sexta-feira, 30 de abril de 2010

Mundos Paralelos - Capítulo I - 1.21

1.21
A tripulação da nave Antílope foi selecionada por seu capitão Aldo.
Ele e seu irmão mais velho Marcos, que assumiria o cargo de segundo em comando eram jovens, fortes e decididos.
Conheciam a fundo a nave que ajudaram a construir; estavam capacitados para dirigir-se ao seu destino e enfrentar o inesperado. Sabiam também que não estavam buscando glória, mas a chance de sobrevivência do seu povo, longe da ditadura que escravizava a humanidade embrutecida.
A engenheira em informática Ingeborg Inge Stefansson, assumiria as comunicações e o sistema de computadores que ela havia ajudado a desenvolver.
A engenheira e astrônoma Bárbara Blanes, namorada de Marcos, assumiria a navegação. Formada numa universidade do norte, tanto ela como sua irmã gêmea Linda, arrancaram dos braços a indigna Marca do código de barras, imposta pela ditadura. Uma feia cicatriz estava aí para prová-lo. Mas não conseguiriam livrar-se da cicatriz deixada pelo assassinato seus pais a mãos da ditadura mundial.
Lúcio Cardelino, irmão de Regina; filho e neto de militares, filho de mártires da Causa, era responsável pela defesa. Piloto de caça; pilotou todos os novos aviões e naves. Conhece todos os armamentos de bordo. Montou pessoalmente todo o armamento da nave; inclusive os torpedos. A doutora Eva Klinger, namorada de Lúcio, médica, química e bióloga espacial, era a segunda médica de bordo. O piloto Boris Jaskavitch, de origem russobrasileiro, era explorador por excelência, aventureiro da selva, lutador, forte e violento, era o braço direito de Aldo. Tinha viajado pelo espaço entre a Terra e a Lua várias vezes com Valerión. Havia idealizado todos os sistemas de manutenção de vida de bordo.
A doutora Regina Cardelino, namorada de Boris, irmã de Lúcio, era a principal conselheira de Aldo. Psicóloga; professora de lingüística, história, filosofia, e como se tudo isto fosse pouco; bonita como uma deusa; embora sua beleza estivesse entristecida pelo martírio dos seus pais. Era o preço para servir à Causa.
O doutor Nicholas Nico Klinger, irmão de Eva, seria o primeiro oficial médico da nave, perito em medicina espacial, responsável pela saúde da tripulação.
A doutora Tamara Tama Wilkins, namorada de Nico, médica nutricionista, responsável pela alimentação, era também responsável pelo depósito de medicamentos.
Estes são os Primeiros.
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Mundos Paralelos ® – Textos: Gabriel Solis - Arte: André Lima.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Mundos Paralelos - Capítulo I - 1.20

1.20

–Acho bom continuarmos o programa e partir logo; independentemente, sem muita conversa com o pessoal da F.A.E.C.S – disse o Dr. Valerión, fumando seu cachimbo aromático no seu escritório dos subterrâneos da Antártida – Ainda mais que o inimigo pensa que nosso ideólogo principal, Blanes, está morto, como Cardelino e Preissler. Ah, Preissler... Grande guerreiro! Só os deuses sabem como eu gostava dele!
–Blanes está morto, doutor. Tive que consolar suas filhas...
–Eu sei, rapaz. Mas o inimigo pensa que nosso ideólogo principal está morto.
–Blanes não é...? Digo... Era... Nosso ideólogo principal?
–Não. Há o Mestre de todos eles, quem ensinou Blanes, Cardelino, Preissler e a mim; ainda nos anos oitenta do século passado; que isto que aqui está; viria.
–Mas por Thor, Valerión! Quem é essa ilustre figura?
–Um senhor de sessenta anos, que está esperando o momento de intervir.
–Puxa, Valerión...! Não me diga que é... “... O Homem que Virá?”.
–Tudo ao seu tempo. Seu nome é apenas para iniciados.
–Valerión, não me venha com isso...!
–As paredes têm ouvidos.
Aldo não insistiu no assunto, sabia que os mais velhos avisaram aos jovens que isto tudo um dia aconteceria.
Apesar de estar sempre na luta pela Causa, Aldo sabia que não era um iniciado, ainda. E nem sabia se algum dia o seria.
A mente de Aldo era voltada para a tecnologia, as ciências exatas; os líderes doutrinaram-no de
maneira correta, só sabia o que precisava saber. Ele, filho de mártires, vagamente lembrava sua infância, quando ainda o fatídico Grupo dos Treze não tinha tirado a máscara. Mas, pessoas como Blanes, Cardelino, Preissler, Valerión e outros, tinham orientado sua adolescência na luta contra o Sistema. Agora, aos 24 anos, praticamente toda sua vida tinha sido de luta e doutrinação política contra este satânico sistema mundial, que para ele, sempre tinha existido. Por isso, confiava em Valerión, seu Mestre. Nem por assomo imaginara que poderia existir um Mestre dos Mestres. Agora o sabia. Sem saber por que, exatamente, sentiu-se melhor por sabê-lo.
–Por que acha que devemos continuar o projeto sem muita conversa com a F.A.E.C.S, doutor? – perguntou Aldo – o que eles estão aprontando desta vez?
–Estou preocupado com as medidas purgativas que estão sendo tomadas pelos atuais líderes da revolução – respondeu e acrescentou:
–Até concordo em que sejam eliminados os traidores e inimigos quando algum deles cai nas nossas mãos. Se me pedissem, até atiraria neles, Aldo.
–Eu também, doutor.
–Mas isso me deixa sem jeito. Não consigo me concentrar no serviço e pretendo fazer muito ainda, após a vossa partida ao espaço.
–O que devo fazer?
–Abastece e prepara a Antílope para a partida. E seleciona a tripulação.
–Muito bem, doutor. Farei isso e me desentenderei da situação política.
–Claro rapaz. Verás que é isso o que mais ajudará à Causa. Se não conseguirmos achar um planeta bem longe que nos acolha, estamos destinados a perder a guerra vindoura contra essa nefasta Nova Ordem Mundial.
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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mundos Paralelos - Capítulo I - 1.19

1.19
Nove anos antes, em 10 de março de 2004...
...A nave Selene II desceu na Cara Oculta da Lua, onde fundaram uma base a salvo da Nova Ordem Mundial. Aí trabalhariam em paz para chegar aos planetas.
A expedição foi comandada pelo Dr. Prof. Alexei Gregorovitch Valerión e o piloto Alan Claude Sarrazin, capitão da FAEB (Força Aérea Espacial Brasileira). Na tripulação estava o aspirante Aldo Santos, na época com quinze anos. Não se consideravam russos, brasileiros ou uruguaios, porém antárticos. Ao chegar viram óvnis afastandose.
Colocaram em fuga uns alienígenas que abandonaram a base que montavam.
Eram os vampiros espaciais de Zeta Reticuli IV, os alfas cinzentos, que abandonavam a base montada com conhecimento da Nova Ordem Mundial. Os antárticos entraram nas construções dos nojentos alienígenas, encontraram documentos, ferramentas e sua imunda comida ainda quente; composta de partes de seres humanos terrestres; dissolvida num líquido orgânico, o que os deixou enojados ao descobrir o que já se suspeitava no século anterior. Posteriormente descobriram uma nave espacial avariada, que tinha sido abandonada às pressas pelos intrusos.
Com a tecnologia capturada aos aliens, a equipe do Dr. Valerión começou a colonização da Lua, onde depois fundaram cidades autônomas, semelhantes à Cidade Antártica. Foram chamadas: Cidade Lunar, Port Armstrong, Cidade Antípodas, Nova Chile, Argentina II, Brasil II, Cidade dos Velhos, e a tristemente célebre Prisão de Segurança Máxima nas Montanhas Malditas, na face oculta da Lua.
Nesse meio tempo, a situação mundial piorou. Pessoas de boa saúde física e mental foram recrutadas para trabalhar nas colônias da Lua, independente da Nova Ordem Mundial, que não tinha tecnologia capaz de competir com a dos antárticos; e todas as tentativas da ditadura para chegar à Lua e impedir a fuga de escravos; eram repelidas à força por Antártica, com o que a situação política piorou.
Com os conhecimentos dos alienígenas, Valerión levou adiante seus inúmeros inventos que lhe permitiram levar os antárticos aos planetas. Muitas coisas foram criadas pelo Dr. Valerión para servir de ferramentas à nascente força espacial criada pelos homens livres da Terra: FAECS (Força Aérea Espacial do Cone Sul).
Muitas aventuras, Aldo e o seu mestre Valerión, compartilharam nesses nove anos de amizade e respeito. Agora se reuniam de novo para enfrentar a presente crise.
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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Mundos Paralelos - Capítulo I - 1.18

1.18
Foram obrigados a descer no gelo da Antártida.
Comandos especializados, dirigidos pelos remanescentes do Esquadrão Shock foram a capturá-los, enquanto uma esquadrilha de caça mantinha afastados os caças inimigos. A nave foi recuperada inteira e os criminosos levados a interrogatório.

Os interrogadores de Antártica, devidamente doutrinados pelas lideranças rebeldes eram especialmente cruéis. Era gente que sabia contra o que estava lutando e sentia um profundo ódio pelo governo mundial e pelos seus sicários. Pouca coisa sobraria dos assassinos após o interrogatório, além da informação sobre mais traidores ou espiões nas bases espaciais.
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Depois disso, houve uma caçada às bruxas na Lua.
Nenhuma nave pousava ou decolava sem rigoroso controle. Satélites armados com mísseis foram colocados nas órbitas da Lua e da Terra.
Nesse meio tempo, deflagrou-se a guerra de informação; a rede televisiva do inimigo; Journal News Network (JNN) contra a rede da Antártida, que transmitia em inglês, português e espanhol desde umas cavernas fortificadas no pólo norte da lua e era vista e ouvida em toda a Terra e alhures; Rádio e Televisão Venceremos (RTVV), fortemente doutrinada contra o governo mundial. Por isso se soube que o dano ocasionado à base lunar foi total em materiais e vidas humanas.
O triunvirato da resistência desaparecera. O General Cardelino, o Sr. Blanes e o General Preissler morreram. Mártires para a Causa.
Na base habitavam 300 funcionários com suas famílias; astronautas de exploração e funcionários em trânsito. 1.100 mortos em total. Dezoito naves foram destruídas, antárticas, argentinas, russas, australianas e brasileiras. Todas de grupos que lutavam pela Causa. As outras bases tinham poucas naves; chilenas, brasileiras, chinesas, antárticas e da FAECS; Força Aero Espacial do Cone Sul.
Na Antártida restavam 10 naves da classe Antílope, e perante as violentas “caçadas de bruxas”, as coisas não seriam fáceis para os que deviam partir para o espaço. Por isso, Aldo e Valerión encontraram-se dias depois do acontecido na Lua.
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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Mundos Paralelos - Capítulo I - 1.17

1.17
Na Lua não há atmosfera e os sons não se propagam.
A explosão foi mortalmente silenciosa, mas foi possível ver o clarão. Pedaços de metal, gente, pedras, mobília e pó, subiram no alto e espalharam-se em redor; pela expansão violenta de tudo o ar contido no edifício de dez andares; como uma grande flor redonda e mortal.
A Antílope limitou-se a pairar sobre a superfície lunar. O pó ainda não tinha se assentado, ainda caiam objetos, pedaços de metal, móveis e pedaços de pessoas. Do profundo de uma ravina, onde se escondera para não ser atingido pela onda de choque, surgiu Leif, voando com um pequeno impulsor.
–Sou eu, amigos! Olhem para abaixo!
–Suba a bordo, Leif – disse Aldo. – Pensamos que estava morto.
–Quase. Não conhecem a nave tão bem quanto eu. Peguei este impulsor, entrei na escotilha e fugi. Deixaram um sujeito para vigiar-me, mas consegui distraí-lo.
–Quantos são?
–Quatro. Eram três e pegaram mais um na base. Deve ser o sabotador.
–Vamos ver se há sobreviventes.
–É perda de tempo – disse Leif – Não deve ter se salvado ninguém, Aldo.
–Ainda assim, vamos olhar.
Os instrumentos indicaram que não havia sobreviventes. Com Leif a bordo, a Antílope saiu a perseguir os assassinos terroristas, lacaios do governo mundial.
–Se dirigem para fora do sistema – disse Aldo – estão loucos.
–Essa nave não dispõe de carburante suficiente para ir a lugar nenhum e eles sabem disso – disse Leif.
–É uma fuga suicida – disse Inge, feliz de ter recuperado seu irmão vivo.
Aldo apertou um botão vermelho situado à sua esquerda, no painel de armas, e o foguete de cabeça nuclear partiu velozmente rumo ao seu objetivo.
–Não quero que morram ainda – disse Aldo – Será um aviso. Afinal, a nave é nossa e custam caras. Na base havia muitas... Que se perderam para sempre.
Por isso, o torpedo, passou junto à nave da classe Selene explodindo cinqüenta quilômetros adiante do inimigo.
–A próxima será para matar, seus malditos assassinos – disse com frieza Aldo pelo radio – E não me falta vontade.
Por toda resposta, A Selene III virou em redondo.

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