sexta-feira, 11 de maio de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.4

9-9.4

2 de dezembro de 2013.
Primavera em Marte.


Aldo morava sozinho. Agora sobrava espaço no Ponto de Apoio. Depois do banho preparou seu café e sentou à mesa junto à janela de onde podia ver quase todo o acampamento. Pensava em Elvis e Marcos, que tinham projetos para o futuro.

Ambos pretendiam casar-se com as suas respectivas namoradas, Linda e Bárbara. Sabia que teria que prescindir deles no futuro próximo. Outros membros do grupo principal tinham planos semelhantes e por isso não seria fácil a escolha da tripulação para ir a Júpiter e para a frota que voltaria para iniciar a guerra de libertação.

Aldo queria seguir para Júpiter. Era compulsivo nele. Não tinha muita vontade de voltar à Terra para lutar, depois de ver o que lhe aguardava lá fora. Mas, pessoas valiosas como seus irmãos ficariam fora dos seus planos. Isso era evidente.

Estava triste por não ter tempo para si próprio. Pensava em Inge, sua namorada da infância e na jovem Chiyoko; no sentimento que ambas lhe inspiravam.

Talvez, se abandonasse tudo e escolhesse uma delas, poderia viver para sempre aqui, tendo e criando filhos, como tantos outros camaradas decidiram fazer. Mas era fantasia.

Chiyoko era uma pecaminosa fantasia sem futuro devido à incompatibilidade de raça e cultura. Essa moça gostava dele e sem dúvida do mesmo jeito, mas no momento em que fizessem sexo para satisfazer esse capricho, estaria tudo acabado. Sabia disso como homem.

Em câmbio com a jovem sacerdotisa Ingeborg a coisa era diferente. Era amor verdadeiro. E ele o sabia. Além disso, o doutor Valerión esperava que Aldo; em quem depositara toda sua confiança; cumprisse sua próxima missão, a viagem a Júpiter, apoiasse a expedição a Ceres e construísse aviões de caça para à futura frente de batalha. Esperava-se dele tudo o que se espera de um Líder...

De repente, seu cérebro iluminou-se como se um raio o tivesse atravessado; Valerión nunca disse que ele, Aldo, deveria voltar para combater. Voltar à Terra para lutar contra o inimigo era apenas uma ilusão que o cientista colocara na sua cabeça para animá-lo.

Aldo agora compreendia o plano grandioso de Valerión: seu destino era estabelecer as cabeças de ponte, mas nunca ficar nelas. A jovem Ingeborg Stefansson pensava como ele. Com ela tudo isto seria possível, nunca com outra.

Muito menos com uma garota totalmente diferente; com filosofia, cultura, raça e pensamento completamente estranhos para ele. Não. Decididamente, Chiyoko só exercia sobre ele uma forte atração sexual e nada mais. Aldo deveria sobrepor-se ao sentimento animal, primitivo, impróprio de alguém que tinha tanto a fazer.

Deveria pensar mais nos conselhos do Doutor Valerión, seu Mestre.

*******.

Nestas meditações encontrou-o Lúcio quando entrou no alojamento.

–Bom dia, Aldo. O que temos para hoje?

–Preparar a Hércules, carregar 1.177.000 litros de fluído e 400 toneladas de mantimentos, 200 toneladas cúbicas de água comprimida, 150 toneladas de oxigênio e mil de equipamento. Está tudo detalhado no sistema: três iglus de última geração, o Jeep Lunar, seis aviões CH-II, com todo o armamento; equipamento normal para locais desconhecidos; conversor de oxigênio, processador de hidrogênio, processador de concentrado, já que vamos levar barris do mesmo; perfuratrizes, armas, satélites de comunicação, radiotelescópios, antenas, etc. Como para um novo começo.

–Será a maior aventura que já realizamos, guardadas as proporções...

–A Hércules é a maior e mais completa nave de exploração e guerra que já construímos, Lúcio. Não esqueça que vamos muito longe e vamos ficar muito, mas muito tempo mesmo sem abastecimento.

–De fato. E a tripulação?

–Esse é meu problema, Lúcio. Não sei quem escolher.

–Temos muita gente, mas não todos estão dispostos a abandonar a comodidade de que agora gozam para meter-se numa nova aventura. Mas sempre tem alguém...

–Há muitos que já não querem aventuras. Fartaram-se delas e estão a fim de estabelecer-se aqui definitivamente. A idéia da maioria sempre foi essa, além do mais, no domingo oito de dezembro, teremos casamentos católicos no acampamento.

–Quem vai casar?

–Há uma lista, até de nossa gente; mas os nossos não serão casados pelo padre. Eu os casarei, porque sou a máxima autoridade. Inge fará as cerimônias odínicas. Para isso ela é a nossa Reverenda sacerdotisa.

–Eu e Eva vamos casar, então.

–Do nosso grupo só faltavam vocês dois.

–E você e a Inge?

–Nós?... Não podemos, Inge e eu temos que casar vocês todos...

*******.

Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

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