sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Mundos Paralelos - Capítulo 4 - 4.1

4 -4.1
CAPÍTULO IV
Interlúdio
Sentados em pedras ao redor do fogo; quatro exploradores saboreavam uma boa comida; o arqueólogo Lon Vurián, junto à sua bela companheira, a bióloga Danai, e o alto e musculoso paleontólogo Vurón Garlak com sua companheira, a também bela e não menos inteligente médica Irp-Sur. No meio deles, queimavam uns troncos dando luz mortiça, porém romântica na noite sem luas.

Acamparam no limite entre a floresta do canal e o deserto de areia, após percorrer 1.600 estádios, no seu veículo de exploração movido sobre lagartas. A cidade e suas comodidades ficaram atrás. Respiravam o leve ar fresco da noite estrelada. Embora o fogo desse um calor agradável, talvez fosse melhor subir ao aconchegante veículo e dormir nos quentes beliches. Mas algo lhes impedia de fazê-lo. Talvez o mistério da noite, de todas as noites; o brilho das estrelas, o barulho abafado da floresta perto deles; talvez o frio e as feras... Algo anima os exploradores a dormir junto à natureza, longe da Urbe, sabendo que o deserto e a floresta do canal estão livres dos defeitos da sociedade concentrada num pequeno espaço de território. Por isso, por serem verdadeiros amantes da vida ao ar livre; eles encontravam-se nestas hostis regiões para satisfazerem seus espíritos de exploradores. Diria-se que esta não era mais do que uma das suas muitas e freqüentes saídas da Urbe, sempre que suas ocupações permitiam-no, para lazer. Porém, desta vez era diferente, tinham uma missão...
Mas, sejamos indiscretos e ouçamos sua conversa:


–Não acredito em tudo isso – afirmou rotundamente o atlético Vurón Garlak.

–Você acha que é tudo invenção do camponês – disse sua esposa Irp-Sur.

–Deve ter sonhado.

–E os camponeses do Setor Sul?

–Eles também poderiam ter inventado sua parte.

–Essa polêmica não nos conduz a lugar algum – interveio a jovem Danai.

–Passando a limpo os fatos – interrompeu Lon Vurián – O camponês do Setor Norte afirma ter visto quando arava o campo ao amanhecer, um ponto luminoso, um bólido de fogo voando em direção Poente com trajeto paralelo ao horizonte, a grande velocidade, emitindo forte barulho, o que bem pode ser verdade.

–Pode ser – concordou Vurón – o que não me convence é o fato de que o objeto voava horizontalmente.

–Não podia ser um meteoro – disse Irp-Sur.

–Claro que não! – exclamou Danai.

–Em segundo lugar – prosseguiu Lon – trinta dias depois, segundo dois agricultores do Setor Sul; aparecem ao anoitecer dois pontos pretos com tremendo barulho e cuspindo fogo; vindos do nascente, passando em cima das suas cabeças.

–Descarto os meteoros – disse Danai – meteoros não voam horizontalmente.

–Como ninguém da Urbe os viu? – disse Vurón.

–Pessoas da cidade não prestam atenção ao céu, Vurón. Os camponeses sim.

Danai interveio novamente:

–Meu companheiro fala como se desejasse que aparecesse uma nave espacial com seres de outro planeta, como contam as lendas que já o fizeram no passado.

–Querida, não são lendas. Como arqueólogo, tenho encontrado indícios de outras civilizações que já existiram neste mundo, antes de nós.

–Mas não são atualmente aceitas.

–Não posso mudar o passado. Acredito na vida em outros mundos, achei provas. Por isso estamos aqui. É verdade que nosso passado é nebuloso, com deuses, mensageiros dos deuses e coisas assim. Mas isso tudo tem um fundo de verdade.

–Se você convenceu o Alto Comando disso; é tanto pelo seu prestígio, como porque seu pai é líder militar, Lon. Mas será que eles acreditam mesmo nisso?

–Claro; meu pai não tem a mente fechada, como nossa sociedade em geral. Paremos com as hipóteses e vamos analisar o mapa. Já fizemos grande parte do caminho seguindo a rota do primeiro objeto. Os cartógrafos militares fizeram-nos um excelente mapa com a rota mais aproximada possível...

–...Que corta o canal e nos impede passar – disse Vurón.

–Isso é apenas um detalhe. O veículo pode atravessar o canal no verão – disse Lon – não esqueçam que foi modificado para flutuar.

–Ainda bem – interrompeu Danai – uma patrulha perdeu um membro dias atrás no canal e a única coisa que se achou dele foi o fuzil e a mochila.

–Seria alguma fera? – disse Irp-Sur.

–Poderiam ser os arborícolas – disse Danai – sabemos que são traiçoeiros.

Ficaram em silêncio. Os perigos que ameaçavam dentro da floresta virgem, limítrofe ao canal, eram inúmeros, e alguns desconhecidos.

*******.

Enquanto isso, a 560 estádios em linha reta ao sul, no limite entre a floresta e o areal; um grupo de exploradores militares conversava sobre o assunto. Eram seis em dois veículos semelhantes ao de Lon e seu grupo. Percorreram quase 1.450 estádios, seguindo a rota dos dois últimos objetos voadores avistados por agricultores do Setor Sul. Após jantar, enquanto o sono não chegava, conversavam ao redor do fraco fogo.

–O grupo de Lon Vurián já deve ter chegado ao limite da floresta – disse Nig Varnán, o chefe da patrulha.

–Vão entrar em contato logo – disse Garl Tarnián, um dos motoristas.

–Tomara que não tenhamos que atravessar a floresta – tremeu Dorn Norván, o mecânico – Há pouco uma patrulha o fez e um deles ficou para trás e sumiu.

–Alguma fera – comentou Borg Tarn, conhecedor experiente da floresta e do canal – ou talvez os selvagens. Ao norte é zona de arborícolas. Mas nós estamos bem armados e precavidos.

–Eles também estavam – replicou Dorn, lúgubre.

–Eles abandonaram o veículo na borda do canal e seguiram a pé.

–Como sabe, Ogn? – Interpelou Dorn ao irmão de Borg.

–Li o relatório. Se alguém fica para trás na floresta, se perde sem remédio.

–Talvez ainda esteja vivo – disse Xon, motorista e irmão dos anteriores.

–Pode ser – suspirou o chefe.

–Talvez o tenham abduzido os seres que procuramos – disse Garl, sardônico.

–Claro – respondeu Borg – os aliens pequenos com um só olho o terão levado para seu mundo para estudá-lo por dentro.

–Assim saberão de quê estamos feitos e logo virá uma enorme frota de naves espaciais repletas de espacianos, para nos invadir e nos escravizar – acrescentou Garl.

–Brinquem – interrompeu Ogn – mas neste mapa estabeleci as duas rotas; a de Lon Vurián e a nossa. Não são paralelas, convergem num ponto além do canal.

–Mostre o mapa – disse Nig.

–Aqui está. Marquei as duas linhas com sua convergência e como vê, o ângulo está ao outro lado do canal, no meio da Zona Contestada.

–Isso não é bom. Está próximo de Darnián.

–Podemos perfeitamente chegar até aí, Nig – disse Ogn.

–Acha? – interveio Borg, e acrescentou, indicando os veículos com um gesto:

–Com estes monstros será difícil atravessar o canal.

–Podemos deixá-los na margem e continuar a pé – sugeriu Xon.

–Está delirando? – escandalizou-se Dorn – Como vamos passar todo este equipamento pelo canal? A nado?

–Não faremos nada até falar com Lon Vurián. Espero que ligue logo.

–É quase hora – disse Borg entrando num dos veículos – vou ligar o rádio.

Como resposta ao conhecedor da floresta, um sinal de aviso, se fez ouvir no veículo. Em seguida Nig levantou-se e foi junto ao rádio.

–Varnán! – disse Nig no microfone.

–Saudações, Nig. Estão todos bem?

–No ponto combinado, Lon. Ogn achou uma coisa que pode ser importante.

–O que é?

–Um ângulo de convergência do outro lado do canal, na Zona Contestada. Se forem espaçonaves, pousaram na região plana além da Havern Umbr.

–Quero ver esse mapa. Amanhã partirei ao sul. Venham ao meu encontro.
*******.


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