domingo, 28 de novembro de 2010

Vale a pena ler de Novo.

Reproduzo de novo um e-mail...

...que receb
i em 09/11/2008 do autor de "Mundos Paralelos":

(Alguns nomes e endereços de lugares foram retirados ou mudados em respeito à privacidade do autor e da família Cardelino).
M.J.S

"Caro Martin:
Mando-te em anexo o Sermão do Padre Caselli.
Logo do telefonema de hoje, quando dissestes que estavas na reunião de família, resolvi que vou te mandar, se já não te mandei, (Este Dr. Alzheimer...!) uma lista excel de personagens vivos, mortos e por morrer, em ordem de aparição, que fiz para não me perder.

Copiei a ideia de Charles Dickens. Em Londres do século 19 ele não tinha o Excel 2000 da Microsoft do Bill Gates, e por isso mandava fazer uns bonequinhos de barro com um ceramista vizinho, que colocava encima da mesa. Quando o sujeito (ou sujeita) em questão morria, ele quebrava o bonequinho.

No capítulo 14 acontecerão os "terríveis acontecimentos de março", mencionados na foto de arquivo que te mandei dias atrás, e que continuam terríveis, depois, no capítulo 15.

Mas vamos a um pequeno retrospecto do volume um, que tinha separado há dias, quando lembrei que mencionastes que estavas perdido no meio dos personagens.
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Acredites o não - (tenho o original em espanhol, escrito a mão num caderno amarelado, para provar) - este sermão, que incluí na página 133 do capítulo 8, volume 1 Fase 1; do qual anexo 5 páginas (129-133) para apreciação e para que te situes quanto aos personagens (alguns deles estavam desembarcando no Ponto de Apoio, como já te disse (será que eu disse...?) ao telefone); foi escrito por mim talvez em julho de 1969, quando Armstrong desembarcou na Lua.

Lembro porque eu tinha 16 anos e namorava há dois com Letícia Cardelino, da mesma idade; que depois morreu de leucemia em Buenos Aires em 28 de novembro de 1970.
Naquela época não havia cura para isso.
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Passaram-se 21 anos e um dia fui a Buenos Aires a trabalho (Lembras disso?), e às cinco da tarde de 22 de junho de 1991; um dia congelante com menos um grau de temperatura; finalmente achei seu túmulo em La Chacarita, com ajuda de um funcionário.

Se um dia viajas para lá; o panteão familiar dos Cardelino fica a sete ruas do panteão de Gardel, a direita de quem entra pela avenida principal.
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Letícia Helena Cardelino nasceu em Montevideo em 1º de setembro de 1953.
Era a irmâ do meio, entre Horacio, o mais velho, nascido na Itália, e Esther, a mais nova, nascida em Buenos Aires.

Sua família de Trieste, Itália, era dona de uma famosa loja de eletrodomêsticos de Buenos Aires. A filial de Uruguai; a CASA CARDELINO, ainda deve estar no centro de Montevideo, ao lado do EMPORIO DE LOS SANDWICHES, a uma quadra e meia de um dos apartamentos de minha madrinha.
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Sua tia, irmã do seu pai, que gerenciava a filial, morava numa mansão no fino bairro de Carrasco, a duas ou três quadras da praia do mesmo nome. Eu a conheci em abril de 1967. Desde fim de março fazia bico como ajudante de iluminador e meu primo fazia bico de ajudante de sonidista num programa dominical no canal 4 de televisão. Ela participou do programa de calouros, como cantora e no final do programa, a encontrei na cafeteria e conversamos por primeira vez. Descobri que ela tinha permissão para viajar sozinha entre os dois países, e ficava sempre na casa de sua tia por duas ou três semanas.
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Ela tinha planos para o futuro que nunca chegou;
queria ser médica.
Era
uma menina de olhos azuis, magra e alegre; tinha uma bela voz de contralto e usava o cabelo loiríssimo cortado a la garçom, como era a moda de todas aquelas gurias aborrecentes da época, que queriam parecer-se com a modelo inglesa Twiggy, muito famosa naqueles anos.

Ela gostava de
cinema e de música. Foi com ela que assisti a estreia do meu filme francês favorito; Un Homme et una Femme, de Claude Lelouch, com Anouk Aimeé e Jean Louis Trintignant em agosto de 1969, no cinema Eliseo, de Montevideu, hoje igreja do bispo Macedo, ou de qualquer outro desses reverendos.
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Foi Letícia; com sua aparência física, com sua maneira de ser e de falar; que estava presente na minha cabeça ao criar a psicóloga italiana, doutora Regina Lúcia Cardelino, bem-humorada esposa do comandante Boris Jaskavitch; como a melhor amiga e conselheira do sofrido, porém esquentado capitão Aldo.

É Regina, com seu carinho e seu bom humor, que consegue controlar e diluir todo o ódio, toda a raiva e o fanatismo de um homem que teve seus pais cruelmente assassinados pelos dominadores do mundo.
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Regina Cardelino é minha personagem favorita, e só não a casei com Aldo, porque o comandante Boris, o segundo em comando, um brutamontes russo-brasileiro, filho de fazendeiro gaúcho; é mais parecido comigo do que o capitão antártico.
Aldo a vê como uma irmã, a melhor amiga e confidente. Sem falar q
ue ele e a Reverenda Sacerdotisa Odínica Ingeborg, se amam desde que eram crianças; quando tiveram seus pais assassinados pela ditadura; ocasião em que Aldo e seus irmãos; e Inge e seu irmão Leif, foram levados para Antártica e adotados pelo solteirão rabugento Doutor Valerión que os juntou às outras crianças, filhas de líderes ainda vivos na época; entre elas, Regina e seu irmão Lúcio; as gêmeas Blanes e outros.
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Alguns diálogos deles que aparecem por toda a obra; são conversas nunca esquecidas que Letícia e eu tivemos. É a forma que achei para que ela não desapareça, esquecida, no turbilhão dos Mundos Paralelos.
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Eu tinha uma bela foto dela, 4x4, preto e branco, que bati com a minha velha Brownig quadrada, mas o falecido tenente Nguyen Lao Tyu, a usou para acender um charuto que depois apagou nas minhas costelas em fevereiro de 1976, uma ou duas semanas antes que o o degolasses como um porco, igual que o Pearl; depois de fuzilar seus homens, perto de Hue, no paralelo 17, Vietnam. (Obrigado - de novo - por me salvar. Um brinde aos camaradas ausentes! Hoje estão com os deuses!)

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Restou-me como consolo a imagem que anexo, a modo de homenagem à minha saudosa e sempre amada Letícia Helena Cardelino; na figura carinhosa e querida da doutora Regina, desenhada fielmente por nosso amigo André Lima. tal qual eu a descrevi, num fim de semana de agosto de 1994 em minha casa de Gravataí.

Finalmente ela tornou-se uma doutora, heroica e famosa.

Mais do que ela que
ria.
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É isso aí o que tinha hoje para dizer, meu caro Martin. Acho que exagerei, mas se não te contasse, nunca saberias que ela existiu; quem ela foi, que queria ser médica, que gostava de cinema e música, que foi uma moça alegre enquanto viveu e que para mim foi uma pessoa muito importante."
Gabriel Solís.
9 de novembro de 2008
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(Como sempre, Click nas imagens para aumentar - Ah...! Tomei a liberdade de colocar imagens da modelo inglesa para ilustrar sua semelhança com a jovem Letícia -
falecida há hoje exactos 40 anos - de acordo com a descrição feita pelo autor).

Martin Juan Sarracena,
28 de novembro de 2010.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mundos Paralelos - Capítulo 3 - 3.8

3.8
Ponto de Apoio, 10 de maio de 2013.
Noite.
–Apareceram formigas de quase dois metros – disse Aldo.

–Não diga...! – disse Bárbara que estava de plantão – coloque-os na tela!

Em seguid
a apareceram as imagens dos monstros.

–É possível que nos ataquem se formos a pé. Como vêem possuem mandíbulas
como formigas, mas vejam a proporção.

–Se são fortes como formigas, podem levantar o Engesa como se fosse um brinquedo. – observou Nico.

–Não se preocupe.


–Com a gra
vitação fraca, todo pesa menos... O tamanho desses monstros é devido a isso. Na Terra não teriam crescido tanto, e nem as árvores.

–Mas a gravitação é fraca e a força é equivalente. Não têm tanta força.


–Como sabe?


–Atropelamos alguns e os jogamos para o lado com facilidade, para eles, nós
somos terrivelmente pesados...

–Mas isso não impede que prendam um humano e o esmaguem.


–Sim já notamos isso, Nico.


–Tenham cuidado. Não estamos aqui para brincar com a sorte.
*******.

Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

domingo, 21 de novembro de 2010

Brick Bradford - 029 - Fim.

Brick Bradford, de William Ritt e Clarence Gray (1933).

Muitos anos antes de Star Trek existir...

Brick Bradford visitava os planetas,

"Audaciosamente indo onde nunca ninguém jamais esteve..."

E agora terminamos a historinha portuguesa desenhada por Paul Norris...



(Ah... sim! Não se esqueça de clicar nas imagens para aumentar!!)

Mais quadrinhos em dezembro.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mundos Paralelos - Capítulo 3 - 3.7

3.7
Ponto de Apoio, 9 de maio de 2013.
Noite.
Após o jantar, Nico e as garotas, rodearam a tela de comunicação. Aldo e seus camaradas tinham feito uma parada para jantar e descansar, mas antes estabeleceram comunicação para mostrar o avanço pela floresta.

–Vamos a uma média de dez quilômetros diários, portanto em quatro dias
estaremos do outro lado, se não aparecer algum obstáculo.

–Como se comporta o Engesa? – perguntou Nico.


–Muito bem. Vamos devagar, porque paramos para filmar coisas
interessantes. Cortamos mato sem problema, a invenção de Lúcio funciona bem. Tivemos que fazer alguns ajustes, porém funciona a contento.

–Encontraram vida animal?


–Sim Regina, de vários tipos. Por exemplo, há pequenos seres arborícolas que
parecem macacos cruzados com lêmures, embora não pudemos pegar nem um só. São rápidos no solo. Boris acertou um com o fuzil, mas esquecemos que estamos usando balas explosivas e o infeliz bichinho desintegrou-se.

–Coitadinho do bichinho, Aldo...! – exclamou Bárbara – Quanta maldade!


–Sim, querida, até concordo contigo. Na verdade não estamos interessados
nem equipados para pesquisas biológicas. Isso deverá ficar para os que virão depois. Nossa pesquisa é só geográfica, queremos mapear e delimitar território.

–Para delimitar o território; não esqueçam de urinar nas árvores ao longo do
caminho; seus machões! – exclamou Regina, sempre debochada.

–Não dá, Regina – observou Aldo rindo – os trajes não o permitem. Urinamos
dentro do Engesa. Mas estamos deixando postes de sinalização a cada cinco kms.

–Disseste que há vida de vários tipos...


–Sim, Regina. Há uns bichos carnívoros de meio metro de altura, com cabeça
e corpo de morcego, porém sem asas, com um longo rabo e seis longas patas peludas parecendo aranhas, duas delas com arremedo de mãos com quatro dedos. (*)

–Finalmente temos os clássicos monstros marcianos! – exclama Ingeborg.


–Não esqueça que vimos sinais de vida muito mais inteligente.

–E disse que são carnívoros?


–Caçam e comem uns bichos arborícolas e outros bem nojentos, umas lesmas
de dois metros e meio e meio de largura que abundam muito por aí. Em qualquer momento pode-se esbarrar na gosma deles.

–Tenham cuidado – disse Nico – Não levem micróbios para o Engesa.


–Sim, por favor – suplicou Inge – tenham cuidado!


–Tomamos todas as precauções. Só descemos do veículo em caso de extrema
necessidade. Mas sempre nos limpamos na escotilha com o scanner germicida.

–Não podemos correr riscos – disse Nico.


–Há animais hostis? – perguntou Regina – quer dizer... Que os tenha atacado?


–Por enquanto não.


–Mas tenham cuidado!


(*) - Foto do monstro: Homenagem ao filme "Angry Red Planet"(1959).
*******.

Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Segredos do Sol - explosões solares em 2012

A coisa vai esquentar mesmo.

O mundo pode não acabar em 2012, como no filme... mas que algo grande vai a aconcecer... ah! Isso vai.


domingo, 14 de novembro de 2010

Brick Bradford - 028

Brick Bradford, de William Ritt e Clarence Gray (1933).

Muitos anos antes de Star Trek existir...

Brick Bradford já estava nas telas do cinema...



E agora continuamos a historinha portuguesa desenhada por Paul Norris...



(Ah... sim! Não se esqueça de clicar nas imagens para aumentar!!)


Continua no próximo domingo.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Mundos Paralelos - Capítulo 3 - 3.6

3.6
Ponto de Apoio, 8 de maio de 2013.
Após o café, os antárticos fizeram a checagem final e embarcaram no Engesa.
Afastaram-se no meio de uma nuvem de pó, enquanto Nico e as moças observavam pela janelinha redonda de vitroplast do alojamento.

–Estou apavorada – confessou Inge.

–Também estou – disse Bárbara.

–Agora eles estão por si – disse Regina – sozinhos...

–Meninas! – exclamou Nico – podemos vê-los em todo momento pelo satélite!

–Tens toda a razão, querido – concordou Regina bem-humorada – mas acabas de estragar um momento romântico...

Nico ficou com as cinco mulheres no acampamento. Pela janela contemplava o ponto em que se tinha transformado o Engesa que se afastava rapidamente, levantando poeira vermelha na enferrujada paisagem.

Nesse meio tempo, no espaço, com 24 horas de diferença entre elas, viajavam a máxima velocidade as três naves seguintes da seqüência da série “B”, a Antares, a Antarte e a Polaris. Elvis Santos, ao comando da primeira, Andrés Rodríguez na segunda e Luiz Fagúndez na terceira.

Apesar de ter partido em datas diferentes, a previsão era de que chegassem em torno do 19 de maio, aproximadamente. Todas elas traziam seus containeres repletos de material, inclusive mini-fábricas desmontadas, para fabricar alimentos, combustível, material de
construção e outros elementos necessários à sobrevivência no planeta.

*******.

Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Nove de Novembro na História.

Esta data sempre tem sido misteriosamente predisposta para marcantes acontecimentos mundiais.

Senão, vejam só:

1799- Golpe de Napoleão.



1800-Inaugurado o Museu do Louvre.


1888-Último crime de Jack Estripador.


1918-1ª República Alemã.

1923-Punch da Cervejaria em Munich.

1938-Kristalnacht.

1960-J.F. Kennedy Eleito presidente dos Estados Unidos.

1969-Rockefeller alerta contra a onda de Nacionalismo.

1988-Bush (Pai) Eleito.

1989-Queda do Muro de Berlim.

1992-Fim da Era Bush (Pai) e Saddam se mantêm no poder.

1993-PC Farias com a cabeça a prémio.

1994-Inauguração do Memorial do Holocausto em Montevideu, Uruguai.

2000-Bush Jr. eleito com falcatrua.

2001-Bush Jr. ataca o Afganistan.

2002-Bush Jr. se prepara para a guerra contra Saddam.


E em 2009

Alemanha celebra 20 anos da queda do Muro

foto

Berlim - Milhares de alemães saudaram com entusiasmo o momento que marcou a queda do Muro de Berlim há 20 anos

E em 2010...........................................?


O quê acontecerá hoje
que será marcante na História?


(Clik na imagem para... ora, você já sabe)

domingo, 7 de novembro de 2010

Brick Bradford - 027

Brick Bradford, de William Ritt e Clarence Gray (1933).

Muitos anos antes de Star Trek existir...

...Este herói era uma mistura de Capitão Kirk, Indiana Jones e James Bond, que viajava pelas estrelas e pelo tempo, em sua nave:

O pião do Tempo.


E agora continuamos a historinha portuguesa desenhada por Paul Norris...


(Ah... sim! Não se esqueça de clicar nas imagens para aumentar!!)


Continua no próximo domingo.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Mundos Paralelos - Capítulo 3 - 3.5

3.5
Ponto de Apoio, 5 de maio de 2013.
De manhã, no iglu de moradia, mais confortável do que a nave; e para onde já tinham mudado seus pertences, os antárticos tomavam o café da manhã; sentados em cadeiras de lona ao redor da mesa desdobrável.

–Hoje começaremos a atravessar a selva.


–Pode haver feras...– observou Inge – Por quê não explorá-la do ar?


–É tão fechada que não veríamos nada. Usaremos o Engesa que é bem seguro.

–A região é baixa e há água – Interveio Lúcio – o solo deve ser uma esponja.

–Precisamos encontrar água aproveitável – acrescentou Nico.


–Pela forma da Mancha, pode tratar-se de um rio bordejado de vegetação. E
que vegetação! – disse Boris – Pelo que vimos do ar, a Mancha é maior no norte, um triângulo que indica rios que convergem no principal e essa água vem para o sul.

–A largura da parte próxima é de 40 kms – interveio Nico.


–Não a atravessarão num dia – disse Regina, entrando com um bule de café.


–Pois é – diss
e Aldo, servindo-se café – o Engesa é amplo o bastante como para morar nele. Mesmo assim, levaremos a burbuja com o escudo portátil para o caso de que tenhamos que abandonar o Engesa por mais de um dia.

–Seria conveniente levar o barco – sugeriu Marcos, saboreando seu café.


–Seria bom ir bem armados – disse Lúcio – pistolas e facas.


–Boa idéia – disse Aldo – Lúcio levará a bazooka e Boris o fuzil de longo
alcance. Marcos e eu levaremos fuzis de assalto com infravermelho, lança-granadas e mira laser, cortesia do Esquadrão Shock.

–Usaremos os trajes leves – disse Lúcio – regulador térmico, compressor de
oxigênio local e ar de reserva. O Engesa está equipado com beliches, latrina, oxigênio, água, painel solar, GPS, computador, rádio e parabólica dobrável.

–Sem esquecer de facões para abrir a mata – sugeriu Boris, experiente.


–Tenho uma idéia melhor – disse Lúcio – Há material para fazer um cortador
de grama sofisticado. Tive a idéia agora mesmo.

Lúcio despejou seu lado da mesa e abriu o computador. Com dedos rápidos
preparou um desenho do Engesa equipado com uma trilhadeira em forma de bico, um limpa-trilhos como das antigas locomotivas; para limpar a frente, com duas lâminas giratórias móveis em posição horizontal para cortar mato.

–Você é um gênio, Lúcio – disse Aldo.


–Sim, eu sei disso. Após o café, vou desmontar a embalagem do Engesa e
verei o que mais posso aproveitar – disse Lúcio, fechando a tampa do computador.

Os antárticos trabalharam dois dias montando e soldando o equipamento.
Além do limpa-trilhos, colocaram duas serras circulares, para cortar os troncos mais grossos, e dois lasers de 5mm em duas pequenas estruturas giratórias, na frente, para que funcionassem como tesoura, cortando vegetação mais rebelde.

–Não acham que esses raios vão queimar a floresta? – perguntou Marcos.


–Não há oxigênio para tanto – interveio Boris – fiz experiências; o fogo apaga
logo. A madeira deve estar muito seca para queimar. O ar é seco, mas floresta é úmida por dentro. Teve milhões de anos para aprender a segurar líquido neste clima hostil.

–Vamos destruir a mata, Aldo! – exclamou Nico.


–Vamos, sim.


–E a ecologia, como é que fica?


–Deixe essa preocupação para nossos bisnetos marcianos daqui a cem anos.


*******.

Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Robô atolado em Marte encontra indícios de água

Robô atolado em Marte encontra indícios de água: "O terreno onde o Spirit está encalhado desde o ano passado tem indícios de que água líquida, oriunda provavelmente de neve derretida, escorreu para o subsolo de forma contínua no passado recente."