sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 8-8.1

8-8.1
CAPÍTULO VIII
3 de agosto de 2013 - 107 dias em Marte.

–Encontramos a entrada de Angopak!

A voz de Aldo ouviu-se na Antílope; estacionada perto da entrada da caverna do Vallis Marineris, nas antípodas da base terrestre.

–O quê vocês vão fazer? – Regina, na ponte de comando, estava emocionada.

–Vamos entrar. Qualquer coisa que aconteça, digita a ordem de partida no sistema. A nave voltará automaticamente ao acampamento.

–Certo. E qual é a palavra que devo digitar?

–Stutzepunkt – respondeu Inge.

–"Ponto de Apoio", em alemão? Apropriado!

–Claro; Regina – respondeu Inge.

–Foi tua idéia, presumo.

–Foi idéia minha – interveio Aldo.

–Havendo tantas datas de aniversario...!

–Não resmungues, querida – disse Aldo, pegando Inge pelo braço.

Entraram num largo corredor iluminado com luz fraca até uma terceira porta que atravessaram e se encontraram um mundo com iluminação artificial no teto a três mil metros acima que não se enxergava através das nuvens.

Pararam numa plataforma de pedra que servia de descanso a uma rampa e embaixo viram agrupações de casas de pedra com telhado do que parecia palha.

Aos lados não se enxergava o fim da colméia de paredes de pedra com janelas iluminadas. Havia cultivos caprichosamente alinhados e currais de animais como yaks do Himalaia, uns ruminantes grandes como elefantes cobertos de pêlo grosso e grandes chifres.

Inge verificou seu computador de mão:

–Pressão do altiplano da Bolívia ou pé do Everest. 21 graus positivos.

–Poderíamos viver aqui sem trajes. Veja! O comitê de recepção.

Subindo pela rampa vinham dois nativos, vestidos de forma diferente à dos marcianos da superfície: camisa amarelada sem mangas, calça grossa marrom, botas pretas trabalhadas até metade da coxa e cinturões pretos. Sua pele era mais clara que a dos nativos de superfície. Os nativos pararam a pouca distância.

Aldo levou a mão à pistola.

–Ut na wer! – (Não atire!) – disse um dos nativos.

–A na wer – (Não atirarei) – respondeu Aldo.

–Ut das a spoka! – (Você nos entende!).

–Das. A ur spoka.

–A deno is Zul – (Meu nome é Zul) – disse o primeiro.

–A deno is Gam – disse o segundo.

–A deno is Aldo.

–A deno is Inge.

–Uts is gops or a gop Boris? – perguntou Zul.

–Das. Boris is an gop. – Respondeu Aldo, fechando seu coldre.

Aldo e sua companheira cumprimentaram os nativos à maneira local:

–Haal, Zul at Gam!

–Haal, Aldo at Inge! – Respondeu Zul.

Desceram conversando animadamente. Souberam que Boris e seu grupo encontraram caçadores no vale exterior ao descerem a pé por indicação dos guias.
Confraternizaram, entenderam-se e foram convidados a descerem à comunidade.

–Pensei que isto seria maior – disse Inge.

–Isto deve ser um conglomerado de galerias interligadas – observou Aldo.

–Quer dizer que deste lado do Canyon pode haver milhares de pessoas?

–Sem dúvida.

No fim da rampa, encontraram Boris monitorando sua conversa e mais alguns camaradas. Estavam vestidos com roupa leve e máscaras de oxigênio.

–Fizeram boa viagem? – perguntou Boris á maneira de anfitrião.

–Regina está à bordo da Antílope, lá fora – disse Aldo.

–Báez! Busque-a – ordenou Boris – Grubber! Vá com ele e fique na nave.

–Boris, esta gente respira uma atmosfera parecida com a nossa...

–São marcianos originais, mas se aclimatam lá fora.

–Marcianos originais... – Aldo estava abismado.

–Estão aqui sem geadas, tormentas nem enchentes. Até poderíamos tirar as máscaras, mas a pressão é fraca. Temos que nos aclimatar uma hora em oxigênio puro antes; nosso sangue tem mais nitrogênio do que o deles. Podem viver no exterior, lá fora se aclimatam em minutos para caçar e recolher frutas. Há milhares de anos que vivem aqui, estão adiantados cientificamente para o essencial. São artesãos, como os de cima e possuem máquinas com alta tecnologia, inclusive voadoras.

–Têm registros da sua história?

–Para isso você tem que conhecer Sinh-Praa, um simpático velhinho que mais ou menos governa. Um cientista, mago, alquimista... Como o Dr. Valerión.

–Certo, estou curioso. Ficaremos um tempo. Quanto faz que vocês estão aqui?

–Quase uma semana.

–Isso é bom – disse Aldo – precisamos fazer amigos.

Báez e Regina desceram. Apesar do traje, deram um jeito de se abraçarem.

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