sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Mundos Paralelos - Capítulo 2 -2.8

(2.8)
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Fez-se o silêncio na ponte e ficaram mudos de emoção com o espetáculo irreal.
Enquanto assentava-se a poeira podiam ver as baixas elevações e a rala vegetação
limitada a pequenos matos de pouca altura espalhados em volta. Ao leste, divisava-se um vale, ou pelo menos é o que parecia, já que o horizonte em volta parecia próximo demais devido ao tamanho do planeta.
–Suporte de vida normal, podem tirar os capacetes – anunciou Nico.
–Perfeito, camaradas! – disse Aldo – estamos em nosso novo mundo. Vamos trabalhar! Marcos; verifique eclusas e comportas. Boris; vá lá embaixo e verifique as máquinas e a estrutura. Regina; abra a parabólica, desdobre os painéis e carregue as baterias. Inge; faça contato com a Terra. Bárbara; verifique a posição pelo satélite e atualize os mapas. Tama; analise a atmosfera. Nico; prepare os trajes. Lúcio; prepare o equipamento e as armas. Eva; verifique se as câmeras externas estão funcionando.

Em seguida, Aldo se dispôs a verificar a carga de combustível e a energia dos acumuladores, enquanto os outros faziam suas tarefas. Uma hora depois, tudo estava a ponto e Inge Stefansson transmitia à Terra:

–Em Ares Vallis a pressão é menor que no Everest; mas estamos num local alto. Em locais baixos será mais acentuada. Há oxigênio, nitrogênio e outros gases, embora não seja suficiente para respirar, o oxigênio pode ser aproveitado. A esta hora da manhã, há sete graus com tendência a aumentar. A gravitação... Bom, quem pesar 70 kg na Terra, aqui pesa 26. Há bastante vegetação, como supunha o Dr. Valerión. Da minha parte isso é tudo. Inge se despede. Aldo vai falar a seguir.

–Atenção, Elvis – anunciou Aldo em seguida – Estamos a 71 kms ao norte do equador, o ângulo de pouso foi de nordeste à sudoeste. Estamos em terreno plano com espaço para pouso de sete kms em volta. Se aqui não for bom farei rodar a nave até algum local mais coberto. Ainda não desembarcamos; ligamos o microfone e há um silêncio de morte. Apenas barulhos ocasionais que nós mesmos fazemos. Câmbio.

A resposta chegou após quatorze minutos de espera:

–A Antares está abastecida em posição de decolagem. O que pediu está no
container. Aguardo. O fato de vocês ter chegado, já é um tumulto mundial. Os Treze malditos estão mais loucos do que nunca, tentando explicar ao mundo o que vocês fizeram. Tudo o que mostramos na RTVV eles tentam rebater, mas não podem silenciá-la. Colocamos mísseis na Lua, para defendê-la. Não sei por quanto tempo eles suportarão nossas “afrontas”. Elvis desliga.

–Vamos sair só os homens – disse Aldo – Marcos fica para pilotar se eu...

–Não! – a revolta de Ingeborg Stefansson era enorme.


–Sinto muito, Inge. Você é a nossa Reverenda. Reze por nós.


–Machista! – respondeu a jovem.


–Sabes que não sou; vocês e Marcos devem ficar dando cobertura.


–Coisa bem fácil, para as moças... – ironizou Regina Cardelino.


–Não sabemos que nos espera, garotas. Aqui vive gente que talvez nos viu.


–Não vejo nada perigoso daqui de cima – observou Eva.


–Esses matos podem ser algo mais do que simples, inofensivos e tranqüilos
vegetais – observou Aldo – além do mais já tivemos problemas sérios.

–Devem ser os perigosos Homens Planta, de Mongo, digo de Marte, coronel Flash Gordon – sugeriu irônica, Regina.

–Vocês estão levando na brincadeira uma coisa séria – protestou Aldo, dando
uma forte palmada no belo traseiro da psicóloga.

–Já estás te comportando como um klingon – protestou Regina – isso doeu!

–Era para doer.


–Está bem, capitão Kirk, não esqueça de levar seu phaser – sugeriu Inge, meio
ressentida e decepcionada ao ver que não conseguiria desembarcar junto. De todos modos tentou consolar-se dizendo:

–Ao final, vamos ficar muito tempo aqui.


–Isso mesmo – disse Aldo – Lúcio, distribua as armas, Regina, pegue a placa e
a bandeira e coloque na escotilha de saída. Os outros, equipem-se.
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