sexta-feira, 25 de maio de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.6

9-9.6
7 de dezembro de 2013.


Com peças dos foguetes robôs e containeres; finalmente terminou-se de montar a estação orbital a doze mil kms sobre a base terrestre, em órbita Clarke alta o suficiente para também servir de transmissora para os comunicadores celulares da região de Ares Vallis.


A estação serviria de depósito, laboratório, siderúrgica em zero-g para fabricação de vitrotitânio e estação de vigilância, com os agora oito satélites espiões em órbita Clarke e a estação retransmissora de Dheimos.

Tem um corpo central esférico de cem metros de diâmetro, e oito cilindros de 200 metros por 30 de diâmetro, que servem de depósitos.

Ao redor do conjunto, unindo-o em forma de roda, há um corredor cilíndrico de trinta metros de diâmetro, onde estão os alojamentos. É uma construção vazia, porque seriam necessárias mais de duas mil pessoas para darlhe vida. Mas é uma obra pensando no futuro. Uma cidade espacial por enquanto usada como depósito do excesso de produção do Ponto de Apoio.

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Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.5

9-9.6
3 de dezembro de 2013.

Duas naves partiram para o Pólo Norte.
Vão fazer estudos meteorológicos e geográficos por um ano marciano. São grupos familiares somando 36 pessoas; com um veículo marciano e alojamentos. Levaram uma aeronave de reconhecimento adquirida aos marcianos e um gerador. As naves retornaram após a descarga.

Ao dia seguinte, as mesmas naves partiram com uma expedição idêntica, porém desta vez com 32 pessoas, ao pólo Sul, onde agora é inverno.

As bases permanentes nas duas regiões críticas mais frias do planeta servirão para controlar melhor o clima e saber tudo o que acontece. Farão a previsão do tempo por meio dos novos satélites, lançando dados no sistema.

A população ociosa da base praticamente não existe. Há 71 mulheres e 83 homens com trabalho fixo. Nos pólos há 68 pessoas e nas luas 84. A expedição a Ceres levou 46 camaradas.

Há 352 pessoas trabalhando nos setores críticos, inclusive na estação orbital. Isso sem contar que na fábrica de aviões robotizada há 10 pessoas e na fabrica de naves outras 15.

Sobram 109 homens, mulheres e crianças, ainda disponíveis, já que a maioria dos homens é piloto de combate ou soldado. O resto deles; são técnicos especializados e astronautas de serviço.

Dentre estes, Aldo deverá escolher os seus tripulantes.

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Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Hoje há 10 anos: Star Wars Episódio II.

Uma reportagem retrô
Por Richard Corliss e Jess Cagle
TIME
25 de abril de 2002
(Reeditada e traduzida por MJS em 2012)

(click nas imagens para aumentar)

Talvez George Lucas devesse sair mais. Nos últimos três anos, enquanto comandava seu império multimídia de seu reduto palaciano no Rancho Skywalker, em Marin County, Califórnia, ele viveu o sonho adorável de que seu filme de 1999, "Star Wars: Episódio 1 -A Ameaça Fantasma", era universalmente amado. Mas ultimamente, os jornalistas o sacudiram até acordar. "Atualmente estou aprendendo com a imprensa", disse ele. "Eles vêm e dizem: 'Uau, as pessoas odiaram seu filme. O que você acha disso?'".

É isso o que acontece quando o Mágico de Oz dá entrevistas. Mas o primeiro "Guerra nas Estrelas" de Lucas em 16 anos foi vítima de sua própria badalação gigantesca, estimulada por um zilhão de histórias de capa, incluindo a da Time, antes mesmo de qualquer um ter visto o trabalho concluído e pela lembrança coletiva dos espectadores de todo mundo de "Guerra nas Estrelas" (1977) e suas seqüências, "O Império Contra-Ataca" (1980) e "O Retorno de Jedi" (1983). Se a "Odisséia" desfrutou -ou sofreu- da mesma badalação antecipada exagerada que a "Ameaça Fantasma", alguns grego antigos certamente disseram, "Homero se equivocou". E o poeta certamente teria se defendido exaustivamente, como Lucas faz hoje.

Ele provavelmente acha estranho que lhe peçam para justificar um filme que arrecadou US$ 431 milhões apenas nas bilheterias norte-americanas, atrás apenas de "Titanic", do "Guerra nas Estrelas" original e de "E.T., o Extraterrestre" na lista das maiores bilheterias de todos os tempos.


Mas o roteirista-produtor-diretor-megaintelecto - que nas horas de folga comanda uma conglomerado que inclui a produtora Lucasfilm, a produtora de efeitos visuais Industrial Light & Magic (ILM) e estúdio Skywalker Sound- disse que sempre esteve ciente de pelo menos um risco de "Ameaça Fantasma":

O de que Anakin Skywalker, o cavaleiro jedi em treinamento que se transformará no sinistro Darth Vader, era uma criança. "Eu disse: 'Eles vão odiar isso. Eles vão ficar realmente irritados por eu apresentar um herói de 9 anos'. Mas o que posso fazer? Esta é a história. Eu não posso fazer com que tenha 15 anos. A história gira em torno de quem ele é, de onde ele veio. Você precisa começar do princípio".


Agora, com a estréia de "Star Wars: Episódio II -Ataque dos Clones" em 16 de maio, a fábula de Anakin chega à metade, ao recheio, à história de fato. O passado foi um prólogo modesto, como "O Hobbit" de Tolkien para sua saga "O Senhor dos Anéis". Em "Clones", Anakin (o ator canadense Hayden Christensen) está com 20 anos, um jovem adulto com talentos superiores e ambições ainda maiores, irritado diante da tutelagem rígida de seu mentor, Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor), e ousando arriscar seu status na Ordem Jedi, que proíbe relacionamentos românticos, buscando uma paixão imprudente com a senadora Padme Amidala (Natalie Portman). Eles se esquivam do possivelmente traiçoeiro senador Palpatine (Ian McDiarmid), e enfrentam o jedi rebelde Dooku (Christopher Lee) e seus dróides com um exército clonado do vil caçador de recompensas Jango Fett (o ator maori Temuera Morrison).

Lucas, que fará 58 anos dois dias antes da estréia do filme, tende a se preocupar; ele até mesmo chegou a pensar que "Ameaça Fantasma" seria um desastre de bilheteria. "Só há uma preocupação para o cineasta", disse ele.

"Será que este filme recuperará o investimento para que eu possa fazer o próximo? Com 'Ameaça Fantasma' nós não sabíamos. Ele não contava com Harrison Ford, Mark Hamill, Carrie Fisher. Não era algo certo". Pode até ser, mas mesmo assim, o novo filme parece como Shaquille O'Neal a um metro da cesta. Apesar de enfrentar uma dura concorrência do "Homem-Aranha" duas semanas antes -e nas semanas seguintes, de "Homens de Preto II", "Austin Powers in Goldmember", e "Minority Report", este dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Tom Cruise- "Clones" é a aposta mais certa do verão. Apenas em termos de apelo de massa, o filme amplia o público alvo da franquia dos meninos de 12 anos (a parte de ação) para meninas de 15 anos (as seqüências românticas). Se funcionar, Lucas terá os mercados de "Guerra nas Estrelas" e "Titanic" em um único pacote.

Após assistirmos à uma montagem preliminar do filme e lermos o roteiro, nós podemos dizer que "Clones" parece destinado a recolocar a série nos trilhos - e fornecer duas horas empolgantes de diversão. Ele superará facilmente o último filme em calafrios (quando duas criaturas centípedes nojentas chamadas "kouhuns" rastejam na cama onde Padme dorme) e emoções (quando Anakin e Obi-Wan perseguem a caçadora de recompensa Zam Wessel pelo maravilhosamente diverso cenário urbano noturno de Coruscant).

"Clones" está lotado de centenas de criaturas geradas por computador, de novos astros digitais como o cozinheiro de quatro braços Dexter Jettster até os familiares, Yoda, Watto e Jar Jar Binks, a criatura irritante em torno da qual a decepção em torno de "Ameaça Fantasma" se cristalizou. Lucas atribui a culpa pelo sentimento anti-Jar Jar aos "sujeitos de 37 anos que passam o tempo todo na Internet.

Mas é preciso lembrar que quando fizemos 'O Império Contra-Ataca', algumas pessoas odiaram C-3PO. Quando fizemos 'Jedi', eles odiaram os Ewoks. Não havia Internet para disseminar isso, mas o papo era o mesmo. Os fãs têm suas opiniões, e isto é bom. Mas não posso fazer um filme para os fãs". Todavia, Jar Jar tem um papel bem menos proeminente desta vez.
Nos cinemas você ouvirá um viva dos Binkófobos quando, ao fazer uma anedota, Padme o interrompe bruscamente.

Yoda também poderá ser alvo de algumas críticas, já que não é mais o querido marionete manipulado por Frank Oz. Agora ele é plenamente gerado por computador. Mas graças ao supervisor de animação da ILM, Rob Coleman, e sua equipe, Yoda está mais pensativo e ágil do que sua versão anterior, como quando lança um olhar cético diante de um comentário do senador Palpatine. E quem imaginaria que nosso sábio sedentário seria um artista marcial tão hábil, com manobras de sabre de luz tão velozes quanto seu discurso é tortuoso? Um Gandhi transformado em Rambo, Yoda é o verdadeiro herói de ação do filme.

Mas será que podemos chamá-lo de filme? Lucas parece disposto a tornar a palavra obsoleta: "Clones" é de longe o filme mais ambicioso a ser rodado e, em certos cinemas, exibido com tecnologia digital. Para uma indústria cinematográfica que tem sido lenta na adoção do cinema digital, "Clones" anuncia um avanço que Lucas compara ao advento do som e à chegada da cor. Os
magos da Lucasfilm, Panavision e Sony uniram sua experiência para conceber lentes e câmeras sofisticadas que permitem imagens digitais capazes de substituir o filme de 35 mm tradicional. O resultado é uma imagem estarrecedoramente clara, que dá um glamour hiper-real à cidade de Coruscant e aos cenários pastorais do planeta natal de Padme, Naboo.

Lucas pode ser obcecado por tudo o que é digital, mas neste filme ele e o co-roteirista Jonathan Hales também parecem plenamente engajados com seus personagens de carne e osso. Obi-Wan, na forma de um barbado Ewan McGregor, está crescendo em sua autoridade moral e juízo mal-humorado, que Alec Guinness projetava como o Kenobi mais velho em "Guerra nas Estrelas". Sua preocupação com Anakin tem um toque paternal. Na perseguição noturna em Coruscant, Anakin é o adolescente fanático por carros de muitos filmes de Lucas, e Obi-Wan é o pai nervoso do demônio da velocidade que lamenta ter dado ao filho as chaves do sedã da família.

Quanto a Padme e Anakin, eles podem ser o primeira dupla romântica plausível na filmografia de Lucas. A história deles é a da chegada à maioridade: a lenta compreensão de Padme de que o menino de 9 anos que ela deixou para trás cresceu. A princípio ela rebate o ardor dele ao chamá-lo pelo seu antigo diminutivo, Annie -um apelido de menina, uma gentil desvirilização- e lhe dizendo, "você sempre será o menininho que conheci em Tatooine". Ele não ajuda a si mesmo ao falar em casamento em toda oportunidade. (Há algo menos sensual do que declarar devoção?) Mas gradualmente, Padme, seduzida pela sagacidade de Anakin e sua impressionante habilidade marcial, percebe que eles estão destinados a ficarem juntos. E não apenas porque o público sabe que serão os pais de Luke Skywalker e da princesa Leia. À medida que a galáxia caminha rumo à catástrofe, a iminência de uma guerra total os une, dá o peso emocional ao amor jovem deles, torna o romance mais urgente.

O Anakin de "Clones" é um sujeito atraente, cheio das contradições de um homem jovem. Ele respeita a ética Jedi ao mesmo tempo em que se esforça para driblar sua rigidez; ele ama tanto sua mãe distante quanto a tentação real ao seu lado; ele pratica um massacre vingativo mas sente remorso por tê-lo feito; ele desarma e é, literalmente, desarmado. Mas no final de "Clones", Anakin ainda é um cavalheiro intrépido e decente, distante anos-luz do maléfico Vader.

Então como Lucas, que antes criou o angelical Luke, transformará seu novo herói em Lúcifer? "Ele se torna Darth Vader porque passa a se apegar às coisas", disse Lucas. "Ele não consegue se desapegar de sua mãe; ele não consegue se desapegar de sua namorada. Ele não consegue se desapegar das coisas. Isto torna você avarento. E quando você se torna avarento, você está no caminho do lado negro, porque você passa a temer perder as coisas, a temer que não terá o poder que necessita".

Por trás das três linhas de ação, romance e desenvolvimento de personagem se encontra um senso de drama político, prenunciado em "Ameaça Fantasma". Se aquele filme tinha uma mensagem, era: evite reuniões. O filme freqüentemente se arrastava com seu falatório senatorial, que era tão atraente quanto uma audiência preguiçosa sobre mensagens não solicitadas na Internet. A política também é importante em "Clones", mas como um debate envolvendo três partes: o idealismo de Padme colidindo com o cinismo de Obi-Wan e com o "realpolitik" de Anakin.

Obi-Wan lembra John McCain falando sobre a reforma do financiamento de campanha: "Digo por experiência que os senadores se concentram apenas em agradar aqueles que financiam suas campanhas (...) e de forma alguma temem esquecer os refinamentos da democracia para obterem tais recursos". Padme, em uma cena do filme, soa como Kofi Annan pedindo a favor dos palestinos
quando diz ao Senado: "Se você oferecer violência aos separatistas, em troca eles só poderão nos mostrar violência! Muitos perderão suas vidas. Todos perderão sua liberdade". Anakin, como Brutus pouco antes dos Idos de Março, diz que se o Senado não consegue resolver suas diferenças, "então devem ser forçados a isso". Mas por quem? "Alguém sábio", diz ele. Padme pondera:
"Isto soa como uma ditadura para mim".

E qual é a posição de Lucas nesta polêmica política? "Eu pendo mais para o lado liberal", disse ele. "Eu cresci em São Francisco nos anos 60, e minhas posições foram moldados por aquilo... Se você olhar para 30 anos atrás, há certas questões com os Kennedys, com Richard Nixon, que sempre atraíram meu interesse". A própria geopolítica de Lucas pode soar um tanto desoladora:
"Todas as democracias se transformaram em ditaduras - mas não por golpe. As pessoas entregaram sua democracia para um ditador, seja Júlio César, Napoleão ou Stalin. No final, a população em geral acompanha a idéia... Que tipo de coisas conduzem as pessoas e instituições nesta direção?"

Em "Clones", Lucas segue um caminho que busca responder a tal pergunta.
"Esta é a questão que estou explorando: como a República se tornou o Império? Isto corre paralelamente a como Anakin se tornou Darth Vader? Como uma pessoa boa se torna má, e como uma democracia se transforma em ditadura?
O Império não conquistou a República, o Império é a República". Os comentários de Lucas tornam mais claras as ligações entre a trilogia de Anakin e a trilogia de Luke: a de que o Império nasceu da corrupção da República, e que alguém tinha que combatê-la. "Um dia a princesa Leia e seus amigos acordaram e disseram, 'Isto não é mais a República, é o Império. Nós somos os vilões. Bem, nós não concordamos com isto. Esta democracia é uma enganação, está tudo errado'".

Lucas descreve o Império como se fosse o fascismo opressivo, de fórmica branca sobre branca, de seu primeiro filme, o ousadamente desolador "THX 1138". Em 1970, Lucas e seu mentor, Francis Ford Coppola, estavam na vanguarda de sua geração. Eles eram formados em faculdades de cinema que esperavam transformar a indústria do cinema em arte. Certamente estes garotos revolucionários criariam um cinema adulto, audacioso, pós-Hollywood.

Mas é um truísmo dos diretores americanos: você se torna quem você é.
Coppola, o ex-diretor teatral e filho de um músico clássico, pegou a estrada artística, fazendo filmes operísticos, centrados em atores, que às vezes encontraram um público mais amplo ("O Poderoso Chefão", "Apocalypse Now").
Lucas, que na faculdade escreveu um tema que começava assim, "Era uma vez na terra do Zoom...", e que amava mexer em carros, representou sua adolescência em Modesto, Califórnia, em "American Graffiti -Loucuras de Verão". Então ele recriou suas amadas revistas em quadrinhos e seriados B de sua juventude em "Guerra nas Estrelas", um filme tão estilizado e estéril quanto uma animação abstrata, porém uma aventura potente o suficiente para agradar às massas.

As crianças que assistem aos novos filmes da série Star Wars podem achar que os filmes sempre foram assim, porque a maioria se assemelha a eles agora.
Mas o primeiro épico Jedi de Lucas foi, à sua maneira, revolucionário. Ele estabeleceu a ficção científica como um gênero popular e adolescentes como o público que gera os grandes sucessos, ao correrem para comprar os ingressos das primeiras sessões e voltando repetidas vezes. Ele incitou a indústria de brinquedos com seu grande número de personagens. "'Guerra nas Estrelas' tinha tudo a ver com brinquedos", disse Brad Globe, executivo de merchandising do estúdio DreamWorks. "Não se limitava apenas a um personagem ou um veículo; um mundo inteiro foi criado, sendo posteriormente ampliado a cada filme".

Graças a Lucas e sua equipe brilhante, os efeitos especiais se tornaram a mais bela nova ferramenta do estojo de tintas cinematográfico. "Guerra nas Estrelas" convenceu os cineastas de que era possível fazer qualquer coisa maior e melhor para aprimorar a cena", disse Jason Barlow, principal animador por computação gráfica da empresa de efeitos R!ot. "Agora, com a tecnologia digital, mágica de verdade pode virar realidade". O filme até mesmo mudou a forma como filmes são financiados. O crítico cultural John Seabrook destaca: "Devido ao seu estrondoso sucesso de bilheteria, ele despertou interesse entre as pessoas de Wall Street, que antes viam Hollywood como peixe pequeno. Os números de 'Guerra nas Estrelas' trouxeram uma nova variedade de investidores e gerentes financeiros para a indústria cinematográfica".

Lucas se tornou o menino de ouro de Hollywood. Ele podia dirigir o que bem quisesse, em uma época em que diretores estavam sendo canonizados como artistas-autores. Ao invés disso, Lucas transferiu as rédeas da direção de "O Império Contra-Ataca" para Irvin Kershner, um diretor de meia-idade de dramas pequenos. Por que ele fez isso?

Porque ele estava muito ocupado. "Eu me vi tendo que desenvolver muitos desenhos de produção para 'Império' e cuidar do roteiro enquanto também iniciava uma série de empresas -a ILM, Skywalker Sound e Lucasfilm. Eu estava abrindo uma empresa de videogames. Eu estava desenvolvendo a edição digital de filmes. Na mesma época eu estava inaugurando a Pixar" - sim, ele foi o dono original desse estúdio pioneiro de animação por computador, e depois o vendeu para Steve Jobs em 1985 - "e lançando a animação digital e o cinema digital. Eu também estava trabalhando em 'Caçadores da Arca Perdida'", do qual foi produtor-executivo e co-roteirista. "E eu estava financiando sozinho um filme". Depois de "Guerra nas Estrelas", Lucas decidiu ser seu próprio chefe, ser o dono de seus filmes. Com a renda de seu filme de sucesso e seus produtos derivados ainda mais rentáveis, ele pagou sozinho por "Império", e então o arrendou para a 20th Century Fox.

Quando trabalhou para os estúdios de Hollywood, Lucas se irritou com a forma como remontaram "THX" e "Graffiti". Depois de "Guerra nas Estrelas" ele tinha o poder e a ousadia para insistir que dali para frente, Hollywood trabalharia para ele.

"Basicamente, 'Império' foi minha forma de dizer, 'Eu não vou submeter minhas idéias novamente aos outros. Elas não vão mais me dizer como editá-las ou falar sobre estudos de mercado. Eu não vou viver naquele mundo'. Eu tinha esta oportunidade fantástica de me tornar completamente
independente, e eu a aproveitei".

Em 1983, Lucas também teve que lidar com o fim de seu casamento de 14 anos com Marcia Griffin Lucas, que trabalhou como montadora em "Graffiti" e nos três filmes da série Star Wars. Eles dividiram a paternidade da filha adotada, Amanda. Lucas passou os 12 anos seguintes cuidando de Amanda e de outras duas crianças que adotou sozinho, Kate e Jett. Ele colocou a saga Star Wars de lado e, ele disse, "decidi fazer algo diferente na minha vida.
Eu produzi muita coisa para TV; produzi filmes. Eu fiz outras coisas que eram mais conducentes com a criação de filhos".

"Eu achei muito difícil", disse Lucas sobre ser pai solteiro de Kate e Jett.
"'Será que posso fazer isso? Será que devo?' Crianças crescem sem mães, crianças crescem sem pais, mas é melhor para elas terem os dois. Eu agonizei em torno do assunto, mas nunca mais o questionei desde então. A partir do momento em que você passa a fazer parte de uma família, tais preocupações passam a ser insignificantes. Meus filhos não têm uma vida perfeita. O pai deles é mais famoso do que deveria, e eles não têm uma mãe, e eles precisam superar isso. Mas não estou certo de que em um mundo perfeito teria sido de alguma forma diferente. E não há mundo perfeito".

Apesar de seus interesses cinematográficos - não apenas as empresas, mas também o personagem Indiana Jones de "Caçadores", que gerou mais dois filmes e uma série de TV- ele permaneceu, e continua sendo, um pai dedicado em tempo integral. Mas ele tinha um cria negligenciada, a saga Star Wars, que precisava de sua ajuda para crescer. Lucas começou a escrever a nova trilogia em 1994, com "Ameaça Fantasma". Desta vez, ele a dirigiria.

Assim que concluir "Clones", Lucas dedicará seu tempo em que não atua como pai ao episódio final da série, no qual Anakin se rende - ou ascende - ao Lado Negro. "O próximo filme será realmente sombrio", disse ele. "A questão é, será que as pessoas o apoiarão? Mas eu preciso contar a história. E quando eu terminar, terei 60 anos. Há muitas coisas que quero fazer na minha vida além disto. Há uma série de programas de TV que eu gostaria de fazer. Há meia dúzia de filmes que ficaram na minha cabeça nos últimos 30 anos. Alguns deles são extremamente não comerciais; pode ser que nem os lance. No momento estou em uma posição onde posso dizer, eu vou fazer este filme porque eu quero assisti-lo. Faremos algumas exibições e ponto final. Ou lançar
diretamente em DVD ou no Independent Film Channel (canal do filme independente)".

Lucas, o pai responsável, o diretor renascido, agora parece ansioso em redescobrir parte de sua juventude: a de fã de filmes de vanguarda. Assim talvez não importe que o Sábio do Rancho Skywalker não passe muito tempo no fuliginoso mundo real. Ele está muito confortável vivendo onde mora: naquele mundo brilhante de fantasia -prolífico, galáctico, ainda não totalmente mapeado- conhecido como a mente de George Lucas.
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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.4

9-9.4

2 de dezembro de 2013.
Primavera em Marte.


Aldo morava sozinho. Agora sobrava espaço no Ponto de Apoio. Depois do banho preparou seu café e sentou à mesa junto à janela de onde podia ver quase todo o acampamento. Pensava em Elvis e Marcos, que tinham projetos para o futuro.

Ambos pretendiam casar-se com as suas respectivas namoradas, Linda e Bárbara. Sabia que teria que prescindir deles no futuro próximo. Outros membros do grupo principal tinham planos semelhantes e por isso não seria fácil a escolha da tripulação para ir a Júpiter e para a frota que voltaria para iniciar a guerra de libertação.

Aldo queria seguir para Júpiter. Era compulsivo nele. Não tinha muita vontade de voltar à Terra para lutar, depois de ver o que lhe aguardava lá fora. Mas, pessoas valiosas como seus irmãos ficariam fora dos seus planos. Isso era evidente.

Estava triste por não ter tempo para si próprio. Pensava em Inge, sua namorada da infância e na jovem Chiyoko; no sentimento que ambas lhe inspiravam.

Talvez, se abandonasse tudo e escolhesse uma delas, poderia viver para sempre aqui, tendo e criando filhos, como tantos outros camaradas decidiram fazer. Mas era fantasia.

Chiyoko era uma pecaminosa fantasia sem futuro devido à incompatibilidade de raça e cultura. Essa moça gostava dele e sem dúvida do mesmo jeito, mas no momento em que fizessem sexo para satisfazer esse capricho, estaria tudo acabado. Sabia disso como homem.

Em câmbio com a jovem sacerdotisa Ingeborg a coisa era diferente. Era amor verdadeiro. E ele o sabia. Além disso, o doutor Valerión esperava que Aldo; em quem depositara toda sua confiança; cumprisse sua próxima missão, a viagem a Júpiter, apoiasse a expedição a Ceres e construísse aviões de caça para à futura frente de batalha. Esperava-se dele tudo o que se espera de um Líder...

De repente, seu cérebro iluminou-se como se um raio o tivesse atravessado; Valerión nunca disse que ele, Aldo, deveria voltar para combater. Voltar à Terra para lutar contra o inimigo era apenas uma ilusão que o cientista colocara na sua cabeça para animá-lo.

Aldo agora compreendia o plano grandioso de Valerión: seu destino era estabelecer as cabeças de ponte, mas nunca ficar nelas. A jovem Ingeborg Stefansson pensava como ele. Com ela tudo isto seria possível, nunca com outra.

Muito menos com uma garota totalmente diferente; com filosofia, cultura, raça e pensamento completamente estranhos para ele. Não. Decididamente, Chiyoko só exercia sobre ele uma forte atração sexual e nada mais. Aldo deveria sobrepor-se ao sentimento animal, primitivo, impróprio de alguém que tinha tanto a fazer.

Deveria pensar mais nos conselhos do Doutor Valerión, seu Mestre.

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Nestas meditações encontrou-o Lúcio quando entrou no alojamento.

–Bom dia, Aldo. O que temos para hoje?

–Preparar a Hércules, carregar 1.177.000 litros de fluído e 400 toneladas de mantimentos, 200 toneladas cúbicas de água comprimida, 150 toneladas de oxigênio e mil de equipamento. Está tudo detalhado no sistema: três iglus de última geração, o Jeep Lunar, seis aviões CH-II, com todo o armamento; equipamento normal para locais desconhecidos; conversor de oxigênio, processador de hidrogênio, processador de concentrado, já que vamos levar barris do mesmo; perfuratrizes, armas, satélites de comunicação, radiotelescópios, antenas, etc. Como para um novo começo.

–Será a maior aventura que já realizamos, guardadas as proporções...

–A Hércules é a maior e mais completa nave de exploração e guerra que já construímos, Lúcio. Não esqueça que vamos muito longe e vamos ficar muito, mas muito tempo mesmo sem abastecimento.

–De fato. E a tripulação?

–Esse é meu problema, Lúcio. Não sei quem escolher.

–Temos muita gente, mas não todos estão dispostos a abandonar a comodidade de que agora gozam para meter-se numa nova aventura. Mas sempre tem alguém...

–Há muitos que já não querem aventuras. Fartaram-se delas e estão a fim de estabelecer-se aqui definitivamente. A idéia da maioria sempre foi essa, além do mais, no domingo oito de dezembro, teremos casamentos católicos no acampamento.

–Quem vai casar?

–Há uma lista, até de nossa gente; mas os nossos não serão casados pelo padre. Eu os casarei, porque sou a máxima autoridade. Inge fará as cerimônias odínicas. Para isso ela é a nossa Reverenda sacerdotisa.

–Eu e Eva vamos casar, então.

–Do nosso grupo só faltavam vocês dois.

–E você e a Inge?

–Nós?... Não podemos, Inge e eu temos que casar vocês todos...

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Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.3

9-9.3

Aldo não era nada diplomático, mas devia apurar o amargo cálice em nome do protocolo. Após duas horas de conversa nesse teor, cansou de lidar com esses seres tão desconfiados, mas finalmente teve a oportunidade de oferecer seu ferro:



–O metal que tenho para negociar é vital para vocês. Nossa aliança e amizade podem começar hoje; já que vocês acreditaram e construíram o astroporto. Eu fabrico as naves, treino os pilotos e vocês virão a ser os primeiros astronautas do mundo.


Lon Vurián traduziu estas palavras e eles se maravilharam ao saber qual era o carregamento da nave e a quantidade. Lon Der-Sur, perguntou em espanhol:


–Você disse negociar?


–Sim. Quero fazer a primeira de muitas compras.


–Você deve de saber que não usamos o mesmo sistema de troca que vocês usam no seu mundo, presumo – disse Lon Der Sur.


–Presume corretamente.


–O que vai querer em troca?


–Armas e munições.


Lon Vurián ficou pálido e suas pupilas contraíram-se. Seu nariz dilatou-se à procura do ar rarefeito. Lon Der-Sur não demonstrou emoção. Ficou em silêncio, olhando os rostos dos seus conterrâneos que não entendiam o diálogo em espanhol.


–Para quê vocês querem essas armas? – perguntou Lon Der Sur.


–Preciso armar meu pessoal com as armas simples e leves que vocês fazem e também meus aviões de caça e naves com os canhões de energia phaser.


–Se vocês têm armas poderosas, por qual motivo querem as nossas?


–Meus técnicos disseram que vossas armas são mais leves, práticas, certeiras, simples e fáceis de fabricar do que as nossas, que são pesadas, ocasionam demasiada destruição, fazem muito barulho e não pretendo fabricá-las aqui por enquanto.


–Não entendo por quê vocês já não fabricaram armas como as nossas.


–Temos lasers, mas são pesados e complicados, devem ser instalados em naves porque precisam muita energia. Vossos phasers são leves, eficazes e fáceis de manipular. Suas células de energia são menores e mais eficazes do que as nossas, que são radioativas, instáveis e perigosas. Além disso, seu equipamento já está fabricado e sabemos que vocês têm uma fábrica no Magta Ers. Não posso ocupar meu pessoal nisso. Fabricamos aviões de caça, que são mais urgentes. Vocês bem que podem fabricar nossas armas e outros equipamentos para a guerra que virá.


–Temos uma fábrica antiga, mas eficiente para nossa defesa – disse Lon Der-Sur – Contra quem serão usadas? Contra seus inimigos no seu mundo?


–Sim.


–E se nós recusarmos?


Aldo perdeu a paciência e falou em gopaki, baixinho, no ouvido do outro:


–Nesse caso, bombardearemos esta cidade, ocuparemos a fábrica que está na beira do canal, deixaremos vivos alguns poucos de vocês para trabalhar como escravos e colocaremos uma tropa armada para dirigir a produção e para caçar e matar aqueles de vocês que a radiação já não tenha matado.


Lon Der-Sur empalideceu e suas pupilas contraíram-se ao tempo que seu nariz dilatava-se. Procurou os olhos de Lon Vurián com a vista. Este disse, muito sério:


–Ele pode fazer isso.


–Posso mesmo – disse Aldo – mas depois seria constrangedor para minhas relações com os bons amigos que fiz aqui, como os nobres angopakis. Não poderia olhar para eles como amigos e eles teriam um justificado medo de mim. Isso é a última coisa que eu quero; perderia a confiança que tenho neles. Mais cedo ou mais tarde seria obrigado a acabar com toda vida inteligente neste mundo para não me incomodar no futuro, como era meu plano original. Meus deuses não iam gostar disso.


–Mas ameaçando, você está sendo contraditório.


–Talvez, mas não tenho tempo a perder. Minha política é não ocasionar mal aos gopakis e nenhum mal foi causado desde que estou aqui. Nem sequer me vinguei do hariezano safado que destruiu minha fábrica. Prefiro pedir educadamente antes de usar a força. Minha amizade e confiança podem ser compensadoras para vocês, como foram para Lon Vurián. Vocês nada têm a perder e muito a ganhar comigo. Lon sugeriu que eu ensine vocês a navegar no espaço; ele quer criar uma escola espacial aqui. Seria uma pena sermos inimigos quando temos tanto para fazer e todo um universo lá fora para conquistar juntos. Além disso, Lon gosta dos darnianos. Se não gostasse, vocês todos agora estariam mortos, em lugar da perspectiva de trabalho que ofereço. Lon disse que posso confiar em vocês. Espero não estar enganado.


–Quantas armas querem por esse carregamento?


–Mil fuzis com cem mil recargas, duas mil pistolas com duzentas mil recargas, cem canhões com cem mil recargas, conversores para recarregar todas essas armas e peças de reposição. Penso que não é demais para vocês, mas é suficiente para nossas necessidades imediatas – disse Aldo, satisfeito pelo seu aparente êxito.


–É muito...!– Lon Vurián parecia que ia desmaiar, procurando ar.


–Sim – cortou Lon Der-Sur – terá as armas. Vou falar com os Executores.


Aldo e Mara olharam-se. Aldo desligou o microfone e fez Mara imitá-lo.


–Agora não podem ouvir-nos.


–Diga.


–Viu como três mil toneladas de ferro valem?


–As armas também devem valer, mas penso na ameaça que você fez.


–Estou aprendendo a lidar com eles, Mara. Respeitam a força e nós devemos mostrar que somos fortes.


Passaram alguns minutos antes que um grupo de nativos bem vestidos; com certeza Notáveis, se aproximassem, precedidos por Lon Der-Sur.


–E então? – perguntou Aldo.


–Já foi dada a ordem e os veículos de transporte estão sendo carregados no depósito da fábrica do Magta Ers.


–Ótimo.


–E outros estão a caminho para pegar o metal.

*******.


A Nave foi descarregada e volta a carregar. A última caixa de fuzis, fiscalizada por Lon Vurián, entrou na Hércules, já com luz artificial gerada pela nave, que feria os olhos dos marcianos costumados às tristes lâmpadas que imitavam o distante Sol.


Os terrestres contemplavam os trabalhadores estivando a carga nos porões da nave, num espetáculo insólito, inesquecível. Não sabiam que era um momento histórico, a criação de uma profissão: os Estivadores de Marte.

O astroporto de Darnián seria conhecido no futuro como o primeiro astroporto marciano da Era Moderna e o mais importante do Sistema Solar.

Tarde da noite a Hércules lançou-se ao céu com seu carregamento de armas. Chegaram no Ponto de Apoio após a meia-noite. Aldo fez levantar da cama o pessoal de solo para descarregar e acomodar a carga nos depósitos subterrâneos. Ao sair o sol, a nave estava descarregada.
Só então, Aldo foi dormir.

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Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

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