sexta-feira, 6 de abril de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 8-8.9

8-8.9
14 de novembro de 2013.

Lídia e Aldo debatiam o plano original de terra-formação de Valerión; semear microorganismos produzidos por engenharia genética em Antártica. Havia 1000 kg. de bactérias mutantes congeladas num container em órbita; que uma vez no solo iriam reproduzir-se vertiginosamente até multiplicar-se mil vezes num dia e cobrir o planeta extraindo dióxido de carbono.


Depois seriam introduzidas cianobactérias para produzir oxigênio e logo depois bactérias mutantes produtoras de nitrogênio. Com isto a luz solar quebraria as moléculas de oxigênio nas partes altas da atmosfera para criar uma camada de ozônio capaz de proteger o planeta contra a radiação ultravioleta. Isto produziria chuvas suaves e serviria para encher os locais baixos como, por exemplo, o Vallis Marineris, no qual poderiam semear-se corais que absorvem o gás carbônico.


Depois seriam introduzidos fungos, vegetais e insetos para polinizá-los. Esta parafernália científica estava congelada em órbita. O plano fora deixado de lado à espera de outro destino já que o clima não era inclemente e a radiação ultravioleta não era mais significativa do que nos locais altos da Terra. Além disso, não se contava com os nativos. O Vallis Marineris cheio de água significaria a morte de Angopak.


–Quer dizer que a natureza marciana admite o aumento de oxigênio?


–Sempre o admitiu, capitão. Adaptou-se a consumi-lo em pequena quantidade. Aumentando a dose os organismos vão se adaptar. Ajudaríamos o planeta a recuperar o equilíbrio perdido.


–Como chegou à essa conclusão?


–Durante o dia as plantas consomem dióxido de carbono e produzem oxigênio em grandes quantidades, como na Terra. À noite os vegetais entram em letargo e sua atividade produtora de dióxido de carbono diminui. Se encontrássemos uma forma de ajudar à natureza, poderíamos fazer respirável a atmosfera introduzindo oxigênio.


–Pelo que você diz, aqui deveria haver oxigênio de sobra, como explica isso?


–Ele se combina com o hidrogênio da atmosfera e desce à noite como umidade, oxidando o solo. Se aumentássemos a densidade atmosférica, a temperatura iria mais uns três ou quatro graus acima, com sorte oito; e seria tolerável para nós.


–Isso não será difícil já que nossa produção de oxigênio aumentou e o estamos jogando fora pela chaminé da fundição de ferro que o produz como resíduo industrial já que não temos mais onde armazená-lo.


–Sei disso. Daqui a uns anos será possível tirar os capacetes.


–Quantos anos, doutora?


–Talvez cinqüenta.


–E os nativos?


–Eles se adaptarão. Há milênios eles podiam respirar em Ran, que pelos dados que você conseguiu em Angopak, tinha uma atmosfera quase similar à terrestre. O professor Von Kruger e eu fizemos experiências com animais e conseguem respirar nossa mistura. Poderíamos colocar um humano e um marciano juntos numa nave, apenas regulando o suporte de vida num ponto intermediário de pressão e temperatura que ainda estamos estudando.


–Parabéns, doutora. Você e o professor acabam de ganhar um bilhete de primeira classe para Júpiter.

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