devido tempo, quando estivermos no espaço.

Os olhares cruzaram-se e os rostos ficaram sombrios. O barulho do vento era menor. A tormenta se afastava aos poucos.


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