sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Mundos Paralelos - Capítulo 7-7.2

7-7.2
26 de junho. De manhã.
Numa segunda visita a Phobos, conhecida como Vuro, pelos nativos; detectam urânio. Elvis pede oito homens e mais alojamentos.


À tarde, Aldo escolhe os homens e embarca-os na Antílope; com mais equipamento de mineração. É a oportunidade de levar à Chiyoko como co-piloto, já que Inge e Regina estão no acampamento Vurián, com Marcos e Bárbara, onde ficarão vários dias com Lon e Danai, fazendo pesquisas com os nativos.

Ao anoitecer, a nave eleva-se. Após meia hora de vôo tranqüilo, chega à pequena lua, onde está a Antares ancorada; a pouca distância do acampamento.

O equipamento é descarregado e Aldo parte rumo ao grupo de containeres para buscar mantimentos e uma perfuratriz. Os homens trabalham rápido, habituados ao trabalho no espaço. Logo a nave retorna a Phobos. Por fim desembarcam para ajudar na montagem da colônia mineira.
Horas depois, tudo está organizado e fazem uma pausa para jantar e dormir, conforme o relógio biológico dos antárticos; que em todos eles funciona diferente, embora por conveniência tenham adotado a hora marciana do Ponto de Apoio como se fosse um Meridiano de Greenwich marciano.

Aldo e Chiyoko resolvem jantar essa noite em Phobos.


–Excepcionalmente, não tenho nada que fazer nas próximas 24 horas.


–Isso deve ser celebrado, Aldo – disse Elvis, pegando uma garrafa de vinho velho na adega da Antares.


–O que é isso?


Liebfraumilch 1992, uma delícia – interveio Leif.


–O quê significa esse nome?


–Leite dos peitos da mulher amada, Aldo. Veio entre a bagagem de Nico.


–E nós o roubamos – disse Mara.


–Então vamos beber. Roubado deve ser mais gostoso – disse Aldo.


Jantaram alegremente, beberam e contaram piadas. Por fim, os tripulantes da Antares dirigiram-se aos alojamentos da nave para dormir. Amanhã teriam muito
trabalho.


Aldo e Chiyoko saíram ao vácuo, caminhando devagar para não voar numa gravitação onde pesavam gramas. O alojamento lunar reforçado, já estava funcional e dentro dormiam os oito astronautas de serviço.
Em seguida entraram na Antílope.


–Estou cansado, Chiyoko.


–Eu também, meu senhor.


–Vamos decolar e ficar em órbita junto aos containeres.


–E o que faremos na órbita?


–Dormiremos. No Ponto de Apoio é noite e quero descer com luz.


–Como o senhor mandar.


Decolaram no silêncio do vácuo com mínima energia e atravessaram o espaço entre Phobos e a órbita de serviço, onde estavam os containeres estacionados juntos, unidos por cabos. Aldo deteve a nave e soltou um cabo de agarre magnético.


–Vou tomar um banho e dormir já mesmo – disse Aldo visivelmente cansado, levantando-se da poltrona de comando e dirigindo-se para sua cabine.


Tirou a roupa espacial e a roupa de baixo, entrando no chuveiro de vácuo. A água quente lhe fez bem. Dois minutos depois, desligou a água e ligou o secador. O vento quente e agradável secou sua pele em segundos e ele saiu do banheiro. Colocou uma muda de roupa branca e um par de meias soquetes. Em seguida atirou-se no beliche. Uma batida na porta lembrou-lhe que não estava sozinho.



–Entre!


–Con permiso – disse Chiyoko em espanhol.


A jovem sentou-se no beliche. Seu cabelo ainda estava úmido e vestira um kimono vermelho com flores brancas e amarelas. Seu perfume era exótico, envolvente, como um perfume que Aldo sentira, mais que cheirara em Oriente, há anos, quando ele e seus irmãos eram crianças e seus pais viajavam pelo mundo fazendo o bem... Antes do desastre em que o mundo foi tomado pelos servos do demônio, antes que seu pai, um intelectual, cientista e político; por suas idéias, por ser um Homem Verdadeiro; fosse perseguido; preso, torturado e assassinado pelos mundialistas dos chamados direitos humanos; antes que sua mãe; uma Mulher Verdadeira, bonita como uma deusa; uma intelectual, uma cientista, uma médica ao serviço da Raça Humana; por ser esposa de um “subversivo” inimigo do mundialismo; fosse presa, torturada, estuprada, e assassinada pelos lacaios da nefasta Nova Ordem Mundial.


–Meu senhor ficou triste...! Seus olhos derramaram lágrimas! Por quê?


–Ah?... Não é nada, Chiyoko. Lembrei de uma coisa triste.


–Olhe para cima – disse ela, sorrindo.


–Por quê para cima?


–Para que as lágrimas não caiam – respondeu a jovem.

Em seguida entoou, baixinho, com a sua voz de menina, uma velha e bonita canção japonesa, de suave melodia:


Ue o muite arukou
Namida na kobore nai yoo ni
Omoi dasu haru no hi
Hitori botchi no yoru.

Ue o muite arukou
Nijinda hoshi o kazoete
Omoi dasu natsu no hi
Hitori botchi no yoru

Shiawa se wa kumo no ue ni

Shiawa se wa sora no ue ni

Ue o muite arukou
Namida na kobore nai yoo ni
Naki nagara aruku
Hitori botchi no yoru
Omoi dasu aki no hi
Hitori botchi no yoru
Kanashimi wa hoshi no kage ni
Kanashimi wa tsuki no kage ni

Ue o muite arukou
Namida na kobore nai yoo ni
Naki nagara aruku 
Hitori botchi no yoru
Hitori botchi no yoru.


–Quê bonito Chiyoko! Quê significa?


–Vou tentar traduzir ao seu idioma, meu senhor:


Vamos caminhar olhando para cima
Para que as lágrimas não caiam
Lembro-me do dia de primavera 
Aquela noite completamente sozinho.

Vamos caminhar olhando para cima
Nesse caminho contando as estrelas
Lembro-me do dia de verão
Aquela noite completamente sozinho.

A felicidade em cima das nuvens
A felicidade em cima do céu 

Vamos caminhar olhando para cima
Para que as lágrimas não caiam
Enquanto eu te acolho eu caminhava 

Aquela noite completamente sozinho.
Lembro-me do dia de outono
Aquela noite completamente sozinho 

O sofrimento fica atrás das estrelas
O sofrimento fica atrás do céu

Vamos caminhar olhando para cima

Para que as lágrimas não caiam 
Aquela noite completamente sozinho.
Aquela noite completamente sozinho.


–Adorei a música.


–É do século XX. Cantada por Kyu Sakamoto há mais de 50 anos, escrita por Rokusuke Ei e Hachidai Nakamura.


–Sabes Chiyoko? Estamos no espaço, a milhares de kms de qualquer pessoa, completamente sozinhos, como diz essa música.

*******.

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