sexta-feira, 16 de julho de 2010

Mundos Paralelos - Capítulo 2 - 2.3

(2.3)

30 de março de 2013. Dez dias de navegação.

–Satisfaz-me ver como estão se adaptando todos à nave. Na verdade é muito confortável – dizia Aldo ao seu irmão Elvis, na tela do comunicador.

Aqui estamos prontos. Eric já está bom e temos 80 tripulantes treinados.

–Excelente. Teremos mais nove naves tripuladas em breve.

–Algum recado?

–Não. Vamos desligar para recarregar os acumuladores.

–Certo. Quando nos comunicaremos de novo?

–Em dez di
as, se não houver novidades. Deixaremos aberto o canal.

As comunicações eram cada vez mais espaçadas. Logo seria impossível usar a tela, e já que as ondas de rádio vão à velocidade da luz; em Marte o intervalo seria de seis minutos e aumentando.
*******.

A longa mão do Anticristo.
Uma “noite”, Inge estava de plantão, quando o radar detectou uns pontos à frente, aproximando-se e disparou o alarme, com o que todos se dirigiram à ponte.

–Aldo, veja! Meteoros a 330 graus marco 15! Na proa de bombordo!


–Não pode ser, isso só acontece em filmes de classe B ou C.

–Diga isso ao radar. Estão em rota de colisão. Nos desviamos?

–Se forem meteoros; não vale a pena alterar o rumo por tão pouco. É uma boa ocasião para testar o escudo de força. Alerta vermelho! Todos aos seus postos!

–Não são meteoros...! – exclamou Inge, indicando a tela do telescópio – São cinco mísseis navegando por inércia!

–Não pode ser – disse Aldo.

–Pode sim – confirmou Lúcio – e são do inimigo.

–Como é possível? – perguntou Marcos – Ninguém pode nos alcançar nesta velocidade. De onde estão vindo?

–A única explicação – disse Lúcio, dedilhando no terminal – é que os lançassem antes da nossa partida.

–São grandes – disse Inge – parecem ter muitas ogivas.

–Desta vez foram longe demais – disse Aldo – infiltraram um espião que conhecia nossa rota. É a única explicação possível.

–São do tipo de quatro ogivas – disse Lúcio – Resistirá nosso escudo?

–Deve resistir – disse Aldo – senão reclamaremos ao Dr. Valerión.

–Gracinha! – disse Regina, pálida como um papel.

–Lúcio, solte um míssil e dirija-o você mesmo, eu vou acelerar.

Assim que o torpedo saiu pelo lançador, Aldo acelerou sem perder o rumo. O torpedo alcançou o primeiro dos mísseis inimigos, explodindo num clarão atômico que desintegrou toda matéria existente num raio de dez quilômetros.

–Bingo! – exclamou Lúcio – e vamos mais rápido do que a onda de choque.


Segundos depois,
apesar de ter deixado atrás a grande explosão, um míssil inimigo retardatário, ainda representava perigo à frente.

–São espertos demais os malditos...! – exclamou Aldo – Pensaram em tudo. E não há tempo de lançar outro torpedo.

–O escudo deverá resistir – disse Lúcio – ou viramos mésons...!

O míssil bateu no escudo a mais de quinhentos metros da nave e brilhou um clarão nuclear. Mas a nave, apesar de sacudir-se um pouco, continuou seu rumo, saindo em seguida da área de choque.

–Escapamos bem – disse Lúcio – somos quase invulneráveis.

–A qualquer arma terrestre – Acrescentou Marcos.

–Depois disso, fiquei com fome – disse Boris – não é já hora do café?
*******.
Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

2 comentários:

  1. Café?! No futuro não haverá mais estupefacientes!

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  2. Se sobrevivermos a 2012, em 2013 ainda haverá café.
    é bom para o fígado.

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