sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Mundos Paralelos - capítulo 6 - 6.2

6-6.2
12 de junho de 2013. Ao entardecer.

Levantando uma nuvem de poeira ferruginosa, a caravana de quatro veículos de guerra e um de exploração, entram na Havern Umbr pelo nordeste, vindos da parte norte do canal. Retorna a expedição de resgate composta por vinte nativos e dez visitantes, encabeçados por Aldo e Lon, que viajam no primeiro veículo.


Voltam cansados, sujos, mas com um sorriso no rosto. Vurón Garlak, os irmãos Tarn e o seu veículo foram resgatados dos aborígines do Magta Ers (Canal Verde), sem mais danos que algumas feridas superficiais. Os aborígines da floresta pretendiam comê-los, e os capturaram ao atolar-se seu veículo no lamaçal da margem direita do canal.


Houve luta, foi preciso matar alguns seres, mas não houve baixas entre marcianos e terrestres. A aventura foi boa para a confraternização de nativos e visitantes. Tudo foi satisfatório e agora, retornavam em marcha lenta, cansados e felizes.
Os veículos eram ótimos para o deserto e Aldo estava encantado com eles.


–Estes veículos me serviriam muito bem, Lon.


–São ótimos no deserto e canal, possuem elementos de flutuação...


–Falarei com seu pai para que me ceda vinte deles... Claro que deverei pagar por eles. A propósito o que vocês usam como moneda?


Moneda? – As pupilas de Lon dilataram-se – o que é isso?


A palavra “moeda” foi pronunciada em espanhol. Aldo não encontrava o significado do conceito no seu cérebro, e sua cabeça começava a doer pelo esforço.


–É um objeto de intercâmbio.


–Você quer dizer que deseja possuir veículos e dar alguma coisa em troca...


–Sim. Como fazem vocês para trocar coisas, ou adquiri-las?


–Usamos uma Unidade de Trabalho. É o tempo empregado por uma pessoa para fazer um trabalho qualquer.


–Explique.


–Por exemplo, para construir um veículo, determinada quantidade de pessoas emprega uma determinada quantidade de tempo. Esse é o “valor” do veículo.


–E vocês têm, digamos, uma tabela que determine os valores das coisas?


–Temos.


–E quanto é o valor de um veículo destes?


–Aproximadamente 220 Unidades.


Aldo ficou calado. Não tinha idéia de como determinar o valor das coisas e desconhecia o valor dos objetos que possuía no acampamento.
De repente teve uma inspiração:


–Existe algo que seja muito valioso para vocês? Um metal, por exemplo.


–Sim, o eracl. É valioso porque é escasso.


Aldo buscou na mente o significado de eracl. O esforço fez sua cabeça latejar.


–Ferro!


–Quê disse?


–Eracl. Já sei o que é. Temos algum e podemos extraí-lo do solo deste planeta.


–Se você conseguir isso, meu pai mudará sua opinião sobre os visitantes.


Estavam à metade de caminho entre o canal e o acampamento, atravessando a depressão conhecida pelos marcianos como Havern Umbr e pelos terrestres como
Hondonada Negra em espanhol, quando ouviram um trovão no céu, onde ao que se saiba, nunca chove. Lon Vurián assomou a cabeça pela janela do veículo.


–Aldo, está chegando outra de vossas naves!


–Não pode ser – disse Aldo incrédulo – não esperamos naves por esta época.


–Vai descer bem perto daqui.


–Acelere, Lon, quero ver que nave é essa.


A nave desceu de popa, 1500 metros adiante, ficando em posição vertical.
A vegetação ardeu em torno à nave desconhecida, mas sem dúvida terrestre.
Sua estrutura central evidentemente foi feita com um container padrão. Distribuídas simetricamente ao redor, quatro carcaças de Antílopes com os devidos motores, completavam a estrutura. Quatro asas perpendiculares serviam de patas de sustentação e seguravam a estrutura em posição vertical. Sua ponta era um avião foguete espacial da classe Martelo.


Do chão até o topo media oitenta metros de altura. Parecia um cargueiro. Perto da base surgiram extintores que aspergiram de espuma as chamas ao redor. Ao dissipar-se a fumaça, um dos antárticos disse:


–São caracteres chineses!


–Essa escrita é japonesa – disse outro.


–O pessoal da Lua! – exclamou Aldo – Valerión pode estar entre eles!


A cinco metros do solo, abriu-se uma escotilha.


–Quê desenho excelente – disse Aldo – uma nave vertical!


Uma escada saiu pela escotilha e desdobrou-se. Surgiram três indivíduos com vestimentas evidentemente Antárticas; Trajes marrons, mochilas e capacetes brancos, luvas, cintos e botas negros. Nos braceletes as bandeiras antártica e japonesa. Aldo e seus homens saíram da vegetação e aproximaram-se a pé na clareira carbonizada e fumegante. Os recém chegados manifestaram surpresa e Aldo sintonizou seu radio à freqüência lunar usual:


–Me escutam? – perguntou Aldo em espanhol.


Os japoneses fizeram corteses reverências e um deles respondeu:


–Perfeitamente. Vocês formam parte da expedição antártica, presumo?


–Eu sou Aldo.


–Eu sou Itaro Fuchida, capitão da Ikeya-Maru e meus acompanhantes são: meu filho Chuichi e meu neto Maya Terasaki.


–É um prazer – disse Aldo – Quantos são vocês?


–Quatro homens e quatro mulheres.


–Se o desejam, todos vocês podem acompanhar-nos ao Ponto de Apoio onde estaremos mais à vontade para conversar.


–Nos sentiremos honrados, capitão. Haverá perigo em deixar a nave sozinha?


–Não, se fechada e de escudo ligado. Vocês têm algum veículo com rodas?


–Não, a carga é toda de equipamento eletrônico e combustível.


–Então, capitão Fuchida; abordem os veículos. Deveremos percorrer ainda 22 kms até o acampamento.


–Tanto se afastam vocês de sua base?


–Sim. E fazemos coisas que você nem imagina. No caminho contar-lhe-ei o que puder para deixá-lo em dia. Vamos!

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