segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Porque sempre é bom recordar.

Reproduzo de novo um e-mail...

...que receb
i em 09/11/2008 do autor de "Mundos Paralelos":

(Alguns nomes e endereços de lugares foram retirados ou mudados em respeito à privacidade do autor e da família Cardelino).
M.J.S

"Caro Martin:
Mando-te em anexo o Sermão do Padre Caselli.
Logo do telefonema de hoje, quando dissestes que estavas na reunião de família, resolvi que vou te mandar, se já não te mandei, (Este Dr. Alzheimer...!) uma lista excel de personagens vivos, mortos e por morrer, em ordem de aparição, que fiz para não me perder.

Copiei a ideia de Charles Dickens. Em Londres do século 19 ele não tinha o Excel 2000 da Microsoft do Bill Gates, e por isso mandava fazer uns bonequinhos de barro com um ceramista vizinho, que colocava encima da mesa. Quando o sujeito (ou sujeita) em questão morria, ele quebrava o bonequinho.

No capítulo 14 acontecerão os "terríveis acontecimentos de março", mencionados na foto de arquivo que te mandei dias atrás, e que continuam terríveis, depois, no capítulo 15.

Mas vamos a um pequeno retrospecto do volume um, que tinha separado há dias, quando lembrei que mencionastes que estavas perdido no meio dos personagens.
*******


Acredites o não - (tenho o original em espanhol, escrito a mão num caderno amarelado, para provar) - este sermão, que incluí na página 133 do capítulo 8, volume 1 Fase 1; do qual anexo 5 páginas (129-133) para apreciação e para que te situes quanto aos personagens (alguns deles estavam desembarcando no Ponto de Apoio, como já te disse (será que eu disse...?) ao telefone); foi escrito por mim talvez em julho de 1969, quando Armstrong desembarcou na Lua.

Lembro porque eu tinha 16 anos e namorava há dois com Letícia Cardelino, da mesma idade; que depois morreu de leucemia em Buenos Aires em 28 de novembro de 1970.
Naquela época não havia cura para isso.
*******


Passaram-se 21 anos e um dia fui a Buenos Aires a trabalho (Lembras disso?), e às cinco da tarde de 22 de junho de 1991; um dia congelante com menos um grau de temperatura; finalmente achei seu túmulo em La Chacarita, com ajuda de um funcionário.

Se um dia viajas para lá; o panteão familiar dos Cardelino fica a sete ruas do panteão de Gardel, a direita de quem entra pela avenida principal.
*******


Letícia Helena Cardelino nasceu em Montevideo em 1º de setembro de 1953.
Era a irmâ do meio, entre Horacio, o mais velho, nascido na Itália, e Esther, a mais nova, nascida em Buenos Aires.

Sua família de Trieste, Itália, era dona de uma famosa loja de eletrodomêsticos de Buenos Aires. A filial de Uruguai; a CASA CARDELINO, ainda deve estar no centro de Montevideo, ao lado do EMPORIO DE LOS SANDWICHES, a uma quadra e meia de um dos apartamentos de minha madrinha.
*******


Sua tia, irmã do seu pai, que gerenciava a filial, morava numa mansão no fino bairro de Carrasco, a duas ou três quadras da praia do mesmo nome. Eu a conheci em abril de 1967. Desde fim de março fazia bico como ajudante de iluminador e meu primo fazia bico de ajudante de sonidista num programa dominical no canal 4 de televisão. Ela participou do programa de calouros, como cantora e no final do programa, a encontrei na cafeteria e conversamos por primeira vez. Descobri que ela tinha permissão para viajar sozinha entre os dois países, e ficava sempre na casa de sua tia por duas ou três semanas.
*******


Ela tinha planos para o futuro que nunca chegou;
queria ser médica.
Era
uma menina de olhos azuis, magra e alegre; tinha uma bela voz de contralto e usava o cabelo loiríssimo cortado a la garçom, como era a moda de todas aquelas gurias aborrecentes da época, que queriam parecer-se com a modelo inglesa Twiggy, muito famosa naqueles anos.

Ela gostava de
cinema e de música. Foi com ela que assisti a estreia do meu filme francês favorito; Un Homme et una Femme, de Claude Lelouch, com Anouk Aimeé e Jean Louis Trintignant em agosto de 1969, no cinema Eliseo, de Montevideu, hoje igreja do bispo Macedo, ou de qualquer outro desses reverendos.
*******


Foi Letícia; com sua aparência física, com sua maneira de ser e de falar; que estava presente na minha cabeça ao criar a psicóloga italiana, doutora Regina Lúcia Cardelino, bem-humorada esposa do comandante Boris Jaskavitch; como a melhor amiga e conselheira do sofrido, porém esquentado capitão Aldo.

É Regina, com seu carinho e seu bom humor, que consegue controlar e diluir todo o ódio, toda a raiva e o fanatismo de um homem que teve seus pais cruelmente assassinados pelos dominadores do mundo.
*******


Regina Cardelino é minha personagem favorita, e só não a casei com Aldo, porque o comandante Boris, o segundo em comando, um brutamontes russo-brasileiro, filho de fazendeiro gaúcho; é mais parecido comigo do que o capitão antártico.
Aldo a vê como uma irmã, a melhor amiga e confidente. Sem falar q
ue ele e a Reverenda Sacerdotisa Odínica Ingeborg, se amam desde que eram crianças; quando tiveram seus pais assassinados pela ditadura; ocasião em que Aldo e seus irmãos; e Inge e seu irmão Leif, foram levados para Antártica e adotados pelo solteirão rabugento Doutor Valerión que os juntou às outras crianças, filhas de líderes ainda vivos na época; entre elas, Regina e seu irmão Lúcio; as gêmeas Blanes e outros.
*******


Alguns diálogos deles que aparecem por toda a obra; são conversas nunca esquecidas que Letícia e eu tivemos. É a forma que achei para que ela não desapareça, esquecida, no turbilhão dos Mundos Paralelos.
*******


Eu tinha uma bela foto dela, 4x4, preto e branco, que bati com a minha velha Brownig quadrada, mas o falecido tenente Nguyen Lao Tyu, a usou para acender um charuto que depois apagou nas minhas costelas em fevereiro de 1976, uma ou duas semanas antes que o o degolasses como um porco, igual que o Pearl; depois de fuzilar seus homens, perto de Hue, no paralelo 17, Vietnam. (Obrigado - de novo - por me salvar. Um brinde aos camaradas ausentes! Hoje estão com os deuses!)

*******


Restou-me como consolo a imagem que anexo, a modo de homenagem à minha saudosa e sempre amada Letícia Helena Cardelino; na figura carinhosa e querida da doutora Regina, desenhada fielmente por nosso amigo André Lima. tal qual eu a descrevi, num fim de semana de agosto de 1994 em minha casa de Gravataí.

Finalmente ela tornou-se uma doutora, heroica e famosa.

Mais do que ela que
ria.
*******


É isso aí o que tinha hoje para dizer, meu caro Martin. Acho que exagerei, mas se não te contasse, nunca saberias que ela existiu; quem ela foi, que queria ser médica, que gostava de cinema e música, que foi uma moça alegre enquanto viveu e que para mim foi uma pessoa muito importante."
Gabriel Solís.
9 de novembro de 2008
*******


(Como sempre, Click nas imagens para aumentar - Ah...! Tomei a liberdade de colocar imagens da modelo inglesa para ilustrar sua semelhança com a jovem Letícia -
falecida há hoje exactos 41 anos - de acordo com a descrição feita pelo autor).

Martin Juan Sarracena,
28 de novembro de 2011.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Mundos Paralelos - Capítulo 7-7.3

7-7.3
Sexta feira, 28 de junho de 2013. Ao amanhecer.


Os antárticos do acampamento marciano viram descer a Antílope e resolveram voltar.
Além dos astronautas de serviço, técnicos e cientistas, sobrou pouca gente no Ponto de Apoio, apenas Aldo e Inge, Lúcio e Eva, Marcos e Bárbara, Nico e Tama; e Regina sem Boris; que em missão, partira à frente da caravana de veículos e a viagem seria demorada.


Testavam um novo tipo de roupas de abrigo e por primeira vez a pele seria exposta à inclemência da atmosfera marciana. Os trajes eram similares aos usados em Antártica; com aquecimento e capuzes com máscaras em vez de capacetes completos. O ambiente era semelhante ao do Himalaia e precisavam aclimatar-se.


Além do mais, os novos trajes (aproveitando os jocosos comentários de Regina na expedição anterior), permitiam urinar e defecar no chão, economizando água e energia da latrina dos carros. Ao partir, no dia 25, Boris dissera:



–Agora sim poderemos demarcar nosso território, Regina. De trinta em trinta quilômetros, paramos e damos uma boa urinada!
–Levem bastante cerveja, machões – respondera a bem-humorada psicóloga.

*******.


Eram as nove da manhã e tomavam café. Agora todo estava parado, quieto na base, até que chegassem os 400 colonos; aí sim, tudo seria agitação.


–Devemos aproveitar o tempo livre – disse Aldo.


–Estou de acordo – disse Regina – o que podemos fazer para divertir-nos?


–Tenho vontade de conhecer a Ikeya-Maru por dentro – disse Eva.


–Pediremos a Chiyoko que nos mostre a nave – disse Aldo – há tempo que desejo conhecê-la. Dos nossos, o único que entrou nela foi Andrés.


–Andrés disse que está decorada ao estilo japonês – comentou Lúcio.



–O saberemos logo – disse Regina – olhem pela janela.



Lá fora, aproximava-se a pequena figura de Chiyoko. Apesar do traje e a pouca gravitação, ela não perdeu o seu encanto oriental de caminhar. Logo se abriu a eclusa.



–Buenos días para todos – disse a jovem em espanhol.



–Tomou café? – perguntou Regina.



–Tomei chá. Gracias – disse Chiyoko pendurando o capacete.



–Falávamos de conhecer sua nave por dentro – disse Lúcio.



–Quando queiram.



–Hoje é sexta-feira e temos o fim de semana inteiro para vadiar – disse Eva.



–Sexta-feira...? Até perdi a noção do tempo. Vamos?



–Não contem comigo – disse Marcos – nem com Bárbara nem Tamara; temos muito que fazer. Vamos para o canal com Lon Vurián e Danai.



–Nem comigo – disse Nico – há exame médico mensal e trabalho até anoitecer.


–Ficarei com você – disse Eva.



–Não, Eva. Vá passear, precisa descansar. A Dra. Yashuko fica no seu lugar e de passo aprendo um pouco de medicina oriental.



–Iremos... Eva, Inge, Lúcio e eu – disse Aldo.



–Também quero ir – disse Regina – desde que Boris foi viajar ao outro lado do mundo estou mais entediada do que uma ostra.



–Seremos seis – disse Aldo – os únicos desocupados do Ponto de Apoio.



–Atingimos o máximo, querido – disse Regina – o luxo da preguiça!


*******.

Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Visita Sarracênica a São Paulo.

Sábado 22/10/2011:


Para começar a viagem, peguei um lugar horrível na viagem de ida, poltrona 22A logo atrás da asa esquerda.


Isso sem contar que trabalhei a noite anterior das 22 às 7 horas. É obvio que estava sem dormir.

Tentei dormir logo depois de decolar, mas como todo mundo sabe, meu kelvan esquerdo dói, quando minha nave atinge dobra oito... ah... quer dizer... minha bursite do ombro esquerdo dói, quando o avião sobe a 36.000 pés.


Praticamente só dormi alguns minutos. (Devia ter levado comigo uma daquelas garrafinhas de bolso de Whiskey. - nota mental: a próxima vez deverei levar pelo menos duas).

Na chegada, nenhum ser do promenade a me receber. Ainda bem que meu amigo de 23 anos atrás, o Engenheiro Nagib, estava lá para me receber e me levar ao centro da cidade. Depois de me registrar no hotel, ele me levou a um restaurante para comer um legítimo Bauru, nada a ver com os baurús daqui.

Claro que acompanhei com uma cerveja excelente da qual não vou fazer propaganda até porque o pessoal de aqui providenciaria meu óbito.


Nós aqui temos uma cerveja única, da qual também não vou fazer propaganda mas posso colocar um tema neutro, como por exemplo o Hino à Cerveja em vídeo a conferir.


video
Infelizmente com dor no meu coração estive pouco tempo com Nagib, havendo tanto para conversar, mas como eu disse aos seres da Excelsa, pretendo voltar ainda antes do acorde final de 2012. Se não houver acorde final, 2013 seria uma boa idéia.
Bueno.
À noite apareceu no hotel o Grande Z, comandante da Excelsa junto com a Primeira Dama Evelyn e a Alferes Julia,
pessoas maravilhosas que me receberam com grande carinho.

Imediatamente levaram-me a uma pizzaria onde um grande grupo estava reunido, entre eles o Fábio Ayçar,
vindo do RJ para me ver, com isso eu, modesto em termos; fiquei me achando o máximo.

Só por isso presenteei-lo com um dos meus charutos especiais City Club... (ah. Fiz propaganda. Sorry –este produto pode fazer mal à sua saúde. – Pronto. Contornei.)

Logo dos comes e bebes, o Grande Z e a Primeira Dama convidaram-me para a balada, num lugar bem concorrido e aconchegante; onde devo dizer com pesar que estive pouco, porque já não sou um jovem, e não tomei um Redb... aliás um fortificante.

Eu estava realmente com sono e cansado. De maneira que deixei os amigos por lá e retornei ao hotel.


Domingo 23/10/2011:


Depois de algumas aventuras nos profundos

subterrâneos paulistas do Metrô, finalmente conheci a Estação da Sé, que estava em construção da última vez que estive em São Paulo há 36 anos.







Depois de mais aventuras, cheguei ao Local do Evento da FFESP,

onde encontrei o Armando
e o Capitão Archer, que colocou um D'tagh no meu pescoço.

Depois eu testei o feiser do capitão no pescoço do Armando e ele fez o mesmo comigo.







Assisti apresentações




















e discursos,
fui apresentado a alguns seres, apertei mãos, garras, pinças e tentáculos e...

conheci o Almirante César, no seu manto de romulano.



No final do evento, seres da Excelsa reuniram-se, e combinou-se uma Pizza.
Na foto, Armando, Farak, Sarrah, Z e alferes Júlia.

Ah...! Essas pizzas trekkers das quais tanto ouvi falar e tanto quis participar ao longo dos últimos dez anos! E fomos para lá.



A primeira coisa que fiz foi pedir um Passport duplo, (ah! dane-se a propaganda!) que a gentil garçonete fez questão de acrescentar um “chorinho” enorme. Que a Grande Pluma de Agosória Ilumine sua Jornada!
E só esta foto valeu o preço da passagem até São Paulo: Madame Carol SciFi e El Sarrah Al Turbinad. Não é o máximo?

E aí conversamos, comemos e bebemos,
e nunca me senti tão bem na minha vida desde que me reencontrei com um grupo de Velhos Camaradas em um certo lugar da América do Sul... ah...! Isso é outra história.Voltando ao presente: Vejam o tamanho do Grande Rauba.
Não vou citar muitos nomes, até porque os que vão ver isto são os que participaram desse fim de semana que não esquecerei jamais. Mas as fotos estão aí para documentar:



Depois da pizza, foi a galeria de fotos.


Os amigos me deixaram no hotel, onde dormi placidamente com a TV ligada.

Segunda Feira 24/10/2011.

Assim que acordei, e logo após encerrar minha conta no hotel saí para passear. Logo Farak ligou para me buscar para almoçar com Joelson num restaurante japonês.Depois de um sushi excelente; Farak, grande motorista, levou-me a Guarulhos para embarcar de volta.
Me fez prometer que na próxima vez eu viria por Congonhas.
Feito!