sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Mundos Paralelos - Capítulo 7-7.6

7-7.6
9 de julho de 2013.

Décimo primeiro dia de assédio ao Ponto de Apoio.

Os hariezanos sitiaram a base.

O escudo funcionava a toda potência, os postes foram substituídos por outros mais potentes e uma dúzia de torres protegiam a parte de cima. O acampamento estava num local alto da planície com quinze metros de desnível.

Prevaleceu a idéia de Lúcio de rebaixar a circunferência ao redor dos postes e construir muros ao redor para deixar a base na cima de um platô de dois mil metros de diâmetro. As máquinas desbastaram o perímetro e ao chegar à rocha sólida, usou-se dinamite.

O cascalho foi levado ao interior e transformado em blocos sólidos para rodear as paredes de terra. Aos poucos tomou forma o círculo de concreto e pedra ao redor da base, que de início pareceu ter um fosso a rodeá-la.

Com o tempo, seria uma colina no meio do descampado.

Trabalhar sem importar-se com os sitiadores era um forte golpe psicológico, já que se demonstrava menosprezo pelos nativos.

Os planos de Aldo e Vurián, de reunir suas forças dentro da base terrestre foram infrutíferos desde o princípio, porque os batalhões de tanques ligeiros de Hariez não deixaram.

Desde o Ponto de Apoio podiam ver-se as colunas de fumaça e nuvem de pó, levantadas pelas batalhas.

Duas forças blindadas enfrentavam-se: os rebeldes do Líder Vurián e os legalistas do Líder Not, amigo de Zayo Bertián.

Vurián tinha inferioridade numérica, mas suas blindagens eram mais grossas e sua capacidade de fogo era superior, com o que conseguiu abrir uma brecha em direção à base dos visitantes.

Lon comandava uma força de ataque de trinta tanques e dois grupos de quinhentos soldados a pé. Com eles realizava ataques de distração que permitiam ao seu pai, dar golpes mortais com o grosso da força.

As pequenas forças aéreas de Not e de Vurián, não eram usadas como arma por nenhum dos dois lados.

*******.

13 de julho.

As forças de Hariez precisaram dividir-se ou não conteriam o avanço de Vurián que esmagava tudo em direção à base dos visitantes.

Metade da força do governo foi aprisionada num movimento envolvente e derrotada.

Depois da vitória parcial, Vurián consolidou sua posição e avançou em duas colunas.

Lon dirigia-se ao Norte, para atacar as linhas de abastecimento que chegavam à grande velocidade pela estrada de chão rústico; recém construída pelas forças legalistas.

Desde a base terrestre partiu uma coluna de sitiadores para deter o Líder Vurián, que estava a pouca distância.

Já se observava à simples vista a nuvem de pó e fumaça levantada pelos blindados que se deslocavam à máxima velocidade pelo deserto.

O Líder Not sabia que era vital para Vurián chegar à base visitante, já que sua munição deveria estar no fim.

Se conseguisse detê-lo um dia, Vurián render-se-ia.

Lon e sua esquadra cortaram a estrada de Hariez.

Os velozes, embora frágeis veículos de transporte eram alvo fácil para os pesados tanques rebeldes.

Lon capturou um trem de reboques de munição e células de energia e deixou meia dúzia de blindados para guardar a estrada, retornando ao ponto onde deveria estar seu pai; segundo as instruções transmitidas por Lúcio, comodamente sentado no seu alojamento frente do terminal do satélite; assistindo às batalhas, interagindo com elas, passando informação em espanhol; enquanto o sistema registrava as imagens para a posteridade; a primeira batalha extraterrestre jamais vista por olhos humanos, desde o Mahabharatta.

Entardecia e Vurián não se rendera.

Not, um inexperiente de gabinete, o subestimara.

Sofrera numerosas baixas e os rebeldes só duas dúzias de feridos e cinco tanques inutilizados.

A estratégia de Vurián era superior, mas ele só poderia resistir até o amanhecer, pelo que reduzira o ritmo de fogo.

Ao pôr do sol, Lon alcançou seu pai pelo flanco direito e enviou uma patrulha de distração para mandar à retaguarda do seu pai o esperado suprimento.

Com renovadas forças, Lon e seu pai lançaram um ataque frontal nas cansadas tropas legalistas no meio da noite, envolvendo-as e destruindo-as.

Ao ter cortada sua linha de suprimento, Not viu-se num grande aperto, sendo obrigado a diminuir o ritmo de fogo contra o escudo dos visitantes.

*******.

Not percebeu a aproximação de Vurián e compreendeu que a força de ataque fora destruída.

Retirou efetivos do sitio e entrincheirou-se em frente única, apontando a artilharia ao sul.

Foi um erro.

Percebeu que ficaria entre dois fogos se os visitantes atacassem, mas era tarde demais para reorganizar-se.

Os primeiros disparos rebeldes começaram a cair perigosamente perto e a tropa estava no limiar no pânico.

Se não agisse com rapidez, perderia o que tinha.

Organizou a defesa de artilharia e destacou três colunas de blindados ligeiros para interceptar e parar os atacantes. Por trás dos interceptores, mandou duas frentes de tanques pesados num leque de dois kms.

Vurián, orientado por Lúcio, formou uma cunha de blindados pesados na frente e outra menor no meio da primeira. Atrás formou uma frente de blindados leves em meia lua, detrás dos quais avançava a infantaria pesada com fuzis de energia e
armaduras de cerâmica e bronze. À retaguarda, protegidos pelas colunas de tanques, iam os carros utilitários com civis.

A batalha começou a poucos kms da base, desde onde se viam os clarões dos tanques legalistas explodindo. Os antárticos estavam ansiosos para intervir e Aldo entrou em contato com Lon, que disse:


–Não. Temos a situação dominada.


E era verdade, apesar da sua inferioridade numérica, Lon e seu pai conseguiram atravessar as linhas inimigas e romper o sítio à base terrestre no dia 15 de julho.

E foi em tempo, porque quando se abriram os portões do acampamento para receber aos rebeldes, estes não tinham mais energia nem para dar um só tiro.

*******.

(Próximo post de Mundos Paralelos em 20/01/2012)

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