sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mundos Paralelos - Capítulo 3 - 3.20

21 de maio de 2013. Ao anoitecer.
Enquanto os homens descansados e ansiosos por atividade após um mês no espaço trabalhavam noite adentro à luz de holofotes; os quatro chefes reuniam-se ao redor do terminal, examinando as imagens coletadas pelos exploradores com intuito de tomar alguma atitude quanto ao resgate dos mesmos.

–Como sabem – disse Inge – do outro lado do canal, 200 kms ao leste; há uma
cidade da qual temos mais detalhes graças às imagens que vocês coletaram. Nossos homens atravessaram o deserto e estão á beira de um dos lagos que a delimitam. Aldo sabe que podemos pegá-los em qualquer momento com a Antílope, já que posso pilotá-la por meio do sistema. Afinal fui eu que a programei.

–Mas agora estamos nós. Proponho ir buscá-los na minha nave – disse Elvis.

–Acho que devíamos ir buscá-los, já que as naves devem ter sido avistadas,
menos a de Elvis, que chegou em direção oposta. – disse Andrés.

–Os marcianos devem ser cegos para não ter-nos notado... –disse Luis.


–Podemos usar o veículo de colchão de ar que eu trouxe – disse Elvis – os
rapazes o testaram hoje de manhã e funciona que é uma maravilha nesta gravitação.

–Sugestão descartada Elvis – disse Inge – A floresta é fechada, o Engesa teve
que ser modificado para abrir uma trilha na mata.

–Essa trilha deve de existir, Reverenda – disse Luis – vou enviar meus homens
no Cascavel. Tudo o que o Engesa faz, o Cascavel também faz.

–Descartado o Cascavel, Luis. Abandonaram o Engesa na beira da água. O
canal é profundo e do outro lado há uma parede de vinte metros – rebateu Inge.

–Vamos até o Engesa e daí com impulsores – disse Luis, sedento de ação.


–Quê acha, Inge? – perguntou Elvis.


–Depender dos impulsores é um pouco arriscado.


–Tudo é arriscado! – disse Luis – Os antárticos vivemos perigosamente...!


–Somos antárticos...! – gritou Andrés.


–Vocês são umas maravilhas! – exclamou Inge.


–Claro; Reverenda! Somos antárticos...! – concordou Luis – Não fumamos,
não bebemos, não comemos carne, não dizemos palavrões e deitamos cedo!

–Lindos! – arrepiou-se a jovem.


–Inge, ligue o terminal – disse Regina – está na hora.
*******.
–Estou feliz de que chegassem bem, amigos. Como foi a jornada? O inimigo não lhes enviou interceptores, como fez comigo?

–Não. E por falar nisso, Aldo – disse Luis – recebemos a notícia de que o
espião foi capturado quando tentava sabotar o sistema de defesa aérea.

–Mas que petulância! E o que fizeram com ele?


–O fizeram confessar. A ditadura sabia nosso roteiro até o lançamento da
minha nave. Mas entregou os cúmplices em Antártica. Eram doze.

–Doze! Mas isso é uma desgraça! O que faz a nossa segurança?


–Foi reformulada. Ele entregou espiões e traidores em Brasil e Argentina. O
Esquadrão Shock os pegou com estardalhaço para dar o exemplo. O Esquadrão está motivado agora que chegamos a Marte. Os atuais membros do Esquadrão; à diferença dos Primeiros, são cruéis e vaidosos, adoram publicidade. Os malditos espiões e os traidores vendidos tiveram mortes horríveis e exemplares.

–Excelente, e os sabotadores de Antártica, o que foi feito deles?


–Após julgamento sumário, foram fuzilados em Tierra del Fuego com
transmissão ao vivo pela RTVV e seus corpos incinerados. Na Lua foi decretado feriado festivo e na Terra a JNN disse que era mais um crime bárbaro dos Antárticos, “... esses fanáticos criminosos fascistas e terroristas que querem sabotar a Nova Ordem Mundial...”.

–Estamos mordendo os imundos e está doendo-lhes. Nos últimos setenta anos ninguém teve a ousadia de enfrentá-los...


–Falando em ousadia, como estão vocês? Já se transformaram numa lenda
viva, sabia? Conte uma prévia para os camaradas...

–Como devem de saber, já passamos o deserto de areia. Lembra os bichos da floresta que pareciam morcegos cruzados com aranha, Elvis?


–Sim, o monstro típico marciano
(*). Ray Bradbury iria adorar.

–Topamos com alguns que moram na areia, são os parentes vitaminados dos outros, pequenos, de um metro de altura, que moram na floresta.


–Não parecem ameaçadores com um metro...


–Estes não. À noite caçam bichos menores e ficam quietos durante o dia, como palmeiras. Boris pegou o facão, e disse: “Vou tirar uma amostra de
sta palmeira para ver o tipo de madeira...” Ah, meninos! Quê confusão! Saímos à disparada. O bicho tinha quatro metros, feroz como seu parente portátil da floresta. Lúcio atirou com a bazooka. Logo percebemos a quantidade desses bichos que dormem por aí sem incomodar. Nós o provocamos involuntariamente... Mas o que interessa é a cidade marciana. Daqui se vê o topo dos edifícios, devido à curvatura do planeta, mas deve estar a vinte kms. Estou enviando uma imagem noturna que pegamos agora mesmo. Podem ver a iluminação fraca. Vamos atravessar o lago para chegar perto.

–Em nome da segurança, Aldo – suplicou Luis – não façam isso. O que tinha
para ser feito já foi feito. Vocês estão indefesos demais.

–Se chegamos até aqui, devemos prosseguir. Meus camaradas concordam.


–Como estão de mantimentos e munição? – interveio Inge, muito séria – Vão
atravessar 20 kms de água num barco de brinquedo Não sabemos o que há nessa água. Talvez monstros piores dos que já encontraram e vocês estão com pouca munição.

–Reverenda, os deuses velam por nós...


–Mas podem perder a paciência com as suas molecagens – interveio Elvis.


–É verdade – disse Luis – Eu vou buscar vocês, queiram ou não! Não me
importam esses marcianos, Aldo. Acho que sabem de nós e isso já é muito perigoso.

–Está bem, vocês venceram
– concordou Aldo por fim.


–Finalmente entras em razão – disse Inge.


–Está na hora de dar-nos a conhecer. Acamparemos aqui. Há rochas, estamos
protegidos, a boa distância da praia, há espaço para pousar uma nave com luz de sol. Sabem onde estamos com precisão de metros. Amanhã, abordamos a nave e vamos visitar os marcianos. O quê acha?

–Melhor impossível – disse Andrés.


–Então, estamos conversados. Até amanhã e durmam bem por aí!


–E vocês também – disse Inge – Mais uma coisa, Aldo...!


–Sim, Reverenda?


–Te amo.


–Que feliz coincidência, eu também!


Os que não estavam trabalhando foram dormir. Amanhã seria um dia agitado.
*******.
(*) - Foto do monstro: Homenagem ao filme "Angry Red Planet"(1959).


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