sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Mundos Paralelos - capítulo 6 - 6.3

6-6.3
Ainda em 12 de junho de 2013.

Havia o que contar ao capitão Fuchida e o que lhe mostrar.
Viu-se de repente na frente de vinte marcianos. Conservou a calma, ao igual que seus sete tripulantes.
Ao ser apresentado a Lon Vurián, mostrou-se cortês como era seu costume. Surpreendeu-se por ser cumprimentado em espanhol. A tripulação foi distribuída nos veículos e o trajeto através da Havern Umbr foi reiniciado à velocidade normal.

Os
veículos rodavam com a lentidão de quem retorna a casa depois de uma cansativa jornada... Antárticos e marcianos estavam visivelmente cansados pela aventura no canal. Os japoneses notaram que os anfitriões falavam pouco. Após a primeira hora; colocados os assuntos importantes em dia, a conversa morreu e os olhares dirigiram-se ao caminho à frente. O clima era de cansaço e o capitão da Ikeya-Maru o percebeu.

Terrestres e marcianos almejavam chegar. Fuchida percebeu que, se para ele a paisagem era maravilhosa, para os anfitriões seria monótona: areia, pedras, arbustos, dunas, vermelho, cinza, marrom e verde escuro. Ao ver os portões da base, os espíritos alegraram-se. Os motores aceleraram, e até a nuvem de pó parecia mais bonita.

Traspassaram a entrada, que deslumbrou aos
recém chegados e aos antárticos; que encontraram construções não estavam quando saíram.

Um grupo encabeçado por Inge saiu-lhes ao encontro. Os japoneses foram
conduzidos a um alojamento vazio enquanto Aldo e os camaradas foram para os seus, a tomar banho e descansar. Os marcianos dirigiram-se para seu próprio acampamento.
*******.
À noite, no alojamento de Aldo; jantavam o capitão Fuchida com sua esposa, a Dra. Yashuko; o imediato, Prof. Idenari Terasaki com sua esposa Yoko, filha de Fuchida; Chuichi Fuchida com sua esposa Mariko e os filhos do Prof. Terasaki, o piloto Maya e a bela Chiyoko. O capitão e sua neta falavam fluente o espanhol e ela traduzia a conversa para os outros.

–Já contei nossas aventuras e agora satisfaça minha curiosidade pelas novas de
casa, como sua vinda, por exemplo. Não lhe esperava.

–Vim a pedido do Dr. Valerión, amigo de anos. Trabalhávamos na INDEVAL Motores, na Lua, na construção e testes de naves.

–Ouvi sobre isso. Mas por quê o silêncio radial?

–Para não alertar o inimigo. Minha nave é desarmada, fora o avião de caça.


–E o que me diz sobre os preparativos de embarque de colonos?


–Max Guerreiro acertou com o Dr. Valerión o envio de colonos e outros
projetos. Alguns deles já os conhece; a remodelação de Port Armstrong e da Base de la Tranquilidad; conclusão da Base Brasil, Base Chile, Base Uruguay, Base Antípodas, Base Cara Oculta, Ciudad de los Ancianos, com capacidade para dois milhões de pessoas. Destina-se a os velhos mentores que não podem mais trabalhar na Terra. Pessoas como eu, por exemplo, que com 60 anos, recusaram a Marca e por isso somos considerados criminosos pela Nova Ordem Mundial. Nessa comunidade, denominada oficialmente Universidade Lunar; os sábios mestres idosos passam sua experiência de décadas aos jovens, lecionam as matérias que dominam, ensinam suas profissões aos mais novos, fazem pesquisa científica pura, escrevem livros e pensam. Ali podem curtir seus passatempos preferidos; alguns cultivam hortas hidropônicas, produzem alimentos e medicamentos nas horas vagas. Em troca há médico, casa, comida, conforto e perspectiva de longa vida na baixa gravitação, onde o coração faz menos esforço. A admissão de ocupantes começou há dois meses.

–Foi idéia de Guerreiro?

–Foi. Nas Montanhas Malditas se constrói a Prisão de Segurança Máxima, no
limite entre Cara Oculta e Cara Visível, a seiscentos kms da Estrada Translunar. Sua capacidade será de 150.000 condenados em Antártica e em países amigos a penas superiores a um ano de trabalho forçado e aos condenados a pena de morte; embora em Antártica seja sumária e rápida.

–Não acredito que no mundo livre haja tantos criminosos vivos...


–Guerreiro acha que sim, após o que aconteceu na Base Nº 1 e a vocês, com
aqueles mísseis. Ele acha que ainda há traidores. Você foi criado em Antártica, onde para a jurisprudência do Direito Antártico; até o roubo de um sabonete exige pena de morte. Por isso em Antártica não existe crime... Mas, capitão Aldo; vamos falar de coisas mais agradáveis.

–Sim. Fale-me da Ikeya-Maru, uma nave notável.

–Obrigado. O pessoal da INDEVAL fez uma nave que, sem foguetes auxiliares
descartáveis, atinge 500.000 kph.

–Eu lutei para passar dos 120.000; com as naves da classe Antílope...

–Valerión e eu usamos motores de Vitrocerâmica e válvulas mais estreitas.


–Não me diga que só modificou o motor...


–O combustível também.


Aldo estava surpreso. Seu combustível era considerado o melhor que existia.

–Como fez isso?


–Na hora da mistura usamos proporção menor de concentrado no peróxido sem
perda de potência como se pensava antigamente. Valerión e eu descobrimos isso depois de muito trabalho.

–Quer dizer que nosso sistema é obsoleto?
–Sim. Na fabricação do concentrado não é necessário aplicar o grau de radiação que estávamos usando, já que no processo de gaseificação de urânio libera-se suficiente. Além disso, o motor trabalha com menos temperatura, sem mencionar que há menos perigo de atingir o ponto crítico da antimatéria. A única precaução seria manter constante a pressão. Conseguimos isso desviando energia para outras funções.

–Estou admirado do seu conhecimento, capitão Fuchida.


–Minha tripulação tem experiência nas naves da classe Antílope como sujeitos
de ensaio da INDEVAL (Industria Espacial Valerión), desde que começaram a ser fabricadas em Antártica e concluídas na Lua. Meu genro é astrofísico; meu filho é físico nuclear e sua esposa é perita em informática; minha filha é geóloga; minha esposa é médica; minha neta é navegadora e meu neto é piloto de testes.

–São todos imprescindíveis – maravilhou-se Aldo – fale dos colonos. Estamos preparados para recebê-los.

–Catalogamos 280 técnicos e engenheiros da Lua e Antártica com suas famílias e 120 pessoas das famílias do seu pessoal. Um total de 400 pessoas.

–Seremos 500. Ótimo, aqui há espaço. A infra-estrutura comporta mais do que isso. Apenas faltam coisas como, por exemplo, escola para as crianças, um hospital maior, distrações, mais veículos com rodas...

–Valerión já considerou tudo isso.


–Quando virão essas pessoas e como?


–Tenho meu cronograma apertado já que estamos na órbita mínima e Marte se
afasta. Primeiro; vou modificar os motores. Trouxe alguns para uso imediato, do tipo Val-002-M para economizar tempo; combustível novo e a atualização da sua fábrica. Começo amanhã. Em uma semana estaremos em condições de decolar.

–Alegro-me de tê-los aqui. Valerión foi feliz em e enviá-lo...


–Foi, sim – disse Fuchida – Quê lua é essa, que se vê pela janela?


–Dheimos.


–É tarde. Você ainda não descansou da sua última expedição.


–Não se preocupe.


–Ainda assim, vamos dormir no alojamento que nos destinou, se nos permite.


–A pressa é sua. Encontrarão o que necessitarem no alojamento.


–A Ikeya-Maru estará segura lá afora?


–Não se preocupe. Temos a região monitorada com o satélite espião.



Os japoneses colocaram capacetes e mochilas. Entraram na eclusa e saíram ao
céu iluminado pelas luas. A bela Chiyoko caminhava de má vontade. Sabia que esta, sua primeira noite em Marte, seria longa e penosa pela simples razão de que não conseguiria dormir. Não podia esquecer o líder antártico. Considerava-o muito interessante. Por algum motivo, ignorado por ela mesma, ele entrara no seu coração.

Isso seria, no futuro, algo que ela lamentaria. Esse primeiro encontro, embora os protagonistas não o soubessem, mudaria algumas vidas, ocasionaria mortes, guerra e um final inimaginável. Mas isso ainda é futuro.
*******.
Os dias seguintes foram agitados. Para confraternizar com os nativos, Aldo mandou abrir a base para Vurián e seus comandados. A decisão escondia um motivo: faltavam braços no Ponto de Apoio. Diplomaticamente, Aldo chegou a um acordo com seu novo amigo Lon Vurián.

Os marcianos trabalhariam em certas tarefas, como
a condução de veículos, ajudariam nas pesquisas geológicas e ajudariam a trazer a carga da Ikeya-Maru e toda a que caísse do céu. Isto deixou maravilhados a Lon Vurián e Vurón Garlak, dispostos a juntar-se aos visitantes para aprender mais.

Aldo
estava interessado nas especialidades de ambos, mas, como explicou a eles, dificilmente encontraria tempo para dedicar-se à pesquisa pura, porque tinha que cumprir o cronograma de modificação de naves que deveriam retornar à Terra.
*******.

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