sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mundos Paralelos - Capítulo 3 - 3.9

3.9
12 de maio de 2013, pela manhã.

O Engesa começou a atolar-se na lama.

–Estamos quase no centro da floresta, o terreno é baixo e não demora em aparecer água – disse Boris.


Perto do meio-dia, atingiram à margem imprecisa de uma massa de água que devia ser o rio. Acima podiam ver o sol, que até aí estivera oculto pela vegetação.

–O Engesa não atravessa isso – disse Lúcio.

–Vamos sondar o rio – disse Aldo – Lúcio, monte o barco.

O barco de vitroplast era grande e forte, equipado com motor elétrico fora de borda e remos de emergência. Boris cortou galhos compridos para sondar o fundo e foi com Lúcio até a outra margem; distante mais de três mil metros.

–O Engesa não atravessa aqui – disse Lúcio – já temia isso.

–Podemos adaptá-lo para flutuar! – replicou Aldo.


–Do outro lado não sobe. Há um barranco de vinte metros, muito empinado.

–Só faltava isso! Voltem!

–Espera, vamos subir o rio para ver se encontramos uma passagem.

–Vou verificar rio abaixo – Aldo colocou o impulsor nas costas.

–Marcos, fique no Engesa.

Voando por sobre as águas em direção contrária à do barco, para verificar a margem, Aldo percorreu mais de dez kms sem encontrar um passo que o Engesa pudesse atravessar. Chegou a pousar na outra margem e examinar o terreno.

–Me escutam?

–Sim – disse Marcos.

–Deste lado é uma parede de rocha. Não há como passar. Insistir é perda de tempo e sair da rota preestabelecida. Vou voltar, Marcos.

Aldo retornou. Marcos esperava, sentado em cima da torre do Engesa.

–Onde estão Lúcio e Boris? – perguntou.

–Ainda no rio.

–Estamos ouvindo! – disse a voz de Boris nos seus capacetes – Avançamos quatro quilômetros rio acima. A margem esquerda é um barranco de mais de vinte metros. Não há como passar com o Engesa.

–Voltem, vamos acampar aqui mesmo para ver o que fazemos.

Pouco depois, ouviu-se a voz desesperada de Lúcio:

–Aldo! Marcos! Venham com armas! Estamos sendo atacados!

–A caminho! – Aldo pegou um fuzil e levantou vôo.

Marcos pegou seu impulsor e foi atrás. Um minuto depois avistaram o barco rodeado de monstros humanóides que tentavam subir. Era uma luta corpo a corpo; Boris abria cabeças e decepava membros com seu inseparável facão; Lúcio atirava com a pistola e estourava corpos com balas explosivas; mas apareciam mais monstros.

Aldo e Marcos desceram atirando, abrindo uma brecha na massa humanóide.

–Chegaram na hora! – disse Lúcio sem deixar de disparar.

Ao ver os seres voadores, os monstros mergulharam nas profundezas, deixando apenas cadáveres flutuando. Por via das dúvidas Aldo descarregou sua arma no local do rio onde os monstros desapareceram. Mas eles não voltaram.

–Foi por pouco! – disse Boris, puxando um cadáver para perto – São feios!

–Parecem lagartos – observou Lúcio – três olhos, pele reptilóide... Anfíbios!

–Estavam armados?

–Com machados de pedra, Aldo.


–Devem ser os aborígines da região – disse Boris.

–Sem dúvida. Não estão feridos?

–Não, Aldo – respondeu Lúcio – A roupa e os capacetes resistiram, mas estamos doloridos. Nada que um descanso não resolva.

–Ainda bem. Vamos embora daqui. Liga o motor, Boris.

*******.
Foto dos quatro astronautas: Homenagem ao filme "Angry Red Planet"(1959).



Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

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