sexta-feira, 27 de abril de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.2

9-9.2

Os darnianos eram um povo diferente; governado por uma casta de intelectuais desconfiados, fleumáticos e orgulhosos. Diferenciavam-se até no modo de vestir.

Suas roupas de uso diário, soltas e coloridas eram mais artisticamente elaboradas do que as espartanas e funcionais roupas de Hariez ou as simples e rústicas roupas de Angopak.

Apenas as excelentes botas de couro de wok trabalhadas artisticamente; fortes e funcionais, providas de bolsos e compridas até metade da coxa, pareciam comuns a todos eles; talvez imprescindíveis para caminhar nos desertos.

Usavam seus cabelos compridos amarrados em complicados laços ou artisticamente trançados. Ostentavam brincos nas orelhas e anéis nos dedos, enquanto os angopakis nada usavam de enfeite, assim como os hariezanos; que só colocavam brincos em ocasiones especiais.

Os angopakis cortavam o cabelo rente ao crânio e enfeitavam as botas com desenhos rústicos. As botas dos hariezanos careciam de qualquer enfeite a não ser simples gravuras em alto relevo e cortavam o cabelo em complicados desenhos, talvez a única marca de distinção que estes sofridos seres se permitiam.

Aldo procurou ser convincente:


–Não, não perseguimos os pioneiros.


–Não? – Os olhares dos Executores demonstravam sua natural desconfiança.


–Para dizer verdade – disse Aldo – nós nem sabíamos da sua existência, a não ser algumas velhas lendas românticas nas quais não acreditávamos; sobre uma viagem, que para nós; na época em que foi dito que isso aconteceu, era impossível. Isso não foi divulgado após a guerra. Os vencedores nada disseram ao resto do mundo.


–Não entendemos como isso pode ser possível – disse um dos Executores.


Aldo armou-se de paciência. Não seria fácil, porque ele, educado em ciências exatas, não conhecia bem a história das guerras do século XX, e o confessou:


–Não sou versado em história. Sou um capitão do espaço. Minha formação é essencialmente técnica. Na base temos professores que sabem mais. Se vocês quiserem posso mandar alguns. Tudo o que sei sobre isso é o que li num comunicado que recebi do meu mestre, um cientista notável que fez nossa região passar à frente de outra, que governa tiranicamente a maior parte das regiões... E são muitas, a Terra é maior que Gopak, há mais de cem regiões diferentes...


–Sabemos que falam muitos idiomas – disse o darniano.


–O que sempre ouvi dizer, eu, que não sou perito em História; é que, após vencerem a guerra; os inimigos dos pioneiros assumiram o controle total do mundo, com o que as notícias e as comunicações, tiveram que ser censuradas; se vocês sabem o que isso quer dizer. Quando nasci, fazia muito tempo que isso tinha terminado. Eu nasci no mundo dos vencedores. Recentemente surgiu um poder que estava oculto desde muito tempo atrás, e foi dominando as regiões uma por uma, até transformar-se em tirania. Isto foi há pouco, já disse. Eu era bem jovem e inexperiente.


–E esse poder novo que surgiu... – disse Lon Der-Sur traduzindo a pergunta de um dos Executores – É inimigo dos pioneiros da Haunebu-3?


–Talvez seja, não sei com certeza – respondeu Aldo evasivamente – mas sei que esse poder novo é perverso e nocivo. Quando tive a idade apropriada declarei a guerra a ele. Por isso estou aqui; para encontrar espaço vital para meu povo e voltar um dia com a morte e a destruição para meus inimigos.


–E se você encontrasse os Primeiros...?


–Farei contato amistoso se eles permitirem; mas, pessoalmente, penso que não estão aqui... Engano-me?


–Não estão, não. Mas ainda se estivessem?


–Diria a eles que tinham razão em fugir; que fizeram bem. Mas falharam no seu plano de voltar; porque não voltaram para vingar-se; o que me leva a pensar que talvez não existam mais.


–Mas eles podem existir, ainda em algum lugar do universo...


–Não creio, não – disse Aldo com pouca convicção, e afirmou:


–Mas nós existimos e voltaremos para destruir a tirania. Recuperaremos nossa força aqui e daremos o golpe quando eles menos o esperem.


–Os Executores ainda não estão convencidos – disse o darniano.


Aldo levantou a voz e disse em língua marciana:


–Eu sei que vocês prezam pais e mães. Então saibam que os meus pais foram perseguidos, presos, torturados e assassinados pela ditadura terrestre...!


E acrescentou, mudando o tom; arrependido por perder seu autocontrole; o que poderia ser muito inconveniente:


–Não me interessa se vocês estão preocupados com o prejuízo que eu possa ocasionar a uns poucos e quase míticos terrestres que vieram aqui há muito tempo e quem sabe hoje se ainda estão vivos; fato que duvido e na verdade pouco me afeta; tenho mais o que fazer do que me preocupar com eles.


Aldo fez uma pausa para apreciar o efeito das suas palavras e acrescentou:


–Se não tivesse visto e tocado o que deixaram no Magta Haunebu; não acreditaria neles. Meu interesse não é a pesquisa histórica. Tenho outras prioridades.


–E quais seriam? – perguntou um dos Executores diretamente; vendo que Aldo dominava bastante bem a língua.


–Como já disse; nós também fugimos de um mundo em dissolução, de uma ditadura que domina pelo medo e a violência. Somos contrários a esse governo, somos dissidentes, rebeldes; viemos aqui para reorganizar nossa força e voltar.


–E se o governo enviar tropas para capturá-los ou exterminá-los? – interveio um outro dignitário darniano.


–Impossível! – afirmou Aldo categoricamente – Temos tecnologia superior, patrulhamos o espaço imediato e as naves deles são inferiores às nossas. Eles não têm capacidade para fazer a guerra no espaço; estão com muitos problemas internos que nossos agentes provocadores criam constantemente.


–Mas se eles dominam o planeta todo... Como pode ser que não tenham mais poder do que vocês no espaço?


–Eles não podem dominar pessoas de mente superior como nós. Seu domínio baseia-se na total ignorância dos dominados, uma plebe embrutecida e alienada por drogas e mídia, que não sabe que é escrava e tolamente pensa que é livre.


–Situação curiosa.


–Sim, – concordou Aldo – nossos inimigos não podem voltar-se à ciência se não recrutarem cérebros capacitados. Mas nós, os melhores; não gostamos de ser dominados. Por isso conseguimos ludibriá-los e fugir para o espaço. Nosso retorno será terrível para eles. A sua derrota, agora é apenas uma questão de tempo.

*******.


Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.


Compre Mundos Paralelos volume 1 clicando aqui.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 9-9.1

Capítulo IX
9-9.1

30 de novembro de 2013.

Cada uma das comunidades marcianas tinha uma característica; a de Darnián era sua vasta cultura geral. Eram exploradores, viajantes, tinham dado a volta ao seu mundo várias vezes, e apenas não se entendiam com os vizinhos de Hariez.

A cidade-estado de Darnián estava situada a quase quinhentos kms ao sul do equador, na região de Paraná Vallis. Seus habitantes não gostavam dos seus rivais de Hariez, mas ao saber que Lon Vurián e seu grupo eram renegados e aliados dos visitantes, confraternizaram sem maiores problemas. Sua reação, ao saber que os visitantes ocuparam a Zona Contestada e resistiram à violenta pressão de Hariez; foi positiva. Já que não podiam ser donos da área; era melhor que caísse em mãos dos visitantes e não nas de Hariez. Por isso concordaram em construir o espaço-porto.

A civilização darniana era a mais desenvolvida.
Observadores do espaço e possuidores de excelentes equipamentos de rádio; fazia mais de 35 anos marcianos ou 67 terrestres que captavam transmissões da Terra.

Quando fizeram contato no século anterior com os pioneiros da Haunebu-3, aprenderam a gama de freqüências das ondas de rádio terrestres e alguns idiomas. Não ignoravam que os pioneiros da Haunebu-3 fugiam de uma guerra perdida num mundo onde gente sem tecnologia espacial os derrotara; não por ter cérebro superior, maior moralidade ou justiça maior; senão pelo fato bruto e simples da sua superioridade numérica.
Tamanho barbarismo deixara-os em alerta todos estes anos; preocupados com uma invasão.

Nesse meio tempo; capturaram a nave soviética Marte 3 que fez o primeiro pouso no planeta. Isso lhes indicou que a invasão viria. As sondas americanas Viking 1 e 2 também pousaram, com o que os darnianos começaram a preparar-se, construindo armas. E não somente eles, já que a noticia da possível invasão circulou por todo o mundo. E isto se repetiu por ocasião do pouso da sonda Mars Observer, que depois de um ano perdeu contato com a Terra porque os darnianos a destruíram.

Em julho de 1997, a nave Pathfinder pousou em Ares Vallis levando o robô Sojourner, dotado de rodas. Capaz de transmitir imagens em três dimensões, o robô colheu amostras de rochas, mas assim que suas baterias esgotaram, os darnianos o capturaram.

Por tudo isso, eles conheciam bastante sobre a civilização terrestre, mas nunca tentaram contato com a Terra por medo de serem atacados mais cedo ou mais tarde. Em contrapartida, era obvio que os americanos sabiam que existia vida em Marte, mas ocultaram o fato do povo simples.

Um dos Líderes Cientistas de Darnián; Lon Der-Sur, entendia inglês e um pouco de espanhol, por ser encarregado de monitorar a Terra. Ele custodiava a sonda Viking 1 e o robô Sojourner. A Viking 2 estava em Atlantos, do outro lado do planeta, onde Darnián possuía uma estação transmissora.

Lon Der-Sur confraternizou com seu homônimo de Hariez quando o encontrou, anos atrás, numa expedição paleontológica.
Lon Der-Sur soube, pelas transmissões dos visitantes, que o idioma predominante era o espanhol. Ficou em dúvida por não saber se estes visitantes eram ou não, inimigos dos pioneiros da Haunebu-3.

Lon Vurián organizou uma caravana e foi a Darnián com alguns engenheiros terrestres para convencer os darnianos de que os terrestres vieram em paz e também para expor seus planos de construir um astroporto perto da cidade e um centro de treinamento para darnianos; dirigido pelos visitantes.

Agora, os amigos outra vez se encontraram e o hariezano atualizou o darniano com seus recém adquiridos conhecimentos sobre os alienígenas. Lon Der-Sur gostou da idéia e conseguiu das autoridades darnianas que o espaço-porto fosse construído.

Darnián, diferente de Hariez, governava-se por um sistema particularíssimo.
Havia um Parlamento ou Conselho de Quatrocentos Notáveis, acima dos quais estavam os Quatro Anciões.
Acima destes estavam os Dois Executores, e sobre eles O Líder, escolhido pelos Quatrocentos Notáveis.
Não existiam eleições, o povo acatava as determinações do governo sem questionar, porque sua autoridade era indiscutível; se existiam Quatrocentos Notáveis, era porque eles eram realmente Notáveis e suas decisões sem dúvida tinham que ser sábias.

Esta é, resumidamente, a cidade de Darnián, situada na região de Paraná Vallis, ao sul do equador, onde em poucos minutos, no seu novíssimo astroporto de tecnologia terrestre, seria vista e ouvida descendo a astronave Hércules, comandada pelo Líder antártico.
*******.


O atrito esquentou a proa até a incandescência, envolvendo-a em chamas. Os tubos de popa despediram uma grossa linha de fumaça azul ao reentrar na atmosfera.

O fogo diminuiu e a nave deslizou em direção à pista de dois mil metros da cidade de Darnián, que estava alerta para não perder o espetáculo insólito.


–Já se vê a pista, Aldo.


–Abaixe as rodas, Elvis. Pressão, Marcos?


–Dez mil unidades, normal para descer.


–Suficiente, procure mantê-la assim. Altura?


–Duzentos. Estaríamos despenteando-os, se tivessem os cabelos longos.


–Velocidade, zero ponto quatro Mach, Aldo.


–Preparados para pousar. Marcos estabilize a pressão, Elvis, vigie os sistemas interiores, Mara, está gravando?


–Desde que partimos. O computador poderá recriar cada movimento que faça no painel. Da próxima vez não precisaremos tantas precauções.


–Temos a pista embaixo de nós – informou Elvis.

*******.


Logo sentiram o contato das rodas com a pista e o assobio dos amortecedores de ar. A nave do tamanho de um Boeing 747 do século passado, embora mais curta, rodou entre a fumaça dos freios e os assobios dos amortecedores, testados ao máximo.
A pista foi aproveitada até o fim para testar as rodas. Por fim a Hércules deteve-se.
Aldo acionou os servo-motores das rodas, fazendo a nave taxiar até as construções.
Em dois demorados e teatrais minutos, chegou até o local de desembarque e a nave parou em posição de serviço ao largo da plataforma.


–Deixe o motor ligado por alguns minutos, Elvis. Mara! Venha comigo.


Os motores ficaram gerando energia. Pelos tubos saía uma incandescência azul
e ouvia-se um ruído surdo.


No edifício havia uma multidão. Lon Vurián e seu homônimo Lon Der-Sur esperavam junto às autoridades. A eclusa abriu-se e a escada automática desdobrou-se para que Aldo e sua irmã descessem. Lon Vurián e Lon Der-Sur adiantaram-se. Aldo e Mara ligaram os microfones exteriores.


–Qué sorpresa! – disse Lon Vurián em espanhol – não vi essa nave chegar!


–Não chegou. Foi construída na base. Vamos ao que interessa, Lon. Trouxe ferro para vendê-lo à comuna darniana.


–Ferro?


–Eracl. 600 kalegs cúbicos do metal.


–Tanto?

Lon Vurián estava incrédulo. 600 kalegs cúbicos de ferro era muito ferro. Um kaleg equivale a cinco toneladas terrestres. Aldo e Mara foram conduzidos para um edifício onde havia algumas pessoas de alto nível. Foram apresentados aos dirigentes locais e aos Executores. Estes foram logo querendo saber se eles eram inimigos dos pioneiros da Haunebu-3.


–Não, senhores. Isso foi há muito tempo. A guerra terminou – respondeu Aldo, percebendo que entrava em terreno minado.


Os darnianos guardavam boas lembranças dos pioneiros da Haunebu-3.
Sem dúvida suspeitavam que Aldo e seu grupo estavam caçando-os. Aldo fora informado e sabia que eles há mais de sessenta anos ouviam rádios da Terra, mas não sabia até que ponto eles entendiam o que ouviam. Um dos anfitriões insistiu na sua língua:


–Os gentis pioneiros vieram fugindo de um mundo onde já não podiam mais viver, segundo disseram – traduziu Lon Der-Sur, o único a falar espanhol – e se vocês conseguiram vir aqui; é claro que vieram em perseguição deles.


Aldo percebeu que seria difícil convencer os darnianos de que dizia a verdade.

*******.

Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

Compre Mundos Paralelos volume 1 clicando aqui.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 8-8.10

8-8.10
30 de novembro de 2013.

A nave; número de série D1H; rodou fora do hangar sobre 16 rodas de dois metros que a mantêm a três metros do solo. Tem 66 metros de comprimento e 38 de envergadura.

A fuselagem de 10,40 metros de diâmetro. Antes era um container e foi montada em tempo recorde. As máquinas a rebocam até a cabeceira da pista. Logo as mangueiras enchem os tanques, enquanto caminhões carregam nas adegas três mil toneladas de ferro puro em barras.

Aldo e seus irmãos abordam a nave para fazer seu vôo inaugural. Mara foi a primeira a subir. Após fechar a eclusa tomaram banho de raios germicidas, subiram ao compartimento de trajes e daí ao andar do controle de energia, onde Aldo abriu os 27 acumuladores dos 27 motores e quatro acumuladores da antigravitação.

No andar seguinte uma porta comunicava com a sala de torpedos.
Outra escada e chegaram à ponte, ocupando as poltronas; piloto e co-piloto à frente; navegador e engenheiro aos lados; capitão no meio e um pouco atrás dos outros.

Marcos inspecionou os instrumentos e Elvis fez o mesmo no painel de controles. Mara e Aldo inspecionaram as dependências interiores, entrando no corredor pela porta da parede de popa. A primeira porta a estibordo era a cabine do capitão, com dois beliches, banheiro, guarda-roupas, biblioteca e escritório com terminal.

Em frente a sala de circuitos, computador e comunicações. A segunda porta de estibordo, o banheiro e sauna da tripulação. Enfrente, cozinha e padaria. As terceiras portas, dormitórios da tripulação com 24 beliches duplos, guarda-roupas e banheiro.

Mais seis portas de cada lado: enfermaria, laboratório, arsenal, oficina e dois camarotes extras com banheiro. A porta ao final do corredor comunicava com as adegas superior e inferior com capacidade para mil toneladas.

O corredor atravessa a adega superior e o tanque superior de combustível de 785.000 litros para chegar à engenharia e sala de torpedos de popa. Embaixo, após a adega inferior, o tanque inferior com capacidade para 392.000 litros. Embaixo dele estão os compartimentos das rodas posteriores com a sala inferior de máquinas no meio e os 24 poderosos motores VAL-1000 em versão melhorada.

Embaixo dos alojamentos, entre a sala de controle e as adegas, a despensa de 400 toneladas de alimentos e água, rodeando o compartimento das rodas dianteiras, com o depósito auxiliar de água, oxigênio, o circuito fechado de água, ar e detritos.

Na proa, embaixo da ponte, os quatro freios, os quatro tubos de torpedos e a retro-carga dos canhões.
*******

Terminada a inspeção, Aldo e Mara retornaram à ponte e ocuparam seus lugares, Aldo na cadeira do piloto e Mara na cadeira do navegador. Pelo pára-brisa polarizado penetra a luz do sol já bem alto. A engenharia estava configurada para controle remoto, pelo que Marcos estava na cadeira do engenheiro e Elvis na do copiloto.
A quinta cadeira, a do capitão, estava vazia.

–Abrir passagem de combustível – disse Aldo.

–Combustível aberto – respondeu Marcos.

–Ativar reator e ligar geradores.

–Ativado e geradores ligados.

–Carregar acumuladores.

–Acumuladores em carga. 27.000 unidades.

–Mais pressão. Ativar sistema.

–Sistema em carga – disse Elvis, introduzindo o disco de boot.

Diferente das astronaves do século passado; a Hércules e as naves da classe Antílope não necessitavam ser ativadas de fora. Eram auto-suficientes para reviver mecanicamente e eletronicamente por si mesmas. A nave estava nascendo, valha a expressão. Seu computador estava sendo ativado e o processo não pararia enquanto houvesse urânio no reator que funcionava por primeira vez. Embora o combustível terminasse e não pudesse voar, o reator continuaria funcionando para processar combustível quando o tivesse. Elvis disse:

–35.000 unidades. Reator e geradores a pleno. Acumuladores carregando do um ao 27. Acumuladores do antigravitator em carga do um ao quatro.

–Desligar baterias do sistema elétrico.

–Baterias desligadas – disse Mara.

A energia pareceu diminuir, mas logo voltou a aumentar a pleno com a energia nova sendo gerada. As baterias apenas iniciavam o processo.

–Todos os sistemas funcionando – disse Marcos.

–Ótimo – disse Aldo e girou a chave de contato.

Acenderam-se as 27 luzes vermelhas dos motores e as quatro dos freios.

–Podemos prosseguir – disse Marcos.

–Certo – disse Aldo apertando o botão de partida.

As luzes ficaram amarelas, a nave se estremeceu. Os motores vomitaram fogo azul e as luzes passaram para verde.

–Pressão 40.000 unidades – disse Marcos.

–Liberar rodas.

–Freio mecânico solto – disse Elvis – Ligando antigravitator.

O peso da nave diminuiu até quase zero, ao mesmo tempo em que rodava mais rápido à frente. As rodas mal tocavam o solo quando Aldo puxou o manche e a nave levantou o nariz. Aldo acelerou e a nave saiu disparada, elevando-se.

–Altura 500 metros – disse Elvis.

–Recolher as rodas. Velocidade Dois.

A base parecia apenas um detalhe do solo embaixo da Hércules, mostrando sua beleza equatorial. Numa bela manobra a nave tomou rumo sul, deixando uma esteira de fumaça no límpido céu.

–Geradores a pleno, sem sobrecarga. Reator ao mínimo.

–Antimatéria?

–Quatro antiprótons.

–Deve bastar. Reserva de energia?

–Cem mil unidades.

–Não é suficiente para entrar em órbita. Mais pressão, Marcos!

–Certo. Acumuladores em carga. Altura quinze mil. Velocidade dez Mach.

–Energia, Marcos.

–Duzentas mil unidades.

–Agora sim. Velocidade Três.

A aceleração se fez sentir, apertando-os contra as poltronas anatômicas.

–Vinte e cinco Mach – disse Elvis.

–Certo, lá vamos! – disse Aldo, ligando as chaves de vôo espacial.

A aceleração esmagou os corpos nas poltronas apesar do antigravitator. Ainda não possuíam a técnica da compensação inercial; mas em dez segundos as terríveis sensações desapareceram, chegando ao mundo da gravidade zero, onde estavam no seu elemento mais uma vez.

–Estamos em órbita – suspirou Mara – pressão normal. Podemos tirar os capacetes, não há goteiras.

–Tudo em ordem – disse Elvis – Tudo funciona perfeitamente.

–Conseguimos, irmãos – disse Aldo – Esta máquina é uma maravilha, colocou em órbita um 150% do seu peso em ferro. Agora vamos fazer um pouco de História.

–Como? – perguntou Mara.

–O primeiro vôo da Hércules; primeira nave em descer no recém concluído astroporto de Darnián; primeiro contato amistoso com uma comunidade da superfície e a primeira troca comercial. Vamos vender nosso ferro puro em Darnián.

–Não tinha mencionado nada, irmão.

–Não tinha certeza de fazer negócio, Mara. Eles construíram o primeiro astroporto da era moderna em Marte. E a Era Moderna somos nós, os ETs deles.

E dito isto, Aldo segurou os comandos e acelerou para fazer sua primeira volta de teste no espaço, antes de descer no astroporto novíssimo de Darnián.

*******.
FIM DO CAPÍTULO VIII
(CONTINUA)



*******.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Sobrevivendo a 2012 - Parte 5

Sobrevivendo a 2012 - Parte 5


Aqui há um vídeo sobre uma das técnicas de armazenamento de alimentos em baldes com tampa.

Segundo o vídeo, coloca-se uma pedra de gelo seco e depois o alimento.

O gás carbônico toma lugar do oxigênio o que, segundo o autor, ajuda a não proliferar nenhum tipo de inseto.

No depoimento final ele conta que armazenou desta mesma forma arroz em 1998, e após 13 anos, estava em perfeitas condições e sem alterações tanto no cozimento, quanto no gosto.

http://youtu.be/qeOceduZ-qc

O segundo vídeo , mostra uma dica do que armazenar em baldes.

http://youtu.be/NrVgob6vq8c


E depois por aí vai de tantas opções.


Quem quiser assistir ao canal do youtube deste gordo vai se surpreender.

Pena que nem possam usufruir plenamente dos vídeos, mas, fica o registro.

Vejam aqui mais um exemplo, estes tambores com tampa e anel de pressão que ele adquiriu justamente para armazenar de tudo um pouco, comidas, roupas, eletrônicos, etc.

Ele estima que para uma pessoas viver bem por um ano, precisaria de dois destes tambores de alimentos.

Se não me engano ele fala que custa 14 dólares a unidade...

http://www.youtube.com/watch?v=1tizxiYMZCY

Olhem esta tampa feita exclusivamente para o mercado dos fatalistas.

http://www.youtube.com/watch?v=XUtZXoKOiIo

Calendario Maia - Perto de concluir-se!

*******

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 8-8.9

8-8.9
14 de novembro de 2013.

Lídia e Aldo debatiam o plano original de terra-formação de Valerión; semear microorganismos produzidos por engenharia genética em Antártica. Havia 1000 kg. de bactérias mutantes congeladas num container em órbita; que uma vez no solo iriam reproduzir-se vertiginosamente até multiplicar-se mil vezes num dia e cobrir o planeta extraindo dióxido de carbono.


Depois seriam introduzidas cianobactérias para produzir oxigênio e logo depois bactérias mutantes produtoras de nitrogênio. Com isto a luz solar quebraria as moléculas de oxigênio nas partes altas da atmosfera para criar uma camada de ozônio capaz de proteger o planeta contra a radiação ultravioleta. Isto produziria chuvas suaves e serviria para encher os locais baixos como, por exemplo, o Vallis Marineris, no qual poderiam semear-se corais que absorvem o gás carbônico.


Depois seriam introduzidos fungos, vegetais e insetos para polinizá-los. Esta parafernália científica estava congelada em órbita. O plano fora deixado de lado à espera de outro destino já que o clima não era inclemente e a radiação ultravioleta não era mais significativa do que nos locais altos da Terra. Além disso, não se contava com os nativos. O Vallis Marineris cheio de água significaria a morte de Angopak.


–Quer dizer que a natureza marciana admite o aumento de oxigênio?


–Sempre o admitiu, capitão. Adaptou-se a consumi-lo em pequena quantidade. Aumentando a dose os organismos vão se adaptar. Ajudaríamos o planeta a recuperar o equilíbrio perdido.


–Como chegou à essa conclusão?


–Durante o dia as plantas consomem dióxido de carbono e produzem oxigênio em grandes quantidades, como na Terra. À noite os vegetais entram em letargo e sua atividade produtora de dióxido de carbono diminui. Se encontrássemos uma forma de ajudar à natureza, poderíamos fazer respirável a atmosfera introduzindo oxigênio.


–Pelo que você diz, aqui deveria haver oxigênio de sobra, como explica isso?


–Ele se combina com o hidrogênio da atmosfera e desce à noite como umidade, oxidando o solo. Se aumentássemos a densidade atmosférica, a temperatura iria mais uns três ou quatro graus acima, com sorte oito; e seria tolerável para nós.


–Isso não será difícil já que nossa produção de oxigênio aumentou e o estamos jogando fora pela chaminé da fundição de ferro que o produz como resíduo industrial já que não temos mais onde armazená-lo.


–Sei disso. Daqui a uns anos será possível tirar os capacetes.


–Quantos anos, doutora?


–Talvez cinqüenta.


–E os nativos?


–Eles se adaptarão. Há milênios eles podiam respirar em Ran, que pelos dados que você conseguiu em Angopak, tinha uma atmosfera quase similar à terrestre. O professor Von Kruger e eu fizemos experiências com animais e conseguem respirar nossa mistura. Poderíamos colocar um humano e um marciano juntos numa nave, apenas regulando o suporte de vida num ponto intermediário de pressão e temperatura que ainda estamos estudando.


–Parabéns, doutora. Você e o professor acabam de ganhar um bilhete de primeira classe para Júpiter.

*******.