domingo, 9 de maio de 2010

Brick Bradford - 001

Brick Bradford, de William Ritt e Clarence Gray (1933).

Muitos anos antes de Star Trek existir...

...Eu era (e ainda sou) um fã apaixonado das aventuras de Brick Bradford, que pararam de ser escritas e desenhadas em 1987.

Durante muito tempo ele foi capaz de confraternizar com o clássico por excelência do gênero nas histórias em quadrinhos: Flash Gordon e Buck Rogers.

Deve ter sido o primeiro herói ruivo vestido com uma camiseta que lembra hoje Bruce Willis em Duro de Matar.

É apresentado como filho rico de um bilionário e também piloto, mais de acordo com o ideal de exotismo predominante na década de trinta.

Ele teve uma clara influência nas histórias e filmes atuais: sua relação com um arqueólogo erudito, o Professor Salisbury, e sua bela e liberada filha June; com uma afinidade com Indiana Jones e sua turnê de civilizações perdidas, em constantes aventuras, quer na Terra ou em outro lugar.

Suas emocionantes aventuras, talvez sem rima ou razão, o tornavam capaz de estender um quadro e dar sempre atrativos, antes ainda que a American Sindicate coagissem a liberdade de expansão em oito semanas de exposição, meio e fim.

Algumas das mais emocionantes aventuras de Brick Bradford chegaram a ser superiores a um ano, o que permitia aos seus autores expandir o argumento e alterá-lo à vontade.

O charme da série é que o ritmo de suas aventuras impediam qualquer tentativa de prever como iam acabar.

Brick Bradford é nobre e determinado, um herói puro, mas não menos ilustre do que seus concorrentes e / ou herdeiros.

O desenho nervoso de Clarence Gray o enfrenta a mongóis, piratas, canibais, Vikings, sobreviventes improváveis de todas as civilizações perdidas em fortalezas ou no remoto império Inca, sempre de acordo com o roteirista William Ritt.

O componente combina ficção científica e fantasia heróica, com um ar de romance popular digno de Bill Barness, de quem parece ter as iniciais, e embora a tira diária apresentara um caráter mais heróico e ligado às coisas terrenas, logo a página de domingo (talvez pelo apelo da cor, o que poderia ajudar a trazer mais elementos exóticos e onde os escritores tradicionalmente se esforçavam mais) estava sujeita à ficção científica, as melhores aventuras do personagem, talvez o que acabaria por mudar para os grandes cientistas foram a incursão inovadora do protagonista e seu amigo Professor Kalla Kopack no mundo atômico de uma moeda de cobre de um centavo (a partir de fevereiro 1937 a janeiro de 1938!).

Esta aventura, apresentava diariamente na imprensa as suas civilizações perdidas e suas princesas apaixonadas, vilões de opereta e aeronaves e sistemas solares em miniatura, foi pomposamente intitulado "Viagem ao Centro da moeda (uma aventura no Mundo do Átomo)."

Como detalhe curioso, as páginas de domingo do personagem tinham, em 1935, uma faixa separada, de modo a conseguir o domínio de toda a página do jornal, uma aventura paralela do outro lado já em série.

O Top Time (Pião do Tempo), foi assimilado às aventuras de Bradford, que salta em seguida, e sem confusão para se tornar uma divertida série sci-fi em todos os temas da "space opera" e todos os momentos. (Inclusive foi feito um filme nos anos trintas.)

Destaques da literatura de aventuras se reúnem aqui, com invasões alienígenas, robôs gigantes, viagens ao centro da Terra, raças alienígenas mutantes fauna remanescente de nosso próprio planeta, a segunda viagem de volta no tempo para ser feita ao longo de dez anos de continuidade e já nos anos cinqüenta na mão do artista Paul Norris, os encontros inevitáveis com discos voadores.

Esse foi o quadrinho de aventura do passado; a emoção e o prazer de contar histórias: um sentimento de admiração, no melhor sentido do termo. Os autores se divertiram e foram surpreendidos tanto como os leitores com as aventuras de seu herói.

Nessa época, quando não existia a palavra "nerd" eu era feliz curtidor de quadrinhos... até a Enterprise aparecer.

Apresento agora uma aventura em série (aparecerá aos domingos, como uma homenagem) de Brick Bradford, desenhada por Paul Norris, editada em Portugal, onde nossos nobres amigos portugueses o rebatizaram como "BRIGUE FORTE" :

O professor Salysbury agora é o professor Eastern, e amiga do herói é a jovem Pamela (Pam, para os íntimos)



(Ah... sim! Não se esqueça de clicar nas imagens para aumentar!!)

Continua no próximo domingo.

2 comentários:

  1. Parabéns! Que belo resumo! Como antigo desenhista sempre gostei destes quadrinhos fantásticos: o claro-escuro, o reticulado (que eu invejava e não existia no Brasil, até o surgimento da LetraSet, alguém lembra?)e o clima mágico pleno de imaginação sem limites proporcionado pelas aventuras interplanetárias. Flash Gordon era meu ícone e comprava todos os 'gibis' que apareciam. Mas Brick Bradford e dezenas de outros enchiam o imaginário de crianças de uma época em que não havia televisão e toda a parafernália de "entretenimento" que se seguiu. Bons tempos!

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  2. Muito obrigado C. F. Menz pelo seu comentário. Veja também "Abismos Invisíveis" em espanhol, um estilo de desenho também antigo. Aguarde mais quadrinhos.

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