sexta-feira, 29 de junho de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.11

9-9.11
Terça Feira, 24 de dezembro de 2013.

Nas três naves que partiram para a Terra só foram pilotos e navegadores. Por isso no Ponto de Apoio havia muita gente capacitada; pelo que Aldo, que já estava com a lista; esperava formar a melhor das tripulações para a melhor das naves.

E o futuro provaria que ele estava certo.

Essa noite, as crianças da base celebravam a Véspera de Natal na escolinha, festa católica de origem pagã, organizada pelo padre Caselli. Era uma festinha gentil e singela, oferecida aos adultos pelas crianças, com uma representação teatral e outras coisas bonitas e inocentes. Aldo não pôde deixar de gostar. Os adultos estavam felizes e divertiram-se. A Rádio e TV Marciana (RTVM); transmitiu a festa às luas e a todo o planeta. Foi captada em Darnián, Hariez; nos pólos e Angopak. Os terrestres instalaram equipamentos em todos os pontos estratégicos, onde tinham contato com nativos amistosos. Horas depois o sinal foi captado nas naves que retornavam à Terra.

Na festa, Aldo e seus colaboradores não prestavam atenção porque estavam ocupados com outros problemas que discutiam entre uma lata de cerveja e outra.

–Senhores, está decidido, não podemos esperar mais. Partiremos à zero hora da quarta-feira 1º de janeiro de 2014; ou seja, daqui a uma semana.

–Ótimo! – exclamou Konstantin Diakonov – Selecionou a tripulação?

–Sim. 34 pessoas – aqui está a lista.

–Ach! – exclamou Von Kruger – Vamos fazer as coisas em grande!

–Pare de fazer suspense e mostre! – exclamou Boris.

–O capitão serei eu, claro; na falta de outro melhor. Não, não riam, moleques. O imediato será você, Boris; piloto o tenente Rutger Rojo Weiss; e o navegador será você, camarada Konstantin.

–Sinto-me grato pela lembrança.

–É sem dúvida o mais capacitado para conduzir-nos tão longe em território desconhecido... E ainda através do cinturão de asteróides, que deve ser perigoso.

–Concordo totalmente – disse Boris.

–No terminal principal do sistema e sensores; Regina, minha conselheira.

–Linda e capacitada – disse Boris.

–Claro, devemos unir o útil ao agradável – disse Aldo, e em seguida:

–Chefes de departamento: comunicações e sistemas; Ingeborg.

–Linda e capacitada, também – disse Boris.

–Eu já disse... Útil e agradável. Primeiro cientista; professor von Kruger.

–Mein Gott! Vou para Júpiter! Devo fazer minhas malas!

–Médica chefe e segundo oficial de ciências, doutora Lídia Maximova, agora Diakonova. Detesto separar um casal feliz, Konstantin.

–Também acho – disse o russo – útil e agradável.

–Linda e capacitada, também – observou Aldo e prosseguiu:

–Engenharia; o primeiro engenheiro, o grego Constantino Karapsias.

–Não é muito jovem?

–É cria de Valerión, Boris. Sabe tudo.

–Não discuto.

–Propulsão antigravidade, antimatéria, o primeiro maquinista, o Russo Alegre; engenheiro Basil Gregorovitch Muslimov.

–Esse é bom – observou Lúcio – montou todos esses motores.

–Sala de torpedos de proa primeiro artilheiro, o irlandês George Grubber.

–Nosso chefe da segurança?

–Sim, Boris. Primeiro eletricista; Julian Cables Torres, o chileno. Esses são os chefes de departamento. Os reservas: Segundo engenheiro; Karl Henschel.

0–Na Antarte era chamado de fazedor de milagres – disse Konstantin.

–Pois é. Precisamos dele. Segundo maquinista; Alexander Otto Dreisen; segundo eletricista Simon Gart; sala de torpedos de popa, segundo artilheiro Cássio Índio Báez; primeiro contramestre; John Marnes, o norte-americano...

–Que não lhe ouça, Aldo. Ele se considera um confederado.

–Confederado; Boris?

–Odeia o norte. É sulista de Virgínia, sabe; O Vento Levou e tudo isso...

–Entendi. Sobrecargo, astronauta de serviço Rafael Martos, o espanhol; o segundo contramestre Carlos Bachín; terceiro contramestre, Otelo Negro Báez, depois temos, para cozinheiro, padeiro e nutricionista...

–Precisamos de um cozinheiro?

–Claro; Boris. Numa crise ou no caso de pane não podemos distrair nosso tempo controlando estoques de comida e água, purificadores de água e ar, preparo da comida, limpeza da nave, cozinha, banheiros e privada. Não numa viagem dessas, na qual podemos até entrar em combate. Além do mais serão muitos a bordo e alguns deles não se conhecem ainda. Precisamos um profissional que coordene as tarefas do sobrecargo e dos contramestres no trabalho de bordo e o controle dos alimentos.

–E quem é esse coitado?

–Não o chame de coitado, Lúcio. Sua função é fundamental. É um veterano de submarinos, seu compatriota italiano Piero Gatti, mais conhecido por “Mudo”.

–Mudo? Por quê?

–Quando lhe perguntam o quê colocou na comida, fica mudo.

–Ah!

–Depois os astronautas de serviço Setembrino Bino Mendes, Gregório Greg Paz, Antônio Toni Benítez, Vladimir Chekov, Edgar Ruiz, Carlos de Paula, Karl Wassermann, Carlos de Leon...

–Todos veteranos.

–Sim, Boris. Para concluir, os pilotos de caça franceses: Jacques Cartier, Adolphe D’Hastrel, Ives de Saint-Hilaire e os russos Thomas Tom Cikutovitch e Ivan Ivanovitch Kowalsky.

–Pilotos de caça? – perguntou Boris.

–Há seis aviões novos CH-II acoplados. Além disso, como sabes, piloto ocioso a bordo é pau para toda obra, lavar pratos, limpar banheiros, esfregar o convés...

–Mas nomeou cinco pilotos, Aldo. Sobra um avião...

–O meu, é claro, o avião reserva. Estou louco para pilotar essa belezinha.

–Claro.

–O quê vocês acharam da minha seleção?

–Uma equipe da pesada – disse Lúcio – os melhores.

–Não podia ser melhor – disse Boris.

–Têm uma semana para fazer as malas. Já coloquei a bordo quase tudo o que é meu. Inclusive as novas armaduras...

–Armaduras? – perguntou Konstantin.

–Os novos trajes de tecnologia marciano-terrestre – interveio Lúcio – couraças de vitrocerâmica que suporta descargas phaser de cinco milímetros, laser de até cinco milímetros e disparos de fuzil marciano a cinqüenta metros. O pessoal não descansou no ponto. Foi idéia minha; modesto como sempre. Vocês vão preparados para tudo.

–Vamos, sim. Nós somos os vilões, desta vez.

–Continuamos sendo – corrigiu Lúcio.


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Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.10

9-9.10
20 de dezembro de 2013.

Sem perceber que a linha de tempo tinha sido mudada doze dias atrás; já que aparentemente tudo estava normal; decolaram rumo à Terra a Procion, a Audaz e a Prometeo; a fim de trazer materiais indispensáveis. Após a partida, Aldo e o professor Von Kruger conversaram:


–É vital enviar essas naves à Terra, professor. Precisamos materiais.

–Mas aqui temos tudo o que precisamos... Ou não?

–Não temos, não. Não fazemos computadores, sistemas de controle, sensores, radares, rádios, câmeras de TV e toda a parafernália eletrônica vital para nosso uso diário e para as naves e aviões que fabricamos.

–Podemos aproveitar as fábricas dos marcianos e a mão de obra...

–Podemos, e já estamos trabalhando nesse sentido, mas ainda faltarão muitos anos para que eles consigam atingir nosso estágio e criar o que precisamos. É mais fácil trazer matrizes para que eles possam fabricar certos produtos, inclusive armas.

–Claro – concordou von Kruger. Seu rosto iluminou-se:

–Por falar em armas, ainda pretende voltar à Terra para a justa desforra?

–Claro que sim. Mas agora temos tempo de sobra para isso.

–Estamos cômodos aqui. Podemos planejar. Quais os materiais que virão?

–Coisas simples, como ferramentas; instrumentos ópticos de precisão, relógios, voltímetros, manômetros e tudo o que não podemos fabricar aqui. É uma enorme lista de 500 páginas de space-fax que enviei ao Dr. Valerión para preparar tudo antes das naves chegarem à Lua. Entre outras coisas há material de escritório, computadores de última geração, robôs de montagem, material cirúrgico, remédios, roupa, trajes espaciais, motores, munição, armas; inclusive material de limpeza.

–Isso é fundamental, isto já é uma pequena cidade... – observou o professor.

–Já pensou que precisamos barbeadores, creme e escovas dentais, sabonetes, papel higiênico e até absorventes íntimos para as mulheres?

–Claro, não fabricamos essas coisas! E quanto à alimentação?

–Marte começou a produzir comida e há planos de longo prazo, os cultivos hidropônicos são excelentes e produzimos comida sintética à base de fermento, mas precisamos ainda coisas que não produzimos aqui... Carne, trigo, arroz, açúcar, sal, leite em pó, chá, café, refrigerantes, cerveja, vinho... Inclusive erva-mate.

–Erva mate?

–É uma espécie de chá. Há gente aqui que tem por hábito tomar essa infusão típica de América do Sul, principalmente argentinos, uruguaios e brasileiros do sul...

–Ja. Devemos diversificar a alimentação. Certamente, tudo isso poderá ser produzido aqui no futuro...

–Mas até lá dependemos da Terra para abastecer-nos dessas coisas, professor. Calculei que precisamos trinta naves robôs para trazer tudo.

–Como pagará tudo isso?

–As naves vão carregadas com prata marciana trabalhada para o museu, ouro, diamantes de Phobos, urânio de Dheimos, espécimes raros e valiosos, armas marcianas para nossos soldados, vimanas modificadas e protótipos de CH-II para que Valerión inicie a produção. Além disso, fotos, filmes, bancos de dados e descobertas científicas que são coisas que não têm preço...

–Concordo. Quando poderemos dispor do material?

–A Terra está cada vez mais longe e apesar de que os motores são mais rápidos, será demorado. Talvez entre 20 de fevereiro e 10 de março do próximo ano, depende de Valerión reunir tudo no prazo.

–Então deveremos adiar a viagem a Júpiter para depois dessa data.

–Para a Hércules há tudo o que se precisa. Inclusive já está testada, abastecida, aprovisionada e armada. O problema é a segunda nave, a Vingador.

–Gostei do nome.

–Foi idéia de Lúcio, ele a comanda. Mas ainda não está pronta. Falta material e a montagem está parada por falta de peças.

–Mas todas as nove naves da classe Hércules têm componentes marcianos...

–Ainda assim não conseguimos concluir a segunda nave, professor.

–Odeio me repetir, Kapitan, mas não seria melhor adiar a partida?

–Não há necessidade. Partiremos antes que chegue o material e uma vez lá esperaremos o Lúcio na Vingador para nos dar apoio.

–Então a expedição independe da chegada do material, mas se a Hércules...

–É a mais completa astronave jamais fabricada por nós, e me aventuro a dizer que por ninguém, professor. Não se preocupe, ela pode sustentar a tripulação por dois anos sem abastecimento, está equipada para tudo tipo de pesquisa científica e está poderosamente armada inclusive com armas marcianas.

–E a tripulação?

–Tenho uma lista em estudo, mas só a revelarei no dia 24, professor.

–E para as outras?


–Nada foi definido, mas deverão ir nativos na terceira nave da classe Hércules, a Milenium, que será comandada pelo meu cunhado Leif.

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Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.9

9-9.9



Com o barulho do chuveiro Aldo não ouviu a eclusa.
Quando saiu do banheiro e foi para o quarto enrolado na toalha, deparou-se com uma surpresa vestida de kimono vermelho estampado de flores brancas e amarelas:


–Chiyoko! O quê faz aqui?

–Fui obrigada a vir, meu senhor.

–Obrigada? Por quê motivo?

–Não resisto o fogo que me queima. Que os deuses me perdoem!

–Garota...! Quê loucura! – Aldo sentiu sua cabeça girar, quando ela disse:

–Quero ser sua, antes de ser de ninguém mais.

Ele sentiu; mais que viu; o desejo nos olhos dela. Aspirou o perfume oriental há muito esquecido, entendeu seus motivos e disse as palavras; sem pensar que era um instante critico do universo, uma variável imprevista, onde entrava vertiginosamente num universo provável, num Mundo Paralelo, apenas com dizer:

–Se assim o queres...

O kimono de seda deslizou ao chão.

–Quero, sim, meu senhor.

Ele perdeu o controle. Um fogo líquido correu-lhe nas veias, inundando seu membro viril. A ereção quase fez a toalha cair. A jovem oriental era muito bonita e ele desejava-a desde que a conheceu; embora sem admiti-lo. Agora ela estava nua no seu quarto, entregando-se com o corpo em fogo, louca de desejo.

O homem despencou em plena queda num redemoinho, num vórtice, num turbilhão dos Mundos Paralelos, e disse, simplesmente, para se perder de vez:

–Quero teu corpo, garota.

–Sim, meu senhor, embora seja apenas por esta noite.

Ele sabia que estava se perdendo e não respondeu.

A toalha caiu e a beijou nos lábios.

Abraçou o corpo adolescente, suave como cereja madura, abandonou o universo e entrou em outras variáveis, novas probabilidades, situações, eventos que não deviam existir, mas viriam a existir a partir desse instante; engendrados por esta união imprevista...

Onde estavam os deuses,
nesse fatídico instante
em que a História
foi totalmente mudada?


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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.8

9-9.8

A festa estava no apogeu.
Os russos organizaram um baile de danças de cossacos. Basil Muslimov, engenheiro da Prometeo, era conhecido como O Russo Alegre. Tocava a balalaica à perfeição e agora tocava uma bonita música que os russos bailavam enquanto os outros acompanhavam batendo palmas.
 
O recém casado Konstantin dançava de braços cruzados, apoiando-se numa perna só. A reduzida gravitação marciana facilitava suas acrobacias, celebradas pelos camaradas que aplaudiam e cantavam com grande animação.

No meio disso tudo, Marcos e Bárbara dispunham-se a fugir, sendo percebidos por Aldo, que os deteve:

–Não vão ainda, tenho que lhes dar meu presente de casamento.



–Claro; irmão – disse Marcos sorridente – o quê é?
 
–Esta chave.
 
–A chave da Antílope? – exclamou Bárbara.
 
–Sim, cunhada, que sejam felizes.
 
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As quatro da manhã, a Antílope decolou, levando como passageiros Boris e Regina. Os dois casais passariam a lua-de-mel na estação orbital. Leif e Mara partiram para Angopak e Lúcio e Eva foram para Dheimos, onde passariam uma temporada.

Lídia e Konstantin ficaram no acampamento. Às quatro e meia, Inge encontrou-se com Aldo no alojamento dele.

–Sobramos.

–Sim – respondeu ele.

–Solteiros. Como corresponde a todo herói e toda heroína. – disse ela.

–Tu e eu nunca falamos em casamento. Todos fomos selecionados em casais em Antártica. Teoricamente, neste momento deveríamos estar casados. Sempre fomos muito unidos, como irmãos e nunca pensamos em que tínhamos que nos casar algum dia, Inge. Será que o computador de Antártica cometeu uma equivocação? Mas eu te amo muito, Inge. Sabes disso.

–Eu também te amo, Aldo.

–Querias casar desta vez, em lugar de celebrar os casamentos dos outros?

–Não, não quero casar agora; não estou preparada.

–Também não me sinto preparado. Acho que algumas coisas devem acontecer antes de nossa união definitiva. Sinto que devo fazer coisas antes de casar, sinto que não é o momento. Não tenho estado mental para isso.

–Entendi. Sinto-me igual. Regina disse que ainda falta algum tempo para meu desejo se manifestar, porque eu não tive infância. Proponho uma coisa, Aldo; quando chegarmos a Júpiter; se os deuses permitirem, nos casaremos.

–Combinado.


–Agora vou dormir para me recuperar da festa.

–Eu também estou acabado. Preciso dormir para poder trabalhar no projeto.


Ambos beijaram-se longamente, com carinho, e a jovem foi embora para seu alojamento, onde agora deveria viver sozinha, após o casamento e partida do seu irmão; deixando Aldo em companhia dos seus pensamentos.


Pela janela, Aldo viu-a afastar-se.

Até esse exato momento; o universo funcionava a contento sem mudanças imprevistas.

Ainda os mundos paralelos não tinham entrado em colisão.

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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.7


9-9.7
 8 de dezembro de 2013.


A capela do padre seria pequena demais para os 518 terrestres se estivessem todos.

Seria o caos absoluto.

Mas como estes nunca estiveram juntos ao mesmo tempo na base, sobrou lugar para assistir os casamentos de alguns colonos; já que o     s astronautas antárticos recusaram casar-se pelo ritual católico e por isso; após os casamentos do pessoal de apoio, se encaminharam ao Centro Recreativo, onde havia espaço para cerimônias.

Aldo não era iniciado na religião pagã a ponto de conhecer toda a ritualística para efetuar os casamentos, mas era suprema autoridade terrestre em Marte e realizou os casamentos legais dos camaradas, formalidade que servia para abastecer o banco de dados do sistema.

Após efetuar os casamentos legais, assentou-os no livro de estado civil do Ponto de Apoio.
Seria um livro histórico onde seriam registrados casamentos, nascimentos e óbitos.

Ingeborg Stefansson, a Reverenda Sacerdotisa Odínica da Noruega; completou a cerimônia com a ritualística requerida.
Após os desposados unirem suas mãos sobre a faca cerimonial depositada sobre o altar coberto com um pano bordado com as cores mágicas; rubedo, albedo e nigredo; e beberem um gole do vinho sagrado no mesmo cálice de prata, ela disse as palavras rituais finais:

–Boris Alexeievitch; aceitas por companheira a Regina Lúcia, até o dia em que um dos dois partir para Asgard?

–Aceito, Reverenda Senhora.

–Regina Lúcia; aceitas por companheiro a Boris Alexeievitch, até o dia em que um dos dois partir para Asgard?

–Aceito, Reverenda Senhora.

–Vos declaro marido e mulher pela graça de Odín-Wothan e seu filho Thor que são os Deuses que reverenciamos e que nos acompanham nesta jornada nas estrelas, assim como o espírito dos antigos Avatares e do Grande Mártir, o Último Avatar.

Boris e Regina foram os últimos a casar nesse dia. Antes foram Marcos e Bárbara; Elvis e Linda; Nico Klinger e Tama Wilkins; Eric Wilkins e Lina Antúnez; Lúcio e Eva; Konstantin Diakonov e a doutora Lídia Maximova; Mara, irmã de Aldo, que casou com o seu eterno namorado Leif, irmão de Ingeborg.

Lon Vurián, Danai e muitos nativos, assistiram pelo lado de fora da parede de alumínio transparente, ouvindo pelos alto-falantes.

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Dos dez hangares da base, o H3 era o único vazio. Por isso tinha sido escolhido para ser o Centro Recreativo.
Seu interior hermético estava iluminado e decorado. A mesa da festa, improvisada com asas de aviões e barris de concentrado, estava servida com assado de carneiro para os não vegetarianos; frutas frescas da horta hidropônica; pão quente de trigo antártico; legumes hidropônicos; água marciana, sucos de frutas hidropônicas; vinho e cerveja importados da Terra. Para sentar-se, havia caixas vazias ou cheias de material essencial ou munição.

O sistema de som emitia música dos países dos astronautas, soldados e cientistas.
Pela janela, os marcianos deslumbrados pelo espetáculo, observaram os visitantes divertir-se até o amanhecer.
Era a primeira festa no Ponto de Apoio; era a primeira vez que tinham algo a celebrar e ânimo para tanto.
Após a meia-noite, os casais prepararam a tradicional fuga, escapando da festa para a lua-de-mel.
Num reservado no fundo do hangar; homens e mulheres trocaram a roupa cerimonial por trajes espaciais. Os primeiros em sair foram Nico e Tamara, fugindo discretamente da festa que continuaria sem eles.

–Por onde eles saíram? – pergunta alguém.

–Pela eclusa dos fundos – responde outra voz.

–Onde passarão a lua-de-mel?

–Nos novos alojamentos do iglu hospital.

–Vejam! Linda e Elvis se escapam! Arroz neles!

–O que faz Eugênio Baden com eles?

–Dar-lhes-á uma carona para Phobos na sua nave.

–Aonde irão Eric e Lina? – perguntou alguém.

–A nenhuma parte – disseram eles – ficaremos aqui mesmo.

–Aqui na base, vai ser chato para recém casados – disse Boris, tomando um gole de suco de abacaxi.

–Nico e Tama ficam – replicou Lina.

–Vocês poderiam ir à base nova do pólo Sul – disse Maya Terasaki, sentado junto à sua esposa Hiroko – posso levá-los no meu avião. Agora há uma grande comunidade por lá, há trenós, esquis e outros tipos de diversões no gelo.


–E o alojamento? – perguntou Eric.

 –Isso se soluciona com um iglu – respondeu Maya.

–Será divertido – disse Hiroko.

–Vamos, sim, Eric – suplicou Lina.

–Topamos – disse Eric.

Em seguida, os casais levantam-se e saem pelo túnel de ligação dos hangares.



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