sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 8-8.3

8-8.3
5 de agosto.

Aldo e as garotas partiram de Angopak atrás da pista da comunidade fundada pelos Primeiros, os astronautas do século passado.
Em minutos, a Antílope chega à profunda fenda conhecida nos mapas fornecidos por Sinh-Praa como Magta Haunebu. É um momento emocionante, pousaram no fundo da fenda e viram as portas de ferro.
Em cima, gravado na rocha; um enorme símbolo sânscrito de vida feliz, além de inscrições em rúnico, que Inge, nórdica, consegue ler:

–Neu Deutschland, Nova Alemanha.

Abrem as portas e descem por uma rampa até uma tenebrosa galeria de túneis.

Coberto por uma camada de pó das tormentas de areia de mais de sessenta anos; há móveis, roupa espacial antiquada e instrumentos desconhecidos. O abandonado lar dos Primeiros era um local triste, arrepiante como uma catacumba. Havia diversas entradas na rocha, algumas eram quartos com beliches de madeira local.

–Eles estiveram muito tempo aqui.

–Sim, Regina. A atmosfera é quase respirável, igual à de Angopak.

–Sofreram a inclemência do clima, apesar de terem se adaptado aparentemente bem – disse a jovem – Há uma lareira com lenha queimada. Isto deveria ser a sala de estar. Pelo jeito levaram tudo. Ainda há pregos nas paredes...

–Levaram colchões e cobertores – disse Inge observando os beliches – mas na cozinha ainda há estantes, fogões, panelas...

–Estragadas – disse Aldo após examiná-las – Quando partiram, abandonaram o que não servia. Realmente foi uma partida organizada.

–Não deve ter sido fácil morar aqui, foram muito corajosos – murmurou Inge, intimamente admirada pela valentia e audácia dos seres que ali moraram.

–Aqui há uma enfermaria, Aldo! – informou Regina entrando por uma porta de madeira num local assustador e iluminando-o com a luz do traje.

Inge e Aldo entraram e viram umas camas de exame e uma com suportes para
pernas, o que fez Inge exclamar:

–Uma cama de parto!

–Tiveram filhos – observou Aldo – queria que Valerión visse isto!

No teto viram umas rudimentares instalações elétricas que indicaram que houve um mínimo de conforto.

–Deve haver um gerador e baterias – disse Aldo.

–Será que ainda funciona?

–Duvido, Inge.

–Poderíamos procurar – disse Regina entrando num corredor e abrindo uma porta de madeira. Era uma sala vazia. As lanternas mostraram um cômodo com estantes vazias, ainda com as marcas de pó dos livros que uma vez estiveram e uma mesa vazia de máquina de escrever.

–Recolheram os livros – disse Aldo.

–Menos este – disse Inge.

Numa estante lacrada; de cristal meio opaco por causa dos anos, havia um livro de capas de couro com a data em alemão gótico:

Logbuch II, Sonntag 20 Januar 1946.

–O diário de bordo! – exclamou Inge.

–Domingo 20 de janeiro de 1946, Logbuch II, uma cópia para quem viesse depois. Isso é fantástico – disse Regina – O levamos?

–Claro que sim – respondeu Inge.

–Não – disse Aldo – Prometemos a Sinh-Praa que não tocaríamos em nada.

–Aldo...! – Inge fez transparecer seu desencanto.

–Garotas curiosas! Até em Marte? Isto é um santuário para os angopakis!

–Mas eles não vão saber! – insistiu Inge.

–Estou ardendo de curiosidade, querida, mas não seria honesto.

–Mas, Aldo...! – Regina estava a ponto de chorar dentro do seu capacete.

–Querida, se isto aqui ficou sessenta e sete anos sem ser tocado, bem que pode esperar a visita de Valerión. Nosso doutor é para nós o que Sinh-Praa é para eles. Quando ele chegar, Sinh-Praa não lhe negará uma visita científica.

–Até Valerión chegar, Aldo...! – choramingou Inge.

–Sim, meninas. Até lá. Além do mais, há mais o que fazer do que remexer nas relíquias dos nossos anfitriões. E há outra coisa, Regina. Eles podem estar a nos testar para ver se cumprimos nossa palavra. Os alemães da Haunebu 3 também fugiram de um mundo em dissolução... Como nós.

–Sim – disse Regina desconsolada.

–Concordo com tudo – interveio Inge – E penso que não devemos revelar a localização deste local aos outros.

–É uma boa medida – concordou Aldo – ainda não estão preparados para saber disto, por isso não trouxemos Boris conosco, está ocupado surrupiando tecnologia e não quero ocupar sua mente com o que só interessa a nós por enquanto até Valerión chegar. Vamos fechar tudo e retornar a Angopak.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 8-8.2

8-8.2
4º de agosto de 2013.

Enquanto Inge e Boris colhiam informação técnica, Aldo e Regina foram ao Gabinete de História da Casa de Ciências, por convite do Eminente Sinh-Praa, o primeiro cientista e governante do país subterrâneo.

O velho é tão inteligente que já aprendeu a expressar-se em espanhol, embora com algumas dificuldades.

–Boris me ensinou o rudimento da língua que não é tão difícil tendo em conta que também consigo entender mais duas do seu planeta; o alemão e o inglês.

Aldo e Regina olharam-se. Os precursores da Haunebu-3 chegaram primeiro.

–Eminência – disse Regina – sua revelação nos entristece. Acreditávamos ser os precursores, mas alguém chegou antes. Isso nos tira nossa pretensa glória.

–Antes de eu nascer, chegou uma nave circular, como às dos ranianos, outrora donos de grande parte deste setor do quadrante, Regina.

–E quê aconteceu com os que chegaram?

–Montaram sua comunidade perto daqui, numa fenda perpendicular à nossa, ao
norte. Fizeram amizade conosco e trocamos informações.

–Ainda moram aqui? – Aldo tremia de emoção.

–Não. Foram embora com os milkaros, seres de um império extragaláctico que dominam as luas do planeta Vurón, o maior de nosso sistema.

–Júpiter. – aventurou Regina.

–Nunca mais voltaram – disse Sinh-Praa com sincero pesar – mas quando eu era jovem, chegaram objetos do seu mundo, que achamos serem de nossos amigos.

–Aí aprenderam o inglês – cortou Aldo – Vocês estão de posse desses objetos?

–Não, estão em Darnián.

–Os darnianos são um bom povo? Vocês têm relações amistosas com eles?

–Temos. Eles estão em permanente contato conosco, nos visitam.

–E o pessoal de Hariez? – perguntou Regina.

–São introvertidos. Já os visitamos, porém sempre seguem complicados rituais, seu governo é fechado, seu Rei é muito duro, introvertido, como todos eles, e além do mais não enviam muitas delegações às outras comunidades, como é de praxe.

–Sabemos que eles têm uma rixa com Darnián por causa de um território, justamente o território que nós resolvemos ocupar.

–Sim. Já soube disso. Tiveram uma rixa?

–Tivemos. Mas acho que entenderam a mensagem e não nos incomodarão mais. Seria lamentável ter que exterminá-los. Isso não seria bom para nossa amizade com as outras comunidades deste mundo.

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O Eminente Sinh-Praa estava feliz, com seres de fora para conversar. Sua idade era impossível de ser calculada; talvez 70 ou mais anos terrestres.

–Jovens amigos; o que lhes interessa é a história do mundo; me engano?

–Não se engana – disse Aldo folheando livros escritos à mão, vendo mapas, primorosamente desenhados e a mesa de trabalho do velho líder.

–Para falar dos angopakis, habitantes do subsolo; devemos falar dos gopakis, da superfície, e dos analgopakis, os ranianos do espaço exterior.

–Analgopakis? – interessou-se Aldo.

–Ut spoka-a or analgopakin – disse Regina em marciano para poupar tempo.

–Falar-lhe-ei dos primeiros que vieram numa época em que Gopak (o mundo) tinha muita água e vegetação, atmosfera densa e gravitação maior. Disto faz mais de vinte e cinco mil ciclos, Aldo.

–Quase cinqüenta mil anos! – interveio Regina.

–Os gopakin conheciam o eracl (ferro) e o trabalhavam. Animais voavam, a atmosfera podia sustentá-los, o clima era quente, mas chegaram os analgopakis. Eles trouxeram os ancestrais de nossa espécie de uma estrela próxima há milhares de ciclos, mas nossa raça tinha esquecido disso. Soubemos disso muito tempo depois.

–Eles eram bons?

–Eram deuses e como tais eram tratados. Seu mundo era Ran. Já não existe, foi destruído num cataclismo. Estava entre Vurón e nós. Hoje só há pedras mortas. Eram generosos; eles instalaram bases, população... Aprendemos coisas úteis, organizaram a civilização, as colheitas, trouxeram vegetais alimentícios, animais de carne e lã; indústrias em que trabalhamos produzindo bens e matéria prima para abastecer exércitos, astronaves e fortalezas das legiões espaciais.

–Quê maravilha tudo isso! – Regina quase chorava de emoção.

–Muitos dos nossos foram recrutados como legionários, para lutar em estrelas distantes, conquistando mundos e raças para a glória do Império.

–Quê aparência tinham os ranianos? – perguntou Regina.

–Igual à de vocês.

O silêncio que se seguiu podia cortar-se com uma faca.

–Como sabe que não somos ranianos? – conseguiu dizer a jovem psicóloga.

–A uio gop des – (Minha pequena amiga) – disse Sinh-Praa – Uts das is ranian! – (Vocês são ranianos!).

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Aldo e Regina ficaram pasmos, isso confirmava as lendas. Não esperavam a confirmação de forma tão fácil. Devia ser erro de tradução; Sinh-Praa dissera:

–Uts das is ranian! – (Vocês são ranianos!).

O Eminente Sinh-Praa sorria, marcianamente satisfeito pelo efeito ocasionado.

–Vocês dominaram o setor há muito tempo, só não têm memória racial disso.

–Temos, sim, Eminência – disse a psicóloga – há registros antigos.

–Quero saber mais – disse Aldo.

–A esfera raniana tinha duzentos quarenta e cinco parsecs de diâmetro – disse o sábio – e abrangia mais de mil sistemas solares.

–Isso teve um final, você disse um cataclismo – disse Regina – Como foi?

–O acesso à informação de primeira mão – disse o sábio, após uma dramática pausa – era limitado por sermos província; sabia-se que havia uma potência em guerra com o Império, uma raça bárbara, tão alienígena que não poderíamos conviver com ela. Era imperativo que fosse destruída. O que sabemos é que houve uma guerra interestelar e Ran foi destruído, espalhando seus restos por todo o sistema.

–O quê aconteceu com as colônias?

–Sei o que aconteceu aqui, Aldo. O povo rebelou-se contra a ocupação enfraquecida pelo envio de tropas ao espaço, quem ficou foi exterminado. Presumo que nas colônias deve ter havido revoluções. Claro que isso é hipótese...

–Quais as conseqüências do fim do Império para vocês?

–Graves Regina. Claro que éramos auto-suficientes, os ranianos deixaram sua língua, costumes, ciência, deuses e monumentos, construíram os canais navegáveis que ainda servem para distribuição de água quando chega o degelo. Vocês contaram sua aventura no Magta Ers, que é um canal. A floresta não deixa perceber isso, devido ao abandono. Aqui somos abastecidos por um canal vindo do norte.

–O vimos de cima – disse Aldo.

–Era iminente a explosão de Ran e os habitantes resolveram abandoná-lo, embora poucos conseguiram. Gopak (Marte) era pequeno, além do mais, estava esgotado. Xarn (A Terra) e Boral (Vênus) rebelaram-se, pelo que resolveram seguir para fora. A família real foi para as grandes luas do planeta com anéis.

–Mas Vurón (Júpiter) também possui grandes luas...

–Estão ocupadas por uma raça amiga de outra galáxia: os milkaros. Como eu já disse; eles levaram embora os primeiros terrestres que aqui chegaram.

–Os ranianos estão nas luas do planeta com anéis, desde então?

–Não sei com certeza, Regina. O transporte em massa parece que não chegou a realizar-se, apenas alguns poucos foram para lá.

–Havia em Ran muitos da sua raça, Eminência?

–Sim, Aldo. Também raças conquistadas. Fomos chamados de Inferiores, mas com cidadania plena e todas suas vantagens...

–E com respeito aos inimigos?

–Não soubemos nada deles, Regina. Pensamos que seriamos atacados após a destruição de Ran, mas nada aconteceu.

–E nós?

–Vocês foram deixados a pé, Aldo. Não houve tempo de recolhê-los. Ficaram abandonados à mercê dos nativos n’gorils; acredito que sofrendo guerras que talvez os fizeram esquecer de suas origens.

–Somos náufragos... – disse Aldo, pensando em voz alta.

–Quê aconteceu aqui depois da liberação? – perguntou Regina.

–Tivemos algumas guerras e paz, progresso e decadência, mas nos adaptamos, a atmosfera enfraqueceu e os animais voadores degeneraram. De tanto em tanto caía algum pedaço de Ran, causando destruição, formando crateras que vocês devem ter visto de cima; o solo oxidou-se, a água que já era pouca, evaporou-se, com o que populações inteiras morreram de sede. Um grupo fundou esta comunidade, outros grupos formaram comunidades com territórios mais ou menos definidos para plantar, caçar e criar os woks, animais que produzem carne, couro, lã, ossos, leite, etc.

–Disseram-me que há aldeias independentes...

–Sim, Aldo. Não pertencem a comunidades, mas praticam o intercâmbio com elas. Há os silvícolas aborígines, que vivem como antes da chegada dos ranianos.

–Muito obrigado por seus ensinamentos, Eminência. Serão úteis.

–Para mim foi um prazer conversar com seres de inteligência superior, Regina.

–Nossos ouvidos esperavam essas revelações desde muito tempo atrás, desde que nossos antepassados aprenderam a observar o céu.

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 8-8.1

8-8.1
CAPÍTULO VIII
3 de agosto de 2013 - 107 dias em Marte.

–Encontramos a entrada de Angopak!

A voz de Aldo ouviu-se na Antílope; estacionada perto da entrada da caverna do Vallis Marineris, nas antípodas da base terrestre.

–O quê vocês vão fazer? – Regina, na ponte de comando, estava emocionada.

–Vamos entrar. Qualquer coisa que aconteça, digita a ordem de partida no sistema. A nave voltará automaticamente ao acampamento.

–Certo. E qual é a palavra que devo digitar?

–Stutzepunkt – respondeu Inge.

–"Ponto de Apoio", em alemão? Apropriado!

–Claro; Regina – respondeu Inge.

–Foi tua idéia, presumo.

–Foi idéia minha – interveio Aldo.

–Havendo tantas datas de aniversario...!

–Não resmungues, querida – disse Aldo, pegando Inge pelo braço.

Entraram num largo corredor iluminado com luz fraca até uma terceira porta que atravessaram e se encontraram um mundo com iluminação artificial no teto a três mil metros acima que não se enxergava através das nuvens.

Pararam numa plataforma de pedra que servia de descanso a uma rampa e embaixo viram agrupações de casas de pedra com telhado do que parecia palha.

Aos lados não se enxergava o fim da colméia de paredes de pedra com janelas iluminadas. Havia cultivos caprichosamente alinhados e currais de animais como yaks do Himalaia, uns ruminantes grandes como elefantes cobertos de pêlo grosso e grandes chifres.

Inge verificou seu computador de mão:

–Pressão do altiplano da Bolívia ou pé do Everest. 21 graus positivos.

–Poderíamos viver aqui sem trajes. Veja! O comitê de recepção.

Subindo pela rampa vinham dois nativos, vestidos de forma diferente à dos marcianos da superfície: camisa amarelada sem mangas, calça grossa marrom, botas pretas trabalhadas até metade da coxa e cinturões pretos. Sua pele era mais clara que a dos nativos de superfície. Os nativos pararam a pouca distância.

Aldo levou a mão à pistola.

–Ut na wer! – (Não atire!) – disse um dos nativos.

–A na wer – (Não atirarei) – respondeu Aldo.

–Ut das a spoka! – (Você nos entende!).

–Das. A ur spoka.

–A deno is Zul – (Meu nome é Zul) – disse o primeiro.

–A deno is Gam – disse o segundo.

–A deno is Aldo.

–A deno is Inge.

–Uts is gops or a gop Boris? – perguntou Zul.

–Das. Boris is an gop. – Respondeu Aldo, fechando seu coldre.

Aldo e sua companheira cumprimentaram os nativos à maneira local:

–Haal, Zul at Gam!

–Haal, Aldo at Inge! – Respondeu Zul.

Desceram conversando animadamente. Souberam que Boris e seu grupo encontraram caçadores no vale exterior ao descerem a pé por indicação dos guias.
Confraternizaram, entenderam-se e foram convidados a descerem à comunidade.

–Pensei que isto seria maior – disse Inge.

–Isto deve ser um conglomerado de galerias interligadas – observou Aldo.

–Quer dizer que deste lado do Canyon pode haver milhares de pessoas?

–Sem dúvida.

No fim da rampa, encontraram Boris monitorando sua conversa e mais alguns camaradas. Estavam vestidos com roupa leve e máscaras de oxigênio.

–Fizeram boa viagem? – perguntou Boris á maneira de anfitrião.

–Regina está à bordo da Antílope, lá fora – disse Aldo.

–Báez! Busque-a – ordenou Boris – Grubber! Vá com ele e fique na nave.

–Boris, esta gente respira uma atmosfera parecida com a nossa...

–São marcianos originais, mas se aclimatam lá fora.

–Marcianos originais... – Aldo estava abismado.

–Estão aqui sem geadas, tormentas nem enchentes. Até poderíamos tirar as máscaras, mas a pressão é fraca. Temos que nos aclimatar uma hora em oxigênio puro antes; nosso sangue tem mais nitrogênio do que o deles. Podem viver no exterior, lá fora se aclimatam em minutos para caçar e recolher frutas. Há milhares de anos que vivem aqui, estão adiantados cientificamente para o essencial. São artesãos, como os de cima e possuem máquinas com alta tecnologia, inclusive voadoras.

–Têm registros da sua história?

–Para isso você tem que conhecer Sinh-Praa, um simpático velhinho que mais ou menos governa. Um cientista, mago, alquimista... Como o Dr. Valerión.

–Certo, estou curioso. Ficaremos um tempo. Quanto faz que vocês estão aqui?

–Quase uma semana.

–Isso é bom – disse Aldo – precisamos fazer amigos.

Báez e Regina desceram. Apesar do traje, deram um jeito de se abraçarem.

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